O caso Delmo: A versão dos acusados (5)

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Por Simão Pessoa e Antônio Diniz

Auto de qualificação e interrogatório do réu Waldemar Augusto Lemos, na forma abaixo:

Ao 1º dia do mês de março de 1952, em Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 10 horas (verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, no exercício pleno do cargo de juiz de Direito, comigo escrivão interino adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se segue.

Que se chama Waldemar Augusto Lemos, brasileiro, natural deste Estado, casado, com 39 anos de idade, chofer, alfabetizado, filho de Arsênio Augusto Lemos e de Arminda Augusta Rodrigues, residente e domiciliado nesta cidade, na rua Santa Isabel nº 325, atualmente preso e recolhido à Penitenciária do Estado;

Que ao tempo em que foi cometida a infração, isto é, o rapto, o interrogado se encontrava viajando no automóvel de Eugênio, vulgo “Bigode”, isto pelas 19h, mais ou menos;

Que quanto ao assassinato de Delmo só veio a saber em sua residência às 22h, do dia 5 de fevereiro, pelos seus vizinhos e que quanto às provas contra si já apuradas, se houve referências de seu nome, pelos seus colegas, elas não são verdadeiras;

Que confirma o seu depoimento prestado na Polícia e que esse depoimento foi espontâneo e não sofreu nenhuma coação da autoridade policial;

Que não conheceu a vítima e que das testemunhas arroladas pela Promotoria não conhece Eliseu Costa Moreira e quanto às outras as conhece de vista, nada tendo a alegar contra as mesmas;

Que não conhece nenhum instrumento ou objeto que ora lhe são apresentados, pois nenhum deles lhe pertence e que não é verdadeira a imputação que lhe é feita;

Que o interrogado estava em sua residência no dia 5 de fevereiro, pelas 18h30, mais ou menos, e que depois de ter jantado resolveu ir ao cinema e, ao chegar no canto da Duque de Caxias com a avenida Sete de Setembro, passava nesse momento o chofer Eugênio, vulgo “Bigode”, e este, ao vê-lo, parou o carro e perguntou-lhe se ia para a cidade, obtendo resposta afirmativa, pois disse a “Bigode” que ia para o cinema assistir um filme no Polytheama;

Que por isso entrou no carro de “Bigode” e desceram a Sete de Setembro;

Que ao chegarem nas proximidades do Café Normal o interrogado viu uma aglomeração de pessoas entre as avenidas Getúlio Vargas e Sete de Setembro, inclusive uma assistência do Serviço de Socorros de Urgência que estava parada já na Sete de Setembro, nas proximidades do Ginásio Amazonense;

Que o interrogado pensou logo que se tratava de um desastre e que “Bigode” avançou com o carro até perto da aglomeração de pessoas onde parou;

Que nessa ocasião se aproximaram do carro várias pessoas arrastando um rapaz e que o interrogado ainda pretendeu sair do automóvel, mas a multidão era tão grande, arrodeando o automóvel, que não foi possível abrir a porta do automóvel;

Que o interrogado vinha atrás do carro e embarcaram aquele rapaz na frente, ao lado do chofer “Bigode” e que “Bigode” ainda chegou a protestar contra isso, mas foi obrigado a dar o seu consentimento;

Que na frente do carro estava o chofer “Bigode”, a vítima e outro rapaz que não conhece, e que atrás ficou o interrogado e mais uns dois ou três, lembrando-se apenas de um deles, que era o chofer José Cesário;

Que todos que estavam no carro mandaram que “Bigode” tocasse o carro para frente e nessas condições o carro seguiu, descendo a Sete de Setembro, entrando na rua Itamaracá, estrada Epaminondas, João Coelho e que antes de chegarem ao campo do Luso entraram na estrada velha de São Raimundo e continuaram até o local que fica adiante do Batuque da Mãe Joana, parando em frente a uma casa;

Que “Bigode” nessa ocasião não quis mais continuar e tentou fazer uma manobra de volta e, nesse momento, encostou um automóvel ao lado do carro de “Bigode” e a vítima foi transferida para esse carro;

Que esse carro era de cor azul, marca Plymouth, porém não reparou o número e que só se lembra do chofer José Cesário, naquela ocasião, não se recordando dos outros;

Que durante o trajeto o rapaz que vinha ao lado de Delmo, cujo nome não sabe, pediu a Delmo para que esse confessasse e dissesse o nome dos seus cúmplices e Delmo respondeu que ele confessaria tudo se não o maltratassem;

Que também durante o trajeto, por duas vezes, o rapaz que ia ao lado de Delmo tentou furar este com um punhal, tendo o interrogado pedido a ele que não fizesse isso;

