O caso Delmo: A arraia miúda abre o bico (3)

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Por Simão Pessoa e Antônio Diniz

No dia seguinte à confissão de “Carioca”, o chofer Francisco de Souza Marques, vulgo “X-9”, também resolveu abrir o bico na presença do juiz Ernesto Roessing. Era o início da noite de 29 de março. O que o chofer disse foi o seguinte:

Que resolveu contar tudo que sabe a respeito dos acontecimentos do dia 5 de fevereiro;

Que no seu interrogatório no Tribunal de Justiça negou tudo, inclusive de ter prestado depoimento na polícia, isso porque o Dr. Raimundo Nonato, por diversas vezes, aqui na penitenciária, pediu a todos os acusados para que negasse toda a participação na morte de Delmo Pereira;

Que também, além dessa recomendação do Dr. Raimundo Nonato de Castro, foi ameaçado por “Carioca”, “Pirulito” e “Puxa Faca”, caso contasse a verdade no Tribunal;

Que diante disso o acusado negou tudo no seu interrogatório, inclusive dizendo não ter nem prestado declarações junto à autoridade policial, quando na realidade deu depoimento na presença do coronel Pinheiro;

Que no dia 5 de fevereiro do corrente ano, o depoente passou o dia em casa e não teve conhecimento de nenhum movimento entre os choferes de praça sobre o assalto à ambulância;

Que às 18h, hora antiga, o acusado saiu de sua residência, em companhia de sua esposa, e que às 18h30, junto com sua esposa, se encontrava na Estação de Bondes;

Que nessa hora o depoente estava esperando o ônibus Excelsior, da linha da Praça 14, a fim de ir à casa de sua mãe;

Que em dado momento apareceu no local, isto é, na Estação de Bondes, o chofer Pedrinho, que estava num automóvel, e chamou o depoente;

Que Pedrinho pediu ao depoente para que fosse com ele até a Getúlio Vargas, porque os choferes de praça pretendiam assaltar a ambulância que conduzia Delmo;

Que Pedrinho informou ao depoente que Delmo seria interrogado pelos choferes com o objetivo de apontar os nomes de seus cúmplices no assassinato de José Honório;

Que atendendo ao pedido de Pedrinho, o acusado despediu-se de sua esposa, e entrou no carro;

Que Pedrinho ainda apanhou perto do Relógio Municipal os choferes João Borges, “Joaquim Mecânico”, Jorge de Souza e Benori Alencar;

Que Pedrinho então disse que iam para a Getúlio Vargas, porque já estava na hora de a ambulância sair e o automóvel parou no canto dessa avenida com a 24 de Maio, onde já se encontravam diversos carros;

Que então todos se dispersaram e uns cinco minutos depois, mais ou menos, o depoente viu a assistência sair do pronto-socorro e também viu diversos choferes correndo atrás dela;

Que logo que a assistência entrou na avenida Getúlio Vargas, o chofer Cesário já vinha pendurado atrás da mesma;

Que também correram atrás o chofer conhecido por “Garage” e Benori e estes três abriram a porta da ambulância, já no canto do Ginásio Amazonense, quando a ambulância se preparava para dobrar para a Sete de Setembro;

Que nessa ocasião o chofer “Carioca” e Benori e outros choferes, que não se recorda no momento do nome deles e nem pode identificá-los, correram para a frente da assistência procurando abrir as portas da frente;

Que “Carioca” conseguiu puxar o chofer Barroso Lotif, mas não conseguiu tirá-lo de dentro;

Que já atrás, com as portas abertas, Cesário puxou pela perna o agente policial que se encontrava no interior da mesma e conseguiu retirá-lo de lá;

Que o agente policial foi até espancado quando foi tirado da ambulância, porém conseguiu fugir;

Que Delmo Pereira, no interior da ambulância, ficou em pé, com os braços levantados, segurando-se na ambulância, e pediu socorro;

Que Cesário subiu e entrou no interior da ambulância, dando uma gravata em Delmo, e que quando Cesário conseguiu levá-lo até a porta da ambulância, “Carioca”, Benori e “Garage” puxaram Delmo pelas pernas e o retiraram da ambulância;

