Ocaso do pinto

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Por Marcos de Vasconcellos

O famoso andrologista César Nahoum advertiu que o uso abusivo do cloridrato de papaverina, derivado da planta Papaver somniferum, pode criar sérios problemas. E para que serve a papaverina? Rezam os cientistas que cura a impotência e, uma vez ministrada, a droga faz com que o paciente impaciente fique de pênis ereto por duas horas.

Porém, acalmem-se: o Dr. Nahoum diz que soube de casos em que o pênis recalcitra e fica empinado por 12 horas, o que obriga o médico a fazer tratamento oposto, do contrário o proprietário de tão invejável performance fica impotente para o resto da vida. E é verdade. Tem o caso do Abel.

O Abel estava no quarto dele, sozinho, trancado, lendo revista ginecológica e o negocio lá dele assanhou-se. O Abel não estava fazendo nada e resolveu descascar uma bananete auxiliadora.

Terminado o ato que satisfaz mas não convence, o praticante ficou à espera do relaxamento. Passados uns dez minutos, a peça recusava-se a voltar ao estado normal de repouso. Quinze minutos, nada. Vinte minutos, nada. Abel entrou em pânico. Aos berros, danou-se a chamar a mãe. Saiu do quarto nu, as pernas abertas, o trequinho em riste:

– Mamãe! Mamãe! Olha, mamãe! Não quer descer! Socorro! Me ajude!

A mãe, assustadíssima, levou seu pobre menino priápico para o Miguel Couto, onde ainda tiveram que preencher ficha de inscrição e esperar algum tempo na fila. O Abel, curvado, não tinha nem cabeça para ter vergonha, tão aterrorizado estava.

Quando entrou, o médico viu do que se tratava e, com o maior desdém, aplicou um peteleco no trem do Abel. Imediatamente o galo murchou e virou pinto outra vez.

Arrasado, dessa vez morto de vergonha, saiu do gabinete do especialista para o opróbio dos corredores do Miguel Couto e ainda por cima, aos 28 anos, teve que ouvir da mãe, ao entrar no táxi:

– Seu porco!

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