Sexo e bombas

0

Por Luís Fernando Verissimo

Clinton foi o primeiro presidente americano desde Carter que não bombardeou ninguém – o que é mais uma prova do efeito salutar do sexo sobre as pessoas. Esteve perto de bombardear o Iraque, e há séries indicações de que se não fossem as visitas constantes de estagiárias ao seu gabinete oval ele não teria concordado tão rapidamente com o plano da ONU para evitar o ataque a Saddam Hussein, o único homem do mundo que pode dizer que deve sua vida ao sexo oral.

É verdade que a relação de libido insatisfeita com uma vontade de bombardear os outros não se comprova no caso de Kennedy, que teve as duas coisas, sexo ininterrupto e bombardeios. Mas o sexo deve ter contribuído para o seu ânimo em apoiar a invasão da Baía dos Porcos e para a solução da crise dos mísseis soviéticos em Cuba sem que um símbolo fálico precisasse ser disparado. (O livro O lado negro de Camelot, que a L&PM lançou, conta muita coisa sobre a atividade sexual de Kennedy, mas não conta que ele gostava de transar numa banheira e que um agente do serviço secreto tinha ordens para mergulhar a cabeça da sua parceira na água na hora do clímax, porque o susto provocava uma contração vaginal na moça. Inconfidência do Gore Vidal, que ninguém queira ter como inimigo. Ou, pensando bem, nem como amigo.)

O mundo lamentou que Johnson e Nixon não se contentassem em atacar estagiárias e nem dá para calcular o que uma boa amante para o Kissinger teria salvo de vidas no Sudoeste Asiático. Reagem nunca conseguia encontrar o quarto de Nancy e se vingou nos outros e Bush foi, dos antecessores de Clinton, o que mais acreditou que a guerra é o sexo por outros meios, e a praticou com entusiasmo de adolescentes. Benditas mulheres do Clinton, portanto. O que elas fizeram pela paz mundial ainda está para ser devidamente reconhecido.

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here