O caso Delmo: A versão dos acusados (6)

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Por Simão Pessoa e Antônio Diniz

Auto de qualificação e interrogatório do réu Cassiano Cirilo Anunciação, na forma abaixo:

Aos 3 dias do mês de março de 1952, em Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 16 horas (verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, no exercício pleno do cargo de juiz de Direito, comigo escrivão interino adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se segue.

Que se chama Cassiano Cirilo Anunciação, amazonense, natural desta cidade, solteiro, com 20 anos de idade, filho de Demétria Rodrigues Anunciação e Francisco Cirilo Anunciação, residente à Avenida Waupés s/nº, chofer, exercendo sua atividade nesta cidade no ônibus Eneida, sabendo ler e escrever, atualmente preso e recolhido à Penitenciária do Estado;

Que ao tempo em que foi cometida a infração o interrogado se encontrava na Avenida Waupés na casa conhecida por “19 de Janeiro”, isto é, desde o rapto da vítima até o seu assassinato;

Que na mesma noite do dia 5 de fevereiro o interrogado teve notícia da infração porque ouviu pelo rádio;

Que sobre as provas contra si já apuradas e que são algumas acusações feitas por outros choferes principalmente por “Pirulito” tem a dizer que não são verdadeiras;

Que foi informado pelo próprio “Pirulito” que o agente Bastos e o agente Rosas é que obrigaram “Pirulito” a denunciá-lo;

Que prestou depoimento na Polícia livre e espontaneamente e aqui neste Juízo confirma esse depoimento;

Que não conheceu a vítima e que não conhece as testemunhas arroladas pela Promotoria nada tendo a alegar contra elas;

Que não conhece os instrumentos e objetos que ora lhe são apresentados;

Que não é verdadeira a imputação que lhe é feita, pois se encontrava naquela noite de 5 de fevereiro no bairro da Cachoeirinha desde as 17h30 até as 22h30 e que estava jogando dominó com o senhor Antônio Pastique, Alípio de tal, Baiano, Pedro de tal e um guarda civil também chamado Pedro;

Que não teve conhecimento de que alguns choferes pretendiam assaltar a ambulância com o fim de raptar Delmo e que também não sabe se houve outras tentativas anteriores para retirar Delmo do poder da Polícia;

Que não sabe quais os choferes que assaltaram a ambulância e quais aqueles que maltrataram e assassinaram Delmo;

Que já foi processado neste Juízo e foi condenado a um ano e sete meses de detenção por crime culposo tendo obtido “sursis” por dois anos;

Que tem advogado constituído;

Que aceita o curador que ora lhe foi nomeado o doutor Rodolfo Lopes Martins Filho, que está presente a este interrogatório.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado deu-se por findo a este auto de qualificação e interrogatório, o qual depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado por todos os de direito.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Ercílio Ambrosio da Silva, vulgo “Besouro”, na forma abaixo:

Aos 3 dias do mês de março de 1952, nesta cidade de Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 16h (hora oficial de verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, no exercício pleno do cargo de Juiz de Direito, comigo escrivão ad-hoc, adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se vê.

Que se chama Ercílio Ambrosio da Silva, vulgo “Besouro”, brasileiro, natural deste Estado, casado, com 29 anos de idade, chofer profissional, alfabetizado, filho de Manuel Ambrosio da Silva e de Maria do Espírito Santo, residente à rua Recife nº 726, atualmente preso e recolhido à Penitenciária do Estado;

Que ao tempo em que foi cometida a infração o interrogado se encontrava em sua residência, todo o dia 5 de fevereiro, inclusive à noite;

Que teve notícia do crime por intermédio do chofer Pedro Paulo de Farias, pelas 20h15, o qual foi guardar o automóvel dele, Paulo, na residência do interrogado;

Que o interrogado reside em companhia de Antonio Fernandes Prata;

Que Pedro Paulo de Farias chegou em sua residência em estado normal e contou ao interrogado de que Delmo havia sido raptado, porém não lhe informou quais os choferes que participaram desse rapto;

Que sobre as provas contra si já apuradas, principalmente sobre as referências de alguns colegas seus quanto a participação do crime tem a dizer que naturalmente esses colegas ao prestarem essas informações não estavam no seu juízo perfeito;

Que não conheceu a vítima;

Que das testemunhas arroladas pela Promotoria conhece há muitos anos Manuel da Rocha Barros, nada tendo a alegar contra o mesmo;

Que não conhece nenhum instrumento ou objeto que ora lhe é apresentado;

Que não é verdadeira a imputação que lhe é feita, pois como já disse naquele dia não saiu de casa;

Que podem atestar isso o tenente Mario Costa, da Força Policial, o senhor Armando Santos e o senhor Albino de tal;

Que nunca foi preso ou processado;

Que tem advogados constituídos.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo o presente interrogatório, o qual depois de lido e achado conforma vai devidamente assinado por quem de direito.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Pedro Gomes de Souza, vulgo “Mala Velha”, na forma abaixo:

Aos 4 dias do mês de março de 1952, em Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 10h40 (verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, no exercício pleno do cargo de juiz de Direito, comigo escrivão interino adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se segue.

