O Código Da Vinci dos machos ortodoxos

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Por Ivan Pé-de-mesa

Ok, vocês venceram! Eu não estou mais aguentando a pressão. Então, vou contar. Nós, sujeitos homens, heterossexuais convictos e machos ortodoxos, temos uma linguagem cifrada para classificar as mulheres, numa escala de alfa a ômega. É uma espécie de Código Da Vinci para iniciados. Dê uma olhada e veja em que categoria a sua fêmea se encaixa. O resto é por sua conta e risco.

MST (Malhadora Sem Trégua) – O seu negócio é malhar. No início, era malhar para ficar bonita e para seduzir melhor. Depois, os meios suplantaram os fins e o que sobrou foi uma agenda caprichada: bicicleta às 8 da manhã, aeróbica às 9, hidroginástica às 10, musculação às 15, corrida às 16, dança às 17, sem falar no alongamento às 19. Uma beleza de mulher. Infelizmente, só sabe falar de carboidratos e eficiência cardiovascular.

PDT (Passado Dá Trabalho) – Esta não consegue parar de falar nos ex. “Olha, amor, foi aqui que o Betão caiu da moto”, “Este pedaço de praia era o preferido do Vitinho”, “Neste motel não, querido, foi aqui que o Marcão…”

VIP (Virgem, Inocente e Pura) – Todo homem, no fundo, gostaria de conhecer uma linda moça, virgem, inocente e recém-chegada de alguma cidadezinha do interior. É uma espécie de sonho de consumo que já vem embutido no nosso código genético. O problema é quando a moça não é uma VIP, mas se faz passar por uma. Os ginecologistas chamam isso de hímen complacente. Já os amigos do namorado dela o chamam de trouxa mesmo.

MAGDA (Mulher-Amante Gostosa Doida por Aquilo) – No início, até que é bom. Depois, vem a estafa, o stress, o ataque cardíaco, o CTI. Não, CTI não é nenhuma sigla de tipo de mulher. É Centro de Tratamento Intensivo mesmo!!!

CCCCC (Comando de Caça à Carteira e ao Cartão de Crédito) – Esta mulher tem muitos Cs e um único objetivo na vida: se dar bem. Veio de família sem muitas posses e vai tentar reverter esse quadro custe o que custar. Esperta, bonita, corpo bem feito, loura (sabem Deus e a indústria de cosméticos como), ela costuma deixar os homens nus com a mão no bolso. Mesmo sabendo de sua fama, alguns acham que, com eles, vai ser diferente. Aprenderá o valor e a riqueza da beleza interior. É… o interior da carteira deles. O interior dos grandes hotéis de Paris. Não adianta insistir: o único envolvimento emocional genuíno que essa mulher consegue ter na realidade é com seus reais.

FRIA (Frágil, Reticente, Intelectual e Auto-Referente) – Usa óculos, faz análise há anos, entende Lacan e só vê filme cabeça: sim, uma intelectual! Seu assunto predileto é ela mesma. Adora frases pela metade, faz citações e tem crises de angústia até na roda-gigante de um parquinho de diversões. Além disso, é capaz de discutir os rumos do pós-feminismo durante uma transa. Entende de ponto G e sabe direitinho a diferença entre orgasmo clitoriano e vaginal. Teoricamente, é claro.

POCAHONTAS (POliticamente CAreta, HONesta, Tediosa, Amarga e Séria) – Com a Pocahontas, a gente só pode falar o necessário! Qualquer comentário adicional será tomado como piada de mau gosto, assédio sexual ou um insulto à sua integridade como um todo. Não tem o menor senso de humor e nem vê TV (só noticiários da CNN, documentários do National Geographic ou aqueles sobre a situação da mulher em países opressores e muito malvados). A FRIA, perto dela, é um poço de animação e juventude.

BMW (Bom Mesmo era Woodstock) – Não se iluda com estas iniciais. Na verdade, elas se referem às remanescentes do movimento hippie, que parecem ter voltado a pé de Woodstock e chegado ontem de manhã. Falam mal, usam sandálias que deixam o calcanhar sujo, saias compridas e uma pochetezinha com ervas (todos os tipos de). Em geral, são jovenzinhas e adoram Mauá, mel com própolis, teatro e terapias alternativas. Mas não dá outra: basta envelhecer um pouquinho para virarem mulheres normais, como nossas tias ou irmãs.

CEIA (Chakras, Energia, Incenso e Astrologia) – Versão contemporânea da BMW, guia toda a sua vida, inclusive a amorosa, pelos mapas astrais. Faz acupuntura, shiatsu, alongamento e Reeducação Postural Global, alternadamente. Chakras, energia, incenso e divindades orientais são suas palavras de ordem. Acha que vai tudo mudar no alvorecer do novo século e que as cinco viagens que fez sozinha pelo caminho de São Tiago a farão voltar na próxima encarnação como um tamanduá-bandeira salvo da extinção e vivendo em perfeita harmonia com os povos da floresta. Vegetariana, é claro.

RENAVAM (Rapidinho Ela Negocia a Alma Virando Amigona da Mãe do Marido) – Um homem tem certeza de que fez besteira quando a nova namorada gruda na sua mãe. Na teoria, toda mãe sabe que nenhuma mulher é suficientemente boa para seu filho, mas na prática pode se deixar seduzir por uma oportunista. A aliança acaba em proibição da cerveja com os amigos e da mesa-redonda sobre futebol nos domingos à noite. Costuma acabar também com uma aliança propriamente dita no… dedo do pobre coitado.

PRINT (Plugada na Rede da INTernet) – Jovem, cheia de vida, inteligente e sensível! Mas é inútil ficar especulando, porque ela só se liga num monitor de vídeo e num programa de software que acelere seus contatos on line. Um verdadeiro desperdício moderno!

DETRAN (DEcidida a TRANsformar) – É a categoria mais comum: pensa que vai transformar o marido logo após o casamento. Acredita piamente que ele largará o futivôlei, as peladas, as saídas com os amigos e os “filmes de ação” já na volta da lua-de-mel. Mas, verdade seja dita, os homens também alimentam fantasias da carochinha. Por exemplo, a de que vão poder levar o mesmo tipo de vida de antes do casamento e que sua linda esposinha permanecerá para sempre aquela coisa fofinha. Ô burricezinha, hein?

MAMA (Mulher À Moda Antiga) – Sonha em ter cinco filhos com você e dedicar-se ao lar. Dócil e submissa, acredita que homens e mulheres são bem diferentes entre si. (“O homem precisa descarregar suas tensões: o que faz da porta para fora não me interessa, desde que em casa seja bom pai e bom marido.”) Trata-se, evidentemente, de uma espécie em extinção.

CEP (Carente Especializada Profissional) – No início, ela parece igual às outras, apenas um pouco mais meiga e atenciosa… depois, vai ficando cada vez mais próxima, até chegar ao ponto de não desgrudar do alvo! Liga para o seu escritório doze vezes ao dia. Fica magoada ao menor sinal de impaciência. As três palavras que ela mais diz são: “Você me ama?” Enquanto o CEP normal ajuda o carteiro a encontrar o destinatário, esta CEP daqui deixa qualquer homem perdido!

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