Que nesta ocasião viu o chofer “Garage” dar um pontapé no enfermeiro conhecido por “Gavião” e este saiu correndo;

Que Delmo foi conduzido para um carro Hudson que já estava ali parado e que, segundo ouviu dizer, em conversa com alguns choferes na avenida Getúlio Vargas, esse carro Hudson já se encontrava, desde às 18h, ali parado;

Que nesse carro entraram, além de Delmo, “Carioca”, Cesário, Waldemar Lemos e Benori, sendo guiado pelo chofer conhecido por “Bigode”;

Que o carro Hudson partiu imediatamente, descendo a avenida Sete de Setembro, não atendendo a nenhum apito dos guardas de trânsito;

Que atrás do carro Hudson ia um carro de nº 163, no qual estava o depoente, Jorge de Souza, Vicente Alencar e o chofer conhecido por “Cu de Vidro”, e que este carro era guiado pelo chofer Sebastião da Silva Pardo, conhecido por “Sabazinho”;

Que outros carros vinham também atrás e todos acompanhavam o carro Hudson, o qual entrou pela rua Itamaracá, Epaminondas, João Coelho e dobrou na estrada velha de São Raimundo;

Que o carro Hudson só parou perto do batuque da Mãe Joana e lá viu abrirem a porta para desengatarem a perna de Delmo e de Waldemar Lemos, que estavam presas;

Que logo depois apareceu o carro de “Pirulito”, que parou perto do carro Hudson e, aí, transferiram Delmo para o carro de “Pirulito”;

Que não sabe se “Bigode” recusou-se a continuar levando Delmo, mas ouviu quando Cesário, Benori e “Carioca” conversaram achando bom transferir Delmo para o carro de “Pirulito”;

Que o carro onde viajava o depoente parou logo atrás do carro de “Pirulito” e que Delmo, ao ser transferido para o referido carro, já ia sendo espancado por Cesário, “Carioca” e Benori;

Que então os choferes referidos disseram que, para despistarem a polícia, era preferível levar todos os carros para o Areal, que fica no Bombeamento;

Que continuaram a viagem e os carros acompanharam o carro de “Pirulito”;

Que o carro de “Bigode”, porém, ficou parado, não acompanhando os demais, não sabendo o depoente se ele voltou para a cidade;

Que ouviu dizer, no próprio local, depois de Delmo ter saído do carro, de que ele, já no carro de “Pirulito”, pisou o pé de “Pirulito”, com o intuito de acelerar a marcha e ir de encontro a um barranco, e que este pormenor foi contado pelo próprio “Pirulito”;

Que, em certo trecho da estrada, pararam todos os carros e resolveram levar Delmo por uma vereda e que saltaram vários choferes, tendo visto Manoel Cruz, Cesário, “Carioca” e outros que não chegou a ver, pois estava muito escuro;

Que todos caminharam pela vereda, mais ou menos uns mil metros e depois pararam;

Que Delmo ia caminhando a pé, sem camisa, ladeado por Cesário, Manoel Cruz e “Carioca” e diversas pessoas que iam acompanhando todos esses choferes;

Que Delmo não ia sendo espancado quando caminhava na vereda e que, uma vez parados, Manoel Cruz, Cesário e “Carioca”, ao mesmo tempo, pediram a Delmo para que ele confessasse o nome dos cúmplices no assassinato de José Honório;

Que, em dado momento, Manoel Cruz puxou de uma arma de fogo e disse a Delmo: “Você conta ou não conta, pois se não eu atiro!”;

Que Cesário disse a Delmo: “Como é, rapaz, você conta logo que é melhor pra ti!”;

Que então Delmo, procurando falar, citou os nomes de “Mal-de-Vida” e de Alberto;

Que então “Carioca” disse para Delmo: “Isso é mentira, você conta ou se não você vai apanhar muito!”;

Que aí o chofer Luiz, conhecido por “Mal-de-Vida”, puxou por uma faca ou punhal, não estando o depoente lembrado se era faca ou punhal;