Que essa faca tipo punhal estava sem bainha e é parecida com o punhal que ora lhe é apresentado e que é a maior de todas as facas aqui presentes;

Que Delmo ainda opôs resistência ao ser transferido para o outro carro, porém foi puxado e conduzido para o mesmo;

Que o interrogado e mais o chofer “Bigode” não saltaram do carro e voltaram imediatamente;

Que por duas vezes durante o trajeto pediu aquele rapaz que não furasse Delmo;

Que o interrogado voltou logo junto com “Bigode”, não ficando no local e saltou no entroncamento a fim de pegar o ônibus e ir para sua casa;

Que o interrogado chegou em sua residência às 19h45 e que foi preso no dia seguinte, às 11h da manhã;

Que o interrogado não sabia que ia haver esse assalto e que também não teve conhecimento se foram feitas outras tentativas para retirarem Delmo do poder da Polícia;

Que também não tomou parte numa comissão de choferes que estiveram no Palácio Rio Negro;

Que nunca foi preso ou processado e que tem advogado constituído.

Nada mais disse nem lhe foi perguntado pelo que deu-se por findo o presente auto de qualificação e interrogatório o qual depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Pedro Paulo de Farias, na forma abaixo:

Aos 3 dias do mês de março de 1952, em Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 10h15 (hora oficial de verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, comigo escrivão ad hoc, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se vê.

Que se chama Pedro Paulo de Farias, brasileiro, natural do Território Federal do Acre, solteiro, com 22 anos de idade, filho de Antônio Moreira de Farias e de Branca Lessa de Farias, residente à rua General Glicério nº 32, chofer do auto nº 230, exercendo suas atividades nesta cidade, sabendo ler e escrever, atualmente preso e recolhido à Penitenciária Central do Estado;

Que no tempo em que foi cometida a infração, o interrogado se encontrava fazendo serviço para um freguês de nome Joaquim Reis, às 19h30, mais ou menos, do dia 5 de fevereiro;

Que esse freguês estava acompanhado de sua esposa;

Que teve notícia do crime depois de ter deixado esse freguês e ter voltado ao seu ponto no Pavilhão Universal;

Que eram precisamente, mais ou menos, 19h50 quando chegou aquele pavilhão;

Que aí um sargento da Polícia Militar e muitos soldados de baioneta calada pediram ao interrogado para que os conduzisse aos Bilhares;

Que foi informado por eles de que alguns choferes tinham raptado o jovem Delmo Pereira e o tinham conduzido aos Bilhares para dar-lhe uma surra;

Que sobre as provas contra si já apuradas principalmente no que se refere ao seu depoimento na Polícia tem a dizer de que esse seu depoimento não exprime a verdade;

Que foi obrigado a confessar a sua participação no crime pelo agente Rosas e pelo comissário Felipe Kanawatti;

Que ao entrar na Polícia viu um colega que estava sendo espancado por alguns policiais entre os quais o senhor Bastos;

Que não sabe o nome desse colega seu;

Que não conheceu a vítima;

Que das testemunhas arroladas pela Promotoria apenas conhece de vista Manuel da Rocha Barros e Manuel Antunes, nada tendo a alegar contra os mesmos;

Que reconhece um revólver 32 simples que ora lhe é apresentado como sendo de sua propriedade o qual lhe foi apreendido na residência de sua irmã pelo investigador Rosas;

Que esta arma foi apreendida na noite posterior à noite do crime, isto é, no dia 6 de fevereiro;

Que não é verdadeira a imputação que lhe é feita;

Que naquela noite do crime, depois de fazer o serviço do senhor Reis, conduziu um sargento e vários soldados da Polícia até os Bilhares, tendo os deixado naquele local e como eles o informaram de que os estudantes estivessem quebrando todos os carros foi guardar o seu automóvel na casa de Antônio Fernandes Prata;

Que não sabia se alguns choferes pretendiam assaltar a ambulância para retirar Delmo e conduzi-lo aos Bilhares;

Que também não teve conhecimento que alguns choferes assaltaram uma ambulância perto da Santa Casa;

Que também não esteve no Palácio Rio Negro numa comissão de choferes;

Que se foi acusado por alguns colegas naturalmente confundiram o carro do interrogado que é igual, da mesma cor e da mesma marca de outros quatro carros de praça;

Que o seu carro é de cor verde;

Que a sua confissão feita na Polícia foi sob coação, sendo ameaçado de cela e borrachada;

Que nunca foi preso nem processado;

Que tem advogados constituídos.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo o presente auto de qualificação e interrogatório, o qual depois de lido e achado conforma vai devidamente assinado por quem de direito.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Antônio Fernandes Prata, na forma abaixo:

Aos 3 dias do mês de março de 1952, nesta cidade de Manaus, Capital do Estado do Amazonas, em meu Cartório, no Palácio da Justiça, pelas 11 horas (hora de verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, comigo escrivão ad hoc, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e seis e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código Penal, passou a ser interrogado e qualificado pela maneira que adiante se vê.

