Zen e a arte de identificar dragões, turus e mocreias

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O verão amazônico ainda não começou, mas para todo lado que se olha só se vê bundão, coxão, peitão, sapatão… Epa! sapatão?! É isso mesmo, parente, é na pré-temporada de caça que as armadilhas são testadas e você tem que estar esperto pra não viajar na maionese e rebocar um sapatão pensando que era uma pochetinha. Qualquer festinha com alto teor de birita pode virar festa do Lago Ness e você dançar legal, acabando com um traveco monstro em seu abatedouro particular acreditando que era uma vada tipo prada, ou seja, vestida pra matar.

Por causa disso, os templários da AMOAL prepararam com muito carinho, viagra e Atalaia Jurubeba um pequeno estudo sobre os dragões e as mocreias para que você fique por dentro (ops!) da fauna que assola esta maravilhosa e traiçoeira estação chuvosa, plena de aventura, fantasia e muito tédio, drogas e roquenrou!

DRAGÃO (Também conhecido como TRIBUFU DE KOMODO) – Temos que convir que o estudo desta mutação da espécie humana tem evoluído de maneira bastante lenta e irregular. Pouquíssimos pesquisadores são suficientemente piroca das ideias para manter um relacionamento mais constante com os dragões, o que dificulta sobremaneira estas pesquisas. Contudo, podemos afirmar que os dragões são (re)conhecidos, de preferência à distância, em três modalidades básicas: os RUINS de comer, os MUITO RUINS de comer e os IMPOSSÍVEIS de comer.

Devido à sua constante intenção de chegar junto, os dragões esbarram na gente nas mais variadas ocasiões e situações, mas apresentam real perigo nas madrugadas e nos fins de noite, principalmente quando a graduação alcoólica extrapola os 51 graus P.L.Z.B. (Pra Lá de Zuzo Bem). É nessa hora que o dragão adquire sua fantástica capacidade mimética, que leva o mais incauto e afoito a achar que “dá pra encarar”. Daí pra ruína física e moral é um passo.

A grande sumidade no assunto, Prof. Dr. Edilson Suplicy, em seu livro “Mitos Afro-brasileiros, Sexualidade e Alcoolismo”, afirma que os filhos do orixá Ogum, conhecido como São Jorge, emérito abatedor de dragões e chegado a um goró e a uma batalha, são os mais suscetíveis e se envolveram com os “dragos”.

Outros dois grandes experts no assunto os Drs. Wallami Karpano e Bajara Nacajarda, autores do Best-seller “As Brumas do Valão” – considerada a mais completa obra já editada sobre o assunto – podem afirmar, depois de décadas de abnegadas pesquisas, que 100% dos casos de conjunção íntima com dragões ocasionam os seguintes efeitos colaterais imediatos: sonolência incontrolável, paumolência total absoluta e a chamada Síndrome de Catapulta, que se manifesta quase sempre na manhã seguinte ao contato. Os principais sintomas da síndrome são:

1°. Que merda é essa?

2°. Vontade incontrolável de baixar porrada;

3°. Necessidade incontrolável de arremessar aquilo com força e à distância pela janela mais próxima;

4°. Ressaca féladaputa, seguida de altíssima depressão e baixíssima auto-estima.

Passemos agora à classificação dos dragões para que você possa estar mais apto a identificar e se defender do mal.

DRAGÃO REAL – É o dragão por excelência, não tem jeito de ser outra coisa. É reconhecível a léguas como tal. Geralmente fuma sem parar pra que não se perceba que a fumaça expelida ininterruptamente por seu nariz é de origem orgânica. Tende a pegar no pé, ops!, no pau e, quase sempre, não larga nem com macumba ou trovoada. Divide-se em duas subcategorias:

DRAGÃO DE PENACHO – Tem um pouco de grana e por isso um maior poder de fogo. Normalmente anda cheio de ouro e outros babilaques pendurados pelo corpo. Tem gente que come por interesse. Várias chegaram a ser cantoras de samba, funk, MPB. Outras viraram apresentadoras de TV e do Telejornal Hoje, da rede Globo. A maioria, entretanto, está apenas esperando por você ali naquele boteco da esquina. Todo cuidado é pouco.

DRAGÃO DE KABILÊRA – Gênero doméstico do drago. (Não confundir com a RÁDIO PATROA, que é uma qualidade e não um gênero). É o dragão mais agulhado, principalmente se vier num kit completo, acompanhado por dois ou três bacurinhos catarrentos, chorando pracarálio o tempo todo e doidos pra te chamar de “meu paipai”. Tem gente que tem que comer por estar sempre “di kabilêra” com seu consorte que, se for você, é bem feito. Quem mandou casar com um dragão?…

TURU – Gênero de dragão com certa independência pessoal ou maior capacidade intelectual, o que lhe dá grande periculosidade porque gera uma autonomia acima da média, podendo, assim, estar presente em locais de grande suscetibilidade a seus ataques. Quando enriquece tende a transmutar-se em Dragão de Penacho e, quando se casa, em Dragão di Kabilêra (em geral os piores, já que têm argumento para tudo).

Os turus, por sua sensibilidade e capacidade intelectual, podem ser ARTÍSTICOS, ESOTÉRICOS ou MILITANTES. Alguns podem misturar essas qualidades como, por exemplo, ex-cantoras de rock que se tornam astrólogas. Outras chegam a deputadas pelo PT. Suas subcategorias são:

TURU SARACURA – Forma um pouco mais rara e menos embuchada de turu. Com o tempo tende a empenar, porque é excessivamente magra e alta. Depois da oitava vodka pode se camuflar em Raimunda Falsa Magra. Cuidado. Muitos comem por falta de alternativa.

