Os fenícios na Amazônia

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De acordo com os historiadores, os fenícios estabeleceram-se nas margens orientais do Mediterrâneo, na fina e fértil faixa situada entre o mar e os montes Líbano e Antilíbano. A pequenez de seu território, a presença de vizinhos poderosos e a existência de muita madeira de cedro (boa para a construção naval) nas florestas das montanhas parecem ter sido fatores adicionais que orientaram a civilização fenícia para o mar.

Construíram frotas numerosas e poderosas. Visitaram as costas do norte da África e todo o sul da Europa, comercializaram na Itália, penetraram no ponto Euxino (mar Negro) e saíram pelas Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar), tocando o litoral atlântico da África e chegando até as ilhas do Estanho (Inglaterra).

O Brasil está repleto de indícios comprobatórios da passagem dos fenícios e tudo indica que eles concentraram sua atenção no nordeste. Pouco distante da confluência do rio Longá e do rio Parnaíba, no Piauí, existe um lago onde foram encontrados estaleiros fenícios e um porto, com local para atracação dos “carpássios” (navios antigos de longo curso).

Subindo o rio Mearim, no Maranhão, na confluência dos rios Pindaré e Grajaú, encontramos o lago Pensiva, que outrora foi chamado Maracu. Neste lago, em ambas as margens, existem estaleiros de madeira petrificada, com grossos pregos e cavilhas de bronze. O pesquisador maranhense Raimundo Lopes escavou ali, no fim da década de 1920, e encontrou utensílios tipicamente fenícios.

No Rio Grande do Norte, por sua vez, depois de percorrer um canal de 11 quilômetros, os barcos fenícios ancoravam no lago Extremoz. O professor austríaco Ludwig Schwennhagen estudou cuidadosamente os aterros e subterrâneos do local, e outros que existem perto da vila de Touros, onde os navegadores fenícios vinham a ancorar após percorrer uns 10 quilômetros de canal.

O mesmo Schwennhagen relata que encontrou na Amazônia inscrições fenícias gravadas em pedra, nas quais havia referências a diversos reis de Tiro e Sidon (887 a 856 a.C.). Schwennhagen acredita que os fenícios usaram o Brasil como base durante pelo menos 800 anos, deixando aqui, além das provas materiais, uma importante influência linguística entre os nativos.

No início dos anos 70, o agricultor José Osmarino Eleandro (aka “Zé Arigó”) estava procurando ovos de tartaruga na Praia do Tupé, localizada a 34 km de Manaus, quando um objeto faiscante chamou sua atenção. Ele pegou o objeto e levou um susto: tratava-se de um belíssimo anel de ouro, feito artesanalmente, com uma estranha inscrição na parte interna: LRIXIXLII.

Intrigado, Zé Arigó procurou um jornalista em Manaus e relatou a descoberta. De posse do anel, o jornalista procurou o historiador, folclorista e escritor Mário Ypiranga Monteiro e repassou a história.

Algumas semanas depois, o matutino “O Jornal” publicava uma notícia bombástica, furando toda a imprensa mundial: “Anel descoberto na Praia Tupé comprova visita dos fenícios à Amazônia”.

Quem garantia a descoberta era Mário Ypiranga Monteiro, autor de mais de 200 obras, membro da Academia Amazonense de Letras, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, da National Geographic Society e de diversas outras renomadas associações científicas da França, Inglaterra, México, Peru, Holanda, etc.

Uma verdadeira comoção tomou conta da cidade. O coronel João Walter, na época governador do Estado, resolveu capitalizar a simpatia da população e colocou o objeto em exposição pública no hall do Teatro Amazonas.

Diariamente, uma fila indiana de cinco mil pessoas se posicionava na Avenida Eduardo Ribeiro para apreciar por alguns minutos a preciosa joia histórica. Ao lado da caixa de acrílico onde repousava o anel, o governador e o historiador recebiam cumprimentos efusivos pela descoberta. A pequena joia era guarnecida por seis PMs armados de metralhadoras.

Uma semana depois de aberta a exposição, a noiva do conhecido empresário Lauren Rickson, dono da Importadora Ricoh, resolveu levar o noivo para conferir a joia rara. Os dois passaram quase três horas na fila. Quando colocou os olhos no “anel dos Nibelungos”, Rickson sentiu um arrepio.

Ele pediu licença do governador para examinar mais de perto a pequena joia. Não houve objeção. Um dos PMs armados de metralhadoras abriu a caixa de acrílico e entregou o anel na mão do empresário.

Rickson tirou do bolso um monóculo de ourives e começou a examinar os detalhes do anel. Aí, não teve dúvidas:

– Esse anel é de minha propriedade! – disparou. – Ele foi feito sob encomenda na joalheria Tiffany, de Nova York. Eu o perdi durante uma pescaria na região do Tupé há cerca de um mês.

– Mas e a inscrição fenícia existente no interior da peça? – gaguejou Mário Ypiranga Monteiro.

– Não é inscrição fenícia porra nenhuma! LR são as iniciais do meu nome, Lauren Rickson. IXIXLII são os números da data do meu aniversário em algarismos romanos: 09.09.52.

Dito isso, Lauren Rickson colocou o anel no dedo e foi-se embora, encerrando abruptamente a exposição. As 5 mil pessoas que ainda estavam na fila queria trucidar o governador e o historiador. O matutino “O Jornal”, evidentemente, não comentou o incidente. Choses.

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