Que se chama Antônio Fernandes Prata, natural do Estado do Amazonas, solteiro, com 33 anos de idade, filho de Joaquim Fernandes Prata e de Izabel de Jesus Prata, residente no bairro de Adrianópolis, rua Recife nº 726, chofer profissional, sabendo ler e escrever, que se acha atualmente recolhido à Penitenciária Estadual;

Que ao tempo em que foi cometida a infração o interrogado se encontrava em sua residência;

Que teve notícia da infração em sua própria residência pelo chofer Pedro Paulo de Farias, que tendo ido guardar o seu carro na residência do interrogado lhe informou desse crime, isto mais ou menos 20h30, horário antigo, do dia 5 de fevereiro deste ano;

Que não era costume de Pedro Paulo de Farias guardar o seu carro na residência do interrogado e ele chegou muito nervoso contando de que haviam raptado Delmo;

Que Pedro Paulo de Farias deixou o carro no quintal da residência do interrogado e que depois Pedro foi embora a pé;

Que não prestou depoimento junto à autoridade policial;

Que sobre as provas contra si já apuradas e referentes às acusações de Pedro Paulo de Farias tem a declarar que não é verdade o que foi contado por Pedro;

Que talvez quando Pedro o acusou não estivesse no seu estado perfeito;

Que não conheceu a vítima;

Que das testemunhas arroladas pela Promotoria conhece apenas Manoel da Rocha Barros e Manuel José Antunes, ambos de vista, nada tendo a alegar contra os mesmos;

Que não conhece os instrumentos e objetos ora apresentados;

Que não é verdadeira a imputação, pois não saiu de sua casa no dia do crime;

Que também não sabia que alguns choferes pretendiam assaltar a ambulância para raptar Delmo;

Que também não sabia se foram feitas outras tentativas de assalto a outras ambulâncias;

Que não esteve numa comissão de choferes no Palácio do Governador, porém foi informado desse fato;

Que nunca foi preso e nem processado;

Que tem advogados constituídos.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo ao presente interrogatório, que depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Carlos Gomes Farias, na forma abaixo:

Aos 3 dias do mês de março de 1952, em Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 14h, onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, comigo escrivão ad-hoc, adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se vê.

Que se chama Carlos Gomes Farias, brasileiro, natural deste Estado, casado, com 25 anos de idade, filho de José Farias Torres e de Raimunda Gomes Farias, residente à avenida Carvalho Leal, s/nº, mecânico, exercendo suas atividades nesta cidade, sabendo ler e escrever, atualmente preso e recolhido à Penitenciária do Estado;

Que ao tempo em que foi cometida a infração, isto é, o rapto de Delmo, o interrogado estava no ônibus Constelação descendo a avenida Sete de Setembro quando viu no cruzamento da avenida Getúlio Vargas uma ambulância ali parada e uma grande aglomeração de pessoas;

Que ao tempo em que Delmo foi assassinado e interrogado se encontrava no local depois do Batuque da Mãe Joana;

Que quanto as provas contra si já apuradas e referentes ao seu depoimento na Polícia tem a informar que confirma esse depoimento, pois ele foi prestado espontaneamente e sem coação e procurou contar a verdade dos fatos;

Que conhecia a vítima há muito tempo e era seu amigo;

Que o pai da vítima era freguês da oficina onde trabalha o interrogado;

Que das testemunhas arroladas pela Promotoria Pública só conhece a de nome Manuel de Rocha Barros há muito tempo nada tendo a alegar contra o mesmo;

Que não conhece nenhum instrumento ou objeto que ora lhe é apresentado;

Que não é verdade a imputação que lhe é feita;

Que no dia 5 de fevereiro, conforme já disse o interrogado, descia a avenida Sete de Setembro no ônibus Constelação, mais ou menos pelas 19h30, quando chegou à altura dessa avenida com a Getúlio Vargas e ali avistou uma ambulância do Serviço de Socorros de Urgência parada e uma aglomeração de pessoas;

Que por isso o interrogado desceu do ônibus para verificar o que tinha acontecido;