TURU TAMBORETE (ou simplesmente Tamborete) – É o turu mais encontradiço, de escassa mimética. Com o tempo tende irremediavelmente a embaiacar. Quando em decadência se transforma na terrível BRUACA (ou CANHÃO), forma agravada e irreversível do turu, podendo chegar até ao estágio Berta Nutels (ou Rose Muraro), que é considerado um passo antes do Homem-Elefante. Muito cuidado. Muitos nem comem.

JABURU – É o dragão menos favorecido intelectualmente. Não tem, normalmente, opinião formada sobre porra nenhuma e fica só lá presente com sua jaburice e aquela expressão que nos fala ao instinto atávico de arriar a mão naquele córni escroto. Serve quase sempre de acompanhante dos turus e guardam um sorumbático silêncio, o qual advém do medo congênito de falar alguma merda e atrapalhar o bote do turu. Muitos comem pra não ficar à toa. Outros ficam à toa pra não comer. Dividem-se em três subcategorias. São elas:

JABURANCA – É quase impossível uma sobrevida muito longa após se carcar uma jaburanca e o sofrimento físico e moral é muito grande. Abra um ferro-velho em Goiânia, vire cabelereiro em Salvador, torne-se um corno manso em Belo Horizonte, mas não passe a manguaba numa jaburanca em hipótese nenhuma. Cabelo na palma da mão não é nada.

JABURÉIA – Um pouco menos grave que a jaburanca. Há uma certa possibilidade de sobrevivência nesse caso, principalmente se ela estiver em evolução para jabureide. Contudo, não se deve arriscar. Alguns chegaram a comer por falta de grana pra comprar uma revista Playboy usada no sebo do Celestino Neto. Em todo caso, se inevitável, aconselha-se o uso de camisinha, venda, walkman com música do Sepultura no volume máximo e fronha.

JABUREIDE – A jabureide é um estado limítrofe entre dragão e a mocreia, para a qual ainda resta uma esperança de, levantando um troco, dando um trato no visual e passando a andar com uma tchurminha mais interessante, ascender à condição de PUTZISGRILA, gênero de mocreia vada que estudaremos mais à frente.

Dependendo do ângulo e da situação, a jabureide pode ser considerada comível (não tem nego que se amarra em jiló frito com granola e açaí ou em rabo de jacaré com maxixe e agrião?), principalmente em situações de seguração de vela em acampamentos, excursões e pequenas viagens, na falta de jererê, baralho ou violão.

Ela não é difícil de ser cantada e dá mole fácil. Dizem que certos homeopatas unicistas mantêm haréns secretos de jabureides para estudar seu comportamento limítrofe e trocar o óleo quinzenalmente, quando fica russo.

MOCREIA – Mais que uma simples classificação específica por tipo físico, a mocreia traduz um jeito de ser, uma maneira de ver e levar a vida. Ou seja, você pode descolar aquele broto maneiro, tremendo aviãozinho e tal, achando que é a gata da sua vida e, de repente, perceber que se trata de uma legítima mocreia.

A mocreia não é necessariamente escrota, de forma alguma, e é aí que reside seu grande perigo, visto que convivência mais prolongada com uma mocreia tende a atrofiar a inteligência e nublar o senso de ridículo.

MOCRÉIA REAL – É a mocreia por excelência. Bastante ou razoavelmente comível e facilmente classificável e identificável pelo teste BAJARANACA, ou seja: unhão pintado (inclusive no pé), dentinho preto, salto alto, leve mau hálito, cabelinho tipo musa da novela das oito, joelhos escalavrados (ela se amarra em ficar de quatro).

Quase sempre apresentam ótimas coxas e/ou bundinhas, peitinhos etc. Chega a animar, se não falar demais. São encontradiças em todas as partes. Foi constatado que de uns anos pra cá a densidade mocreia por m² cresceu consideravelmente nas praças de alimentação dos principais shoppings centers de Manaus.

Wallami Karpano, na Revista Civilização Paroara, classificou Elizangela, Angelina Muniz e Magda Cotrofe (em ordem inversa) como os tipos mais bem acabados de Mocreia Real.

VADIA OU VADA – É a mocreia sexualmente mais ativa. Sofre do mal do Machado, ou seja, não pode ver pau em pé. Estão, normalmente, sempre a fim pracarálio dimontão à beça, com aqueles esfuziantes coxões com umas manchinhas de pereba, aqueles peitaços espremidos naquelas blusas tamanho PP e tudo isso em total evidência o tempo todo. Adoram usar modelito “mistruppa” e não dão a menor chance de defesa caso estejam a fim. Conta-se que, esporadicamente e sem compromisso, muitas vezes constituem um fodão.

Mas é bom não passar de uma ou duas vezes, nem aparecer com a vada em situação social evidente porque, visto serem alcoólatras potenciais e portarem a Síndrome do Vagalume (intermitente fogo no toba), as possibilidades de um vexame são bem grandes. Há, também, o perigo de se contrair certas doencinhas incômodas tipo herpes na peia, gonô, cavalo de crista e aids.

É a mocra ideal para aqueles momentos em que você deixa a namoradinha em casa e cai na madrugada atrás daquilo que o diabo (e 98% da população do planeta) gosta: sexo casual com estranhos. Contudo não se esqueça da velha Jontex, que não custa tão caro assim… (já uma reforma de jeba…)

Segundo os especialistas, as vadas são de três tipos:

A PUTA – Dá pra todo mundo, inclusive pra você.

A FELA DA PUTA – Dá pra todo mundo, MENOS pra você.

A PUTIZSGRILA – Não dá pra ninguém, SÓ pra você. (Um caso em um milhão. Tás fudido, véio!)

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