O Dia do Fabricante

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Por Millôr Fernandes

Sim, por que não? Se todos têm seu dia, se estamos comemorando até o Dia de Dar Graças a Deus dos americanos (eles têm motivos de dar graças a Deus, mas e nós?), por que não sermos pioneiros em alguma coisa e instituirmos, pela primeira vez no mundo, o Dia do Fabricante? Como diria o Chacrinha: “Ele mereeeeece!”

Já temos o Dia das Mães, o Dia dos Pais, o Dia das Secretárias, o Dia das Telefonistas, enfim, dia de todas as personalidades e entidades que são permanentemente veladas justamente por quem? Pelo Fabricante.

Quando você quer dar uma geladeira nova, um sapato novo, um pente, uma escova, um perfume, um automóvel, você só os encontra à venda porque o Fabricante cuida da fabricação e distribuição permanente desses artigos. Você já imaginou se de repente o Fabricante perdesse o interesse em fabricar?

Mas que daremos ao Fabricante no Dia do Fabricante se, por definição, é ele que fabrica tudo? Nada. Isso mesmo: nada. Para fazer o Fabricante feliz você não precisa lhe dar coisa alguma.

Basta entrar nas lojas como se fosse comemorar todos os outros dias juntos e comprar jarros inúteis, óculos espelhados com vidros triplanos, copos de plástico berrantes, brinquedos escalafobéticos e jogos incompreensíveis, festejando ao mesmo tempo o Dia do Cunhado, da Amásia, da Vó Torta, do Síndico, do Chofer Malcriado, do Padre e do Compadre.

Quando todas as lojas da cidade – e do mundo – estiveram vazias, você terá comemorado plenamente o Dia do Fabricante. E também, por mera coincidência, O Dia do Otário.

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