O professor de inglês do Sérgio Bernardes

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Dinheiro curto, curtíssimo, o arquiteto Sérgio Bernardes, então estudante, projetou um golpe na mãe, D. Maria. Como estava ruim em inglês e logo no Anglo Americano, disse que precisava de aulas particulares e já tinha tratado com um professor, um certo Mr. Poooler.

O Pooler era remador de regata, amigo de Sérgio, filho de inglês, mas não falava uma palavra sequer da língua paterna. Contudo, prestou-se ao papel por cinco dos vinte dólares que D. Maria pagava por aula.

A tramoia durou meses. Os dois se trancavam no quarto do Sérgio durante quarenta e cinco minutos, findos os quais, recebidos os cinco dólares, o Pooler caía fora.

Um dia, caiu um temporal daqueles cariocas, de fazer prefeito subir favela.

Botafogo, onde era a casa do Sérgio, ficou intransitável. O Pooler, que morava em Niterói, não teve outro jeito: ficou para jantar.

D. Maria, que falava um inglês alinhadíssimo, resolveu, por pura cortesia, conversar com o professor na língua de sua especialidade.

O Pooler, que só sabia um ráu are iu aleijado e um gudebái pior ainda, em desespero, apelou:

– D. Maria, a senhora me desculpe, mas em dia de trovoada eu não falo inglês. É uma cisma que eu tenho.

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