Pinel em Miami

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Por Marcos de Vasconcellos

Figurinha carimbada na praia de Ipanema, o folgado Pinel era conhecido nas águas do mar por ser um emérito surfista e windsurfista com boa colocação no ranking nacional do fotogênico esporte, ou sport, como eles preferem.

Sabedor que haveria uma competição de windsurf no Caribe, Pinel deu uma gerai na sua velha prancha com a intenção de torrá-la por qualquer preço em Miami e comprar uma nova, importada, última palavra. A dele valeria, se tanto, uns 30 dólares, a nova uns 1.500.

O golpe é o de sempre, o famoso João sem Braço: registra a velha prancha na Alfândega do Rio, traz a nova no lugar da outra. É de Lei.

Chegando em Miami com a pranchona, os inspetores de lá desconfiaram: garotão bronzeado, brinco na orelha, brasileiro.

– Chega aqui, moreno. Quanto tempo vai ficar em Miami?

– Uns três dias.

Reviraram o Pinel ao avesso, até radiografia tiraram, mode dar um flagra de apreensão de droga. Não encontraram nada. Aí olharam o Pinel, olharam a prancha:

– Quanto vale esta prancha?

Pinel fingiu pensar.

– Uns 1.300 dólares.

Meteram o machado no veículo marítimo do rapaz, arruinando-o. Não encontraram nada.

Aí meteram a mão no bolso e deram 13 Franklyns verdinhos em folha pro Pinel.

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