O violão Alhambra de Celito Chaves

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Em 1984, os músicos Rinaldo Buzaglo, Celito Chaves, Edu do Banjo e Mestre Carlito viajaram para o Rio de Janeiro, onde foram gravar o samba-enredo do GRES Sem Compromisso. As gravações foram realizadas no estúdio Havaí, do respeitado produtor Bira Havaí, e contaram com a participação de Dominguinhos do Estácio.

Era um compacto duplo. De um lado o samba da Sem Compromisso e do outro um samba da Reino Unido, que ainda era bloco de embalo. Os músicos entraram no estúdio na segunda-feira de manhã e na terça à tarde já estavam acabando de finalizar a “bolacha”.

Na quarta-feira, Dominguinhos convidou os amazonenses para participarem de uma roda de pagode que rolaria naquela noite, na quadra do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. Eles não se fizeram de rogado.

Por volta das sete horas da noite, o quarteto já havia descido de um táxi na quadra do Cacique de Ramos e estava participando alegremente do fuzuê.

Algumas horas depois, Mestre Carlito chamou Edu do Banjo de lado e indagou o porquê de Celito e Rinaldo estarem discutindo tanto.

Bastante gorozado, Rinaldo dizia:

– Assim que a gente chegar em Manaus eu compro outro, meu compadre!

Mais gorozado ainda, Celito rebatia:

– Mas não é a mesma coisa, compadre, não é a mesma coisa…

– Deixa comigo, compadre! – insistia Rinaldo. – Eu vou lá na Importadora Mundial e compro um zerado, melhor do que aquele…

– Mas não vai ter nenhum valor pra mim, compadre! – contestava Celito. – Pra mim, não vai ter nenhum valor…

Edu entrou na conversa:

– Êi, cara, o quê qui tá pegando? O Ademir Batera, o Bira Presidente, o Almir Guineto e o Sereno estão ficando cada vez mais preocupados com essa discussão de vocês dois. O pessoal do pagode já até parou de tocar. O quê qui tá pegando?…

Celito, quase chorando, abriu o coração:

– Esse sacana do meu compadre esqueceu o meu violão Alhambra, modelo C10, dentro do porta-malas do táxi que nos trouxe aqui, Edu! Puta que pariu, Edu, aquele violão foi presente do meu falecido pai. E eu ainda disse pra esse miserável não trazer o violão, porque aqui tinha instrumentos pra todo mundo tocar…

– Mas aquele violão tinha sido afinado por mim, compadre, e eu queria tocar nele! – explicava candidamente Rinaldo. – Assim que a gente chegar em Manaus eu compro outro, meu compadre! Eu vou lá na Importadora Mundial e compro outro, igualzinho aquele!

– Eu sei compadre, eu sei, mas não é a mesma coisa, compadre, não é a mesma coisa… – insistia Celito. – Aquele tinha sido presente do meu velho pai…

A ladainha só terminou em Manaus três dias depois.

O violão Alhambra, claro, nunca mais foi encontrado.

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