Que se chama Pedro Gomes de Souza, vulgo “Mala Velha”, brasileiro, natural de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, casado, filho de Severiano Cassiano de Souza e de Edwiges Gomes de Souza, com 39 anos de idade, residente e domiciliado nesta cidade, na rua Maués, nº 448, sendo chofer profissional trabalhando na praça de Manaus, sabendo ler e escrever, atualmente preso e recolhido à Penitenciária do Estado;

Que ao tempo em que se deu a infração, isto é, o rapto de Delmo, o interrogado se encontrava na avenida Eduardo Ribeiro, pelas 19h15, hora antiga;

Que ao tempo em que foi cometido o assassinato de Delmo o interrogado se encontrava no local do crime;

Que sobre as provas contra si já apuradas e referentes ao seu depoimento prestado na Polícia tem a dizer que algumas partes desse depoimento exprimem a verdade e outras não;

Que foi preso no dia 5 de fevereiro em sua residência, às 22h, e prestou aquele depoimento no dia 7 de fevereiro, às 6h da manhã, e desde o momento em que entrou na Polícia preso até o momento em que prestou esse depoimento não lhe deram de comer e de beber;

Que é verdade que o declarante pouco antes das 20h daquele dia 5 de fevereiro, conforme disse na polícia, embarcou na avenida Eduardo Ribeiro no carro de nº 233, dirigido pelo profissional João Brito Teixeira, vulgo “Pirulito”, embarcando com o declarante mais três choferes que não pode identificar;

Que na parte do seu depoimento policial, em que diz que conduziu Delmo Pereira até uma distância de 500 metros vereda adentro é verdade, porém o interrogado apenas o acompanhou, mas não se lembra do nome dos choferes que conduziram Delmo Pereira e se acusou alguns colegas foi apenas para se livrar logo do interrogatório policial;

Que na parte do seu depoimento policial em que diz que Delmo chegou a declarar que os seus companheiros do crime anterior foram Antônio Muniz e José Alberto, tem a dizer que realmente ouviu Delmo acusar esses dois cidadãos quando era interrogado por alguns choferes;

Que na parte referente ao seu depoimento em que diz que “Carioca” introduziu sua faca punhal nas unhas de Delmo, tem a dizer que isso não é verdade;

Que é verdade que Delmo em certo momento cambaleou perto do declarante sujando a roupa dele, interrogado, de sangue, porém não empurrou Delmo;

Que na parte em que o interrogado acusa “Santo Pobre” de dar forte paulada em Delmo e “Carioca” aplicar uma facada no mesmo na altura do peito, não é verdade, pois não viu esses choferes praticarem tais atos;

Que é verdade a parte de seu depoimento policial em que declara que afastou-se do local do crime e embarcou no carro nº 260 dirigido pelo profissional conhecido por “Puxa Faca”;

Que sobre a acusação que fez no seu depoimento policial contra “Puxa Faca”, de que este lhe tinha respondido que matou o homem e abriu a barriga dele com uma faca e aplicou-lhe uma facada no vão, tem a informar que esta parte não é verdade;

Que no final de seu depoimento prestado na Polícia em que diz que desembarcou próximo ao Leão de Ouro e foi para o seu trabalho na Garagem Esportiva e duas horas depois foi preso em sua residência pela Polícia tem a dizer que essa parte é verdade;

Que não conhecia a vítima;

Que das testemunhas arroladas pela Promotoria conhece de vista Manoel de Rocha Barros e Manuel Rodrigues, nada tendo a alegar contra os mesmos;

Que não conhece nenhum instrumento que ora lhe é apresentado, porém reconhece uma calça e um paletó como sendo de sua propriedade e era com essa roupa que se encontrava no local do crime;

Que não é verdadeira a imputação que lhe é feita;

Que nesse dia pelas 19h e poucos minutos o interrogado se encontrava na avenida Eduardo Ribeiro;

Que nesse momento viu um automóvel descer a avenida Sete de Setembro em grande velocidade e que também vários outros carros estavam trafegando;

Que chegou uma turma de choferes e outras pessoas queriam embarcar no seu carro, porém o interrogado revelou que não tinha gasolina;

Que também ouviu dizer por populares de que tinham levado o homem;

Que nessa ocasião, João Brito Teixeira, vulgo “Pirulito”, se encontrava na avenida e embarcou no carro de “Pirulito” e foram ao local do crime;

Que o interrogado foi apenas por curiosidade para conhecer Delmo e que outros choferes também embarcaram no carro de “Pirulito”, mas como era de noite o interrogado não chegou a reconhecê-los;

