Zé Melo enquadra Dudu e Vanessa e os dois ficam pianinhos!

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Sempre boquirrotos e ficeleiros quando se trata de acusar sem provas, os senadores Dudu Aldravão e Vanessa Mendaz estão comendo abio desde o dia em que foram espinafrados publicamente pelo governador Zé Melo. Ninguém entendeu até agora a razão desse silêncio ensurdecedor. O que aconteceu? Terão feito voto de silêncio? Ou a traulitada desferida pelo governador no dia 10 de janeiro lhes amoleceu o quengo? Essas são algumas das perguntas que não querem calar e que vamos procurar esclarecer.

A quizomba teve início quando Vanessa quis corrigir Michel Temer em um artigo na Folha de S. Paulo e acabou pagando um mico federal pela enésima vez. Ao se pronunciar sobre a briga entre facções que resultou na morte de 60 detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o presidente Michel Temer classificou o incidente como “um acidente pavoroso” e a nossa lôraburra, mostrando que desconhece o significado da palavra acidente, viu nisso uma ótima possibilidade para ataca-lo.

“Pavoroso, sim! Acidente, não!”, escreveu Vanessa Grazziotin, sugerindo que o episódio não poderia ser definido como acidente, ou que os termos “pavoroso” e “acidente” são mutuamente excludentes. Nos dois casos ela está errada e qualquer estudante do primeiro grau sabe disso. Nem vamos perder tempo explicando. Ou, quem sabe, talvez o lance seja partir logo para a ironia como fez o colunista Elio Gaspari, também na Folha, dando crédito a uma suposta alma venenosa: “Acidente pavoroso, sê-lo-ia o impeachment da Dilma”.

Mas foi a aleivosia contida no tal artigo que tirou o governador do sério. No mesmo dia em que o artigo foi publicado, Zé Melo resolveu contra-atacar e divulgou uma carta aberta à senadora, onde chamava Dudu de irresponsável e Vanessa, de oportunista. Como nenhum dos dois citados se manifestou até hoje e como quem cala, consente, estamos republicando a carta aberta na íntegra para que o leitor tire suas próprias conclusões:

Senhora Senadora,

Sempre lhe distingui e respeitei muito!

Foi por essa distinção e por esse respeito que arrisquei minha vida dentro de aviões e barcos, lutando por sua eleição para o Senado da República. Ainda está na sua memória o quanto era difícil elegê-la? Será que ainda lembra dos votos obtidos e se recorda de quem coordenou toda a sua eleição no interior? Se não lembra, permita-me reavivar a sua memória: fui eu!

O que está escrito na matéria “Pavoroso, sim! Acidente, não!” publicada na Folha São Paulo é, no mínimo, irresponsável comigo. Oportunista, com toda a certeza, mas Vossa Excelência não está só, temos outros oportunistas também com mandato, que pouco ou quase nada fizeram pelo nosso Estado nos últimos dois anos.

Cito, por exemplo, o Senador Eduardo Braga, que veio ainda menino do Pará para o Amazonas, recebeu aqui sua educação, formação e todos os mandatos políticos, e não ajudou o Estado nos últimos dois anos, esquecendo que deveria fazê-lo pelo povo. Ao contrário, enodoa e enlameia o nosso Estado com propinas, e por isso, segundo matérias publicadas em jornais, blogs, etc, é citado em delações premiadas da Operação Lava Jato como tendo recebido, ilicitamente, dinheiro de empreiteiras.

Na mesma Folha de São Paulo, edição de hoje, na coluna “Painel”, Vossa Excelência é citada como tendo recebido doação, em 2012, quando era candidata à Prefeitura de Manaus, de empresa ligada à terceirização (a matéria refere R$ 1,4 milhões); nem por isso eu a considero desonesta.

Mas vamos à sua matéria!

  1. a) Achar que as mortes ocorridas em Manaus têm a ver com terceirização (e não estou aqui eximindo culpa de ninguém) é, no mínimo, desconhecer as verdadeiras causas que transformavam as penitenciárias brasileiras em um barril de pólvora a explodir a qualquer momento.

A causa de tudo isso, Senadora, são o tráfico de drogas e a disputa por poder dentro dos presídios que decorre desse abominável comércio. Mesmo a senhora, que não nasceu no Amazonas, deve saber que o Peru, a Colômbia, a Bolívia, o Equador e o Paraguai, juntos, produzem mais de 90% (segundo os dados mais confiáveis 93%) de toda a cocaína consumida no mundo.

O tráfico e a distribuição de drogas nas nossas fronteiras, Senadora, é que causam a luta sangrenta pelo poder dentro das penitenciárias e a morte diária nas ruas do Brasil, com traficante matando traficante, pelo poder de distribuir e vender drogas nos centros urbanos.

Não combater isso é “tapar o sol com a peneira”; é obrigar as Secretarias de Segurança Pública a enxugar gelo todo dia; é querer curar o câncer quando ele já está em metástase. Por que não fazê-lo na origem?  Impedir que as drogas produzidas no Peru, Colômbia, Equador, Paraguai e em pequenas escalas na Venezuela, cheguem ao Brasil? O estranho é que nunca tive notícia de um pronunciamento seu sobre isso.

  1. b) se não sabe, quero lhe informar que a terceirização do Sistema Prisional no Amazonas começou quando o Senador Eduardo Braga era Governador, eu apenas herdei o sistema!
  2. c) nunca tive envolvimento com tráfico de droga. Na campanha, de forma sórdida, covarde, irresponsável e oportunista, o seu aliado político, Eduardo Braga, aproveitando a ida de um coronel da Polícia Militar, que era subsecretário da SEJUS, à Penitenciária levar um recado do Secretário, que tinha informações de um possível motim na Unidade, a bandidos que ali estavam, no sentido de evitar o acontecimento, tirou, irresponsavelmente, uma frase solta da gravação, que dizia em um trecho que “ele me mandou aqui”, insinuando de forma covarde, que ele era eu. “Ele” – e a prova já está nos autos do processo – era o então Secretário da SEJUS. O processo judicial está em instrução e tudo que já foi dito até agora leva a corroborar a minha defesa. Vossa Excelência está sendo irresponsável e leviana comigo em relação a esse episódio, Senadora.

O meu Governo, em apenas dois anos, apreendeu vinte e uma toneladas de drogas, mais do que nos últimos vinte anos, inclusive, mais do que o seu aliado político, Eduardo Braga, conseguiu em oito anos. Acrescente-se ainda, Senadora, que nos mesmos dois anos o meu Governo quase duplicou a população carcerária, e desse acréscimo mais de 70% eram criminosos do tráfico.

Na campanha, perdi feio para o seu aliado político, o Senador Eduardo Braga, nas votações dos presídios. Meu Governo elegeu o combate ao tráfico de drogas como prioritário; por isso fomos, proporcionalmente, o Estado que mais fez prisões do tráfico e de apreensões de drogas. Mas isso, lendo a matéria, de sua responsabilidade, parece que não interessa.

Quer ajudar, Senadora? Deixe de ser oportunista e de fazer “ficela”. Abrace a tese de impedir a entrada de drogas e armas no Brasil. O seu mandato de Senadora da República lhe dá muito poder; use-o pelo bem do País e pela proteção das nossas famílias e da nossa juventude.

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