Que nesse momento passava um carro e desse carro chamaram o interrogado e por isso atendendo a esse chamado embarcou nesse carro;

Que o interrogado não se lembra e nem conhece quais os choferes que estavam nesse carro;

Que seguiram até o local do crime, isto é, adiante do Batuque da Mãe Joana;

Que o interrogado não sabia para onde ia e nem foi informado disso pelos outros colegas que estavam no carro;

Que chegando ao local saltou do carro e viu uma aglomeração de gente voltando do local do crime;

Que não se recorda dos choferes que estavam no local, pois estava muito escuro;

Que não chegou a ver Delmo Pereira;

Que não viu Delmo ser interrogado por nenhum chofer;

Que não ouviu Delmo dizer o nome dos seus cúmplices;

Que não está bem lembrado se o seu Manuel Cruz era quem interrogava Delmo;

Que foi preso nos Bilhares pelo doutor Rocha Barros em companhia de outros choferes, mas não sabe o nome deles, porém muitos deles estão na Penitenciária;

Que depois de ter prestado depoimento na Polícia foi recolhido à Penitenciária do Estado;

Que na Polícia Civil sofreu sede e um pouco de fome;

Que nunca foi preso e nem processado;

Que tem advogado constituído.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo o presente auto de qualificação e interrogatório, o qual depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado por quem de direito.

Auto de qualificação e interrogatório do réu Silas Araújo, na forma abaixo:

Aos 3 dias do mês de março de 1952, nesta cidade de Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Palácio da Justiça, em meu Cartório, pelas 15h (hora oficial de verão), onde foi vindo o Excelentíssimo Senhor Doutor Ernesto Roessing, Juiz Substituto da 5ª Vara, no exercício pleno do cargo de Juiz de Direito, comigo escrivão ad-hoc, adiante nomeado, compareceu o réu deste processo o qual, depois de ouvir e ler a denúncia de folhas duas e demais peças do processo, bem como advertido do disposto no artigo 186, do Código de Processo Penal, passou a ser qualificado e interrogado pela maneira que se vê.

Que se chama Silas Araújo, brasileiro, natural do Estado do Pará, casado, com 34 anos de idade, filho de José Luiz Araújo e de Anália Araújo, residente à rua Luiz Antony nº 941, chofer profissional, exercendo suas atividades nesta cidade, sabendo ler e escrever, atualmente preso e recolhido à Penitenciária do Estado;

Que ao tempo em foi cometida a infração o interrogado se encontrava no “ponto” dos carros da avenida Eduardo Ribeiro, por volta das 20h do dia 5 de fevereiro;

Que soube a notícia da infração no local e hora acima referidos, por comentários do povo;

Que sobre as provas contra si já apuradas e referentes ao seu depoimento prestado na Polícia tem a declarar que o que contou junto à autoridade policial foi o que se passou com o interrogado;

Que por isso confirma esse depoimento que foi prestado livre e espontaneamente sem sofrer nenhuma coação das autoridades policiais;

Que não conhecia a vítima;

Que não conhece as testemunhas arroladas pela Promotoria Pública, nada tendo a alegar contra as mesmas;

Que não conhece nenhum objeto ou instrumentos que ora lhe é apresentado, pois até a presente data nunca andou armado;

Que não é verdadeira a imputação que lhe é feita;

Que o caso do interrogado passou-se da seguinte forma: que o interrogado se encontrava na avenida Eduardo Ribeiro pelas 20h, quando já haviam passado vários carros e foi informado de que Delmo Pereira tinha sido raptado por alguns choferes;

Que o interrogado, que está aqui há uns quatro meses, resolveu conhecer Delmo Pereira para que futuramente se livrasse dele e por isso resolveu ir atrás dos choferes que o raptaram;

Que o interrogado chegou até o Batuque da Mãe Joana;

Que ao chegar a esse local já vários carros tinham voltado;

Que não distinguiu o número desses carros e também não conseguiu ver nenhum chofer;

Que foi preso pelo doutor Rocha Barros naquela mesma noite na parada dos Bilhares;

Que vários choferes foram presos juntamente com o interrogado, porém não os conhece e nem lhes sabe os nomes;

Que não sabia que iam raptar Delmo e só veio a ter conhecimento conforme já disse na mesma noite do rapto;

Que também não tinha conhecimento de que foram feitas outras tentativas para retirar Delmo do poder da Polícia;

Que nunca foi preso e nem processado;

Que tem advogados constituídos.

E como nada mais disse e nem lhe foi perguntado, deu-se por findo o presente auto de qualificação e interrogatório, o qual depois de lido e achado conforme vai devidamente assinado por quem de direito.

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