Que o carro de “Pirulito” parou num local que fica mais ou menos a uns 500 ou 800 metros do local do crime e aí o interrogado saltou;

Que “Pirulito” voltou para deixar o carro onde estavam estacionados vários outros a fim de impedir a passagem caso a polícia os descobrisse;

Que logo depois voltou “Pirulito” e em companhia do interrogado seguiram a pé por um varadouro conhecido por Varadouro do Padre Hermindo;

Que nesse local começaram a interrogar Delmo e só se lembra de João Brito Teixeira, que estava perto daqueles que interrogavam a vítima;

Que logo depois chamou João Brito Teixeira, vulgo “Pirulito”, convidando-o para se retirarem, tendo “Pirulito” lhe dito que ele, interrogado, fosse andando e que por isso o interrogado retirou-se não vendo mais “Pirulito”;

Que João Brito Teixeira não interrogou Delmo e não sabe se esfaqueou a vítima;

Que o interrogado ao se retirar do local do crime ainda deixou Delmo com vida;

Que ao chegar onde os carros se encontravam encontrou-se com “Puxa Faca” e este perguntou o que é que tinham feito com Delmo tendo lhe respondido de que não sabia;

Que daí o interrogado voltou para a avenida Eduardo Ribeiro em companhia de “Puxa Faca”;

Que não se recorda dos choferes que estavam no local do crime, apenas se lembra de João Brito Teixeira e que não viu Delmo ser transportado do carro de Eugênio para o carro de “Pirulito”;

Que o declarante não sabia desse assalto à ambulância, pois trabalhava de noite e dormia de dia;

Que não esteve no Palácio Rio Negro integrando uma comissão de choferes;

Que nunca foi preso e nem processado;

Que tem advogados constituídos.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo ao presente auto de qualificação e de interrogatório, o qual depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado por quem de direito.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Francisco das Chagas Barroso Lotif, na forma abaixo:

Aos 4 dias do mês de março de 1952, em Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 11 horas e 45 minutos (verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, no exercício pleno do cargo de juiz de Direito, comigo escrivão interino adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se segue.

Que se chama Francisco das Chagas Barroso Lotif, natural do Estado do Ceará, casado, com 33 anos de idade, filho de Jorge Assef Lotif e de Vicença Barros Lotif, residente e domiciliado nesta cidade, na rua Ramos Ferreira nº 2.327, funcionário público, sendo chofer do Serviço de Socorros de Urgência (SSU), sabendo ler e escrever, atualmente preso e recolhido à Penitenciária do Estado;

Que ao tempo em que foi cometida a infração, isto é, o rapto de Delmo, o interrogado se encontrava guiando a assistência do Serviço de Socorros de Urgência, conduzindo Delmo, e estava atravessando a curva da Getúlio Vargas com a Sete de Setembro;

Que ao tempo em que a vítima foi assassinada o interrogado se encontrava na sua repartição na avenida Joaquim Nabuco, onde funciona o Serviço de Socorros de Urgência e que sobre as provas contra si já apuradas e referentes ao seu depoimento policial tem a dizer que o mesmo foi prestado sem coação nenhuma, livre e espontaneamente, porém a única coisa que foi obrigado a dizer, e que não é verdade, é que sabia que iam assaltar a assistência;

Que não conheceu a vítima e que das testemunhas arroladas pela Promotoria só não conhece a de nome Eliseu Costa Moreira e conhece as outras, porém nada tem a alegar contra estas;

Que não conhece nenhum dos instrumentos e objetos que ora lhe são apresentados e que não é verdadeira a imputação que lhe é feita;

Que não sabia de que iam raptar Delmo e nem o seu colega Silvio lhe comunicou nada a respeito;

Que o interrogado entrou de serviço no SSU à 19h do dia 5 de fevereiro e que às 19h20 o investigador Bastos chegou ao SSU e pediu para que transportassem Delmo Pereira que se encontrava nesse serviço para o Quartel da Guarda Civil, na rua Guilherme Moreira;

Que por isso o enfermeiro Manuel Rodrigues pediu ao interrogado para fazer esse transporte e que seriam precisamente 19h20 quando o interrogado saiu com a ambulância conduzindo Delmo Pereira rumo ao quartel já referido;

Que ao lado do interrogado na ambulância se encontrava Silvio Alves de Oliveira, na parte de fora o enfermeiro Manuel Rodrigues e no interior da ambulância iam Delmo Pereira e um agente policial;

Que saíram do SSU, entraram pela rua Lauro Cavalcante, Getúlio Vargas, entrando nesta avenida e dobrando para o lado esquerdo a fim de entrar na avenida Sete de Setembro;

