Polícia para quem precisa de polícia

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Por Miguel Paiva

A tragédia que aconteceu em São Paulo na semana passada mostra a urgência do desarmamento. Uma menina foi ferida mortalmente num tiroteio durante um assalto a uma churrascaria. Provavelmente, a intenção dos bandidos era de levar dinheiro e não sair dando tiro por aí. Assaltantes andam armados, senão não seriam assaltantes. Cabe à polícia combater o crime, e não ao cidadão comum, frequentador de churrascarias. No caso, um freguês que também almoçava ali, não identificado e que depois desapareceu, resolveu reagir ao assalto dando tiros com sua arma particular em direção aos ladrões que já se retiravam.

Resultado: os ladrões evidentemente revidaram porque são ladrões e seres humanos defendem a própria pele, e com isso a menina foi atingida no coração. Estava almoçando com o pai num domingo. Nada mais pacífico. Nada mais ameaçador, hoje em dia, nesse país. Se as pessoas não andassem armadas, reações como essa não poderiam acontecer. Cabe ao estado tirar as armas de circulação e como nós, cidadãos, não somos fora-da-lei, não temos que andar armados. Desse jeito vai ficar cada vez mais difícil descobrir quem é o bandido e quem é o mocinho dessa história. Não dá para esperar a bala chegar para saber de onde veio.

Normalmente em ano eleitoral acontece o contrário do que estamos vivendo. Os governantes candidatos a algum cargo se esmeram em demonstrar suas capacidades visando angariar votos e nessa onda paliativa até a violência diminui. Mas o que está acontecendo agora é um total descontrole. Uma espécie de TPE (tensão pré-eleitoral) em que os candidatos se anunciam, mas ainda não estão confirmados, outros começam a cair pelo meio do caminho e, com isso, os estados acabam entregues às baratas ou aos mosquitos.

Outro dia, no Rio (poderia ser qualquer dia), o exagero e descuido da polícia ao lidar com bandidos acabou ferindo gravemente um estudante, um cidadão comum, que apenas exercia seu direito de ir e vir da faculdade. A polícia não pode sair dando tiros por aí, nem tampouco os cidadãos, para se defender. O consumo de munição no Rio e em São Paulo nos últimos dias foi impressionante. O número de pessoas mortas, bandidos ou não, nos últimos dias também foi impressionante. Já estamos nos habituando a esses números como nos habituamos aos números da pobreza e aos números da corrupção. Esses números precisam ser revertidos antes de virarmos todos meras estatísticas.

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