Uma odalisca injuriada no carnaval de Maués

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Fevereiro de 1978. Baile de carnaval no clube Guaranópolis, considerado o mais elitista da cidade de Maués. No meio do fuzuê, o comerciante Luiz Paulo, fantasiado de tirolês, deixa sua esposa Ana Rita, fantasiada de odalisca, plantada sozinha na mesa e some no meio da multidão.

A odalisca fica injuriada e começa a beber tudo a que tem direito. Com quinze minutos, ela já está doidaça e começa a detonar o marido:

– Aquele Luiz Paulo é um safado! Nem sei onde estou com a cabeça que também não saio por aí e me agarro com o primeiro macho que aparecer…

O pessoal da mesa ao lado, vendo a qualidade da mercadoria, começa a dar corda na odalisca.

– É, só mesmo sendo muito safado pra deixar uma mulher linda como você sozinha aí na mesa… – diz um pierrô.

– Aquele cretino vai ver uma coisa, aquele cretino vai ver uma coisa! – repete a odalisca, cada vez mais bêbada e injuriada.

– Homem não presta, minha amiga, eles são todos iguais! – insiste uma colombina.

Nesse momento chega o marido, que é interpelado rispidamente pela odalisca:

– Onde tu andava, cachorro? Já faz uma hora que tu saiu pra fazer xixi!

A turma do lado apura os ouvidos para acompanhar a discussão do casal, prevendo detalhes interessantes ou sórdidos, o que vir primeiro.

– Eu fui fumar um cigarro lá na praça! – informa o marido, sem muita convicção.

– Mentira! Garanto que tu andava era se esfregando em alguma vagabunda por aí, seu cretino! Eu te conheço, seu escroto! Tu estava mesmo era se agarrando com alguma sirigaita, seu filho da puta! E depois, quando chega em casa, ainda quer bundinha… Taqui pra ti! (e exibiu um majestoso cotoco)

A turma da mesa ao lado caiu na maior gargalhada.

O comerciante riu amarelo e depois sumiu de novo no meio da multidão.

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