Reforma da Matriz à espera de um milagre de Santa Edwiges

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Previstas para serem concluídas antes da Copa do Mundo de 2014, as obras de requalificação urbanística da Praça da Matriz e do Relógio Municipal estão sendo feitas a passo de tartaruga cansada e ao que tudo indica não ficarão prontas antes da Copa do Mundo de 2022. Basta dizer que nesta segunda feira, 30, apenas dois operários estavam trabalhando no local, enquanto uma turma de garis recolhia parte dos entulhos.

A interdição da praça já dura um temporal de derrubar castanheira. Aliás, em abril de 2014, um fato inusitado vinha chamando a atenção das pessoas que passavam pelas proximidades do Relógio Municipal, muitos deles pensando tratar-se de alguma intervenção do artista pop Romero Britto: uma faixa verde, de grande extensão, isolando a área da Praça da Matriz, onde fica a famosa igreja, do resto da região.

Os únicos operários envolvidos na “reforma”

Em junho, o mistério foi esclarecido: aquele era apenas o marco zero de um ambicioso programa de obras da Prefeitura de Manaus – divulgado em agosto de 2013 –, que incluía a retirada dos camelôs do centro, a recriação do aspecto original da Praça da Matriz, incluindo a Praça do Relógio, a restauração das praças Dom Pedro II, Tenreiro Aranha, Adalberto Vale e dos Remédios, do Pavilhão Universal (na Praça Tenreiro Aranha), da antiga sede da Câmara Municipal e do Museu do Homem do Norte.

De lá pra cá, a única coisa que mudou foi a colocação de tapumes no lugar da faixa de isolamento na Matriz e em algumas outras obras contempladas pelo PAC Cidades Históricas (Praça Adalberto Vale e Praça Tenreiro Aranha, por exemplo). Os camelôs foram retirados da Av. Eduardo Ribeiro, mas continuam no centro – principalmente nas ruas Marechal Deodoro, Guilherme Moreira, Dr. Moreira e adjacências do Mercado Municipal.

Cambista do jogo de bicho há 25 anos, Manuel Codó diz que desde que o entorno da Matriz foi fechado para reforma o movimento caiu e a insegurança aumentou. Os assaltos são frequentes e não há policiamento na área. Além disso, a obra não anda e o que se vê é um total estado de abandono. “É difícil vermos alguém trabalhando nessa reforma que começou há mais de quatro anos. De manhã essa área é tomada pelo mau cheiro, porque os marginais utilizam como sanitário público durante a madrugada”, avisou.

Segundo o PAC Cidades Históricas, a obra da Praça da Matriz foi iniciada em julho de 2015 e estava prevista para ser concluída em 240 dias, ou seja, em janeiro de 2016. A placa com indicações de valores, empresa responsável e prazo de execução da obra já foi retirada do local e tomou chá de sumiço. Para a obra ser concluída, pelo visto, só esperando um milagre de Santa Edwiges, a padroeira das causas impossíveis. Vai, Artuzão!

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