Que fez esse trajeto sempre na mão, isto é, do lado direito, e que trafegava numa velocidade de 15 km porque o carro estava com o estrangulador puxado e por isso não era possível desenvolver maior velocidade;

Que Silvio Alves de Oliveira durante esse trajeto não conversou com o interrogado e que a ambulância ia tocando a sirene por intermédio do enfermeiro ou de Silvio e lembra-se bem de que ela ia “sirenando”;

Que a ambulância trafegava com as luzes acesas e não apagou nem acendeu essas luzes durante o trajeto;

Que na ocasião em que o interrogado dirigiu-se ao guidão da ambulância, Silvio estava telefonando do SSU, porém o interrogado não pode informar para quem ele telefonava;

Que ao chegar no cruzamento da Getúlio Vargas com a avenida Sete de Setembro o interrogado resolveu fazer a mudança para a “primeira” a fim de dar uma velocidade a ambulância e que essa medida tomada era uma tentativa do interrogado para ver se o carro melhorava de velocidade;

Que nesse momento Silvio fechou a chave de ignição e que logo a seguir uma aglomeração de pessoas se aproximou da assistência e um homem moreno de revólver em punho gritou para o interrogado que parasse o carro;

Que Silvio nessa ocasião desce da assistência e vai para trás da mesma;

Que o interrogado não chegou a saltar da ambulância e em menos de minuto e meio Delmo foi retirado do interior da mesma;

Que Silvio ao saltar da ambulância dirigiu-se a alguns populares dizendo “vamos tirar o homem”;

Que a cena foi rápida e o interrogado não se lembra das fisionomias dos choferes que se encontravam no momento perto da ambulância;

Que logo depois Silvio voltou e sentou-se ao lado do interrogado, porém nada disse sobre o caso;

Que novamente deu marcha à ambulância subiu a Sete de Setembro, entrou pela Rui Barbosa e dirigiu-se ao Serviço de Socorros de Urgência e daí por telefone o interrogado comunicou o assalto à ambulância e consequente rapto de Delmo ao diretor do SSU doutor Carlos Frederico;

Que às 20h chegou no SSU o senhor Manuel Antunes, que convidou ao interrogado e a Silvio para irem até a Polícia para prestarem declarações;

Que o interrogado não sabia que já estava premeditado o assalto à ambulância, porém Silvio Alves de Oliveira pediu ao declarante para que não fosse pelo Canto do Quintela, pois ali havia muita gente;

Que não sabe se foram feitas outras tentativas de assalto a alguma ambulância do SSU, pelo menos a ambulância guiada pelo interrogado só foi assaltada aquela vez;

Que nunca foi preso, porém foi processado por este Tribunal por crime de ferimentos e foi absolvido;

Que tem advogados constituídos.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado deu-se por findo ao presente auto, o qual depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Francisco Felismino, vulgo “Nego Chico”, na forma abaixo:

Aos 4 dias do mês de março de 1952, nesta cidade de Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça ,em meu Cartório, pelas 17h (hora oficial de verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, comigo escrivão ad-hoc, adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual depois de ouvir a denúncia de folhas duas a seis e demais peças do processo bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela forma que adiante se vê.

Que se chama Francisco Felismino, vulgo “Nego Chico”, natural do Estado da Paraíba, solteiro, com 27 de idade, filho de Antonio Fesmino e de Ubelina Maria de Jesus, residente a rua Cláudio Mesquita s/nº, chofer profissional, exercendo suas atividade nesta cidade, sabendo ler e escrever, atualmente preso e recolhido à Penitenciária Central do Estado;

Que ao tempo em que foi cometida a infração desde o rapto até ao assassinato de Delmo, o interrogado se encontrava no Pavilhão Universal;

Que sobre as provas contra si já apuradas o interrogado tem a dizer que não são verdadeiras pois nem no local do crime se encontrava;

Que o interrogado prestou declarações na Polícia debaixo de coação, ameaçado de pancada, tendo passado antes 36 horas sem comer nem beber e por isso declarou tudo o que a Polícia quis que ele declarasse;

Que não conhecia a vítima;

Que conhece de vista Manuel da Rocha Barros e Manuel Rodrigues nada tendo a alegar contra os mesmos;

Que não conhece as outras testemunhas arroladas pela Promotoria;

Que não conhece nenhum instrumento ou objeto que ora lhe é apresentado;

Que não é verdadeira a acusação que lhe é feita;

Que o interrogado deixou o serviço no dia 5 de fevereiro pelas 17h30 e ficou no pavilhão aguardado um ônibus para ir a sua residência;

Que chegou em sua residência mais ou menos às 21h;

Que foi preso no Pavilhão Universal no dia seguinte às 7h30, sendo conduzido à Policia;

Que nunca foi preso e nem processado;

Que tem advogados constituídos.

E, como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo o presente auto de qualificação e interrogatório o qual depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado, por quem da direito o dever.

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