Que nesse momento “Carioca” tomou a faca de Luiz e disse para Delmo: “Você agora vai contar de qualquer maneira!”;

Que então “Carioca” pediu a mão de Delmo e com aquela arma começou a furar os dedos de Delmo, pelas unhas, tendo furado todos os dez dedos;

Que Delmo disse: “Pelo amor de Deus, não me fure os dedos, pois vou contar a verdade!”, e ajoelhou-se;

Que nesse momento, ao se ajoelhar, Delmo dirigiu-se para Cesário e Manoel Cruz pedindo-lhes pelo amor de Deus que não deixassem fazer aquilo com ele;

Que a tudo isso o depoente assistiu ali de perto;

Que Cesário e Manoel Cruz se dirigiram a “Carioca” dizendo que ele parasse com isso, pois não era intuito matar o rapaz;

Que nessa ocasião apareceu o chofer conhecido por “Santo Pobre”, que vinha correndo pela vereda, chorando, e disse: “Seu desgraçado, você matou meu colega e por isso vai morrer”, e começou a dar bofetadas em Delmo;

Que Manoel Cruz agarrou-se a “Santo Pobre”, pedindo calma, mas que, apesar disso, “Santo Pobre” continuou a esbofetear Delmo, o qual já estava ensanguentado;

Que “Santo Pobre” foi afastado de perto de Delmo e que Delmo então pediu para que não fizessem aquilo com ele, pois ia contar a verdade para Cesário e Manoel Cruz;

Que nessa ocasião, “Santo Pobre” fez nova investida e desta vez pretendeu tomar o revólver de Manoel Cruz, mas foi agarrado por Cesário e, neste momento, o chofer Benori deu uma tapa em Delmo, derrubando-o no chão;

Que Delmo conseguiu levantar-se e, nesse momento, o chofer Jorge de Souza disse: “O negócio é não levar ele vivo, o negócio é matá-lo!”;

Que “Carioca” disse então: “O negócio é isso mesmo!”;

Que então “Carioca” disse: “Bem, agora vou dar a minha” e deu uma facada nas costas de Delmo, com a faca de “Luiz Mal-de-Vida”;

Que essa foi a primeira facada que Delmo levou;

Que então Delmo, ao receber essa primeira facada, começou a chorar e pediu ao seu Cruz que pelo amor de Deus ele não deixasse que ele, Delmo, levasse outras facadas;

Que “Carioca” dirigiu-se a todos dizendo que já tinha furado o homem e se ele fosse para a cadeia esperava que os colegas cooperassem com a manutenção de sua família;

Que, neste momento, apareceu “Santo Pobre”, que deu um pontapé no espinhaço de Delmo e este caiu no chão para não mais se levantar;

Que depois disso, o chofer Benori e mais o chofer “Cu de Vidro”, ambos com cipós, começaram a espancar Delmo;

Que então “Carioca” disse que o negócio agora era matar o homem e que, dizendo isso, “Carioca” cravou novamente a faca no ombro de Delmo, perto do pescoço;

Que essa foi a segunda facada que Delmo recebeu naquela noite;

Que então “Pirulito”, com outra faca, deu uma facada em Delmo na altura do peito, dizendo que já tinha dado a dele e perguntou quem queria dar facadas em Delmo;

Que a facada de “Pirulito” foi a terceira que Delmo recebeu;

Que nesse momento um paisano aproximou-se e disse: “Bem, eu vou dar duas facadas nele!”, e que não recorda em que região ele deu essas facadas, mas lembra-se de que foram duas facadas;

Que mais tarde, veio a saber, aqui na penitenciária, por intermédio de “Carioca”, de que esse paisano era um soldado da Aeronáutica;

Que essas duas facadas foram a quarta e a quinta que Delmo recebeu;

Que nesse momento também surgiu outro paisano, aliás, moreno, e que no local foi informado por Helvídio Alves de Oliveira, ser ele um engraxate;

Que esse engraxate veio junto com o chofer conhecido por “Puxa Faca” e que os dois perguntaram se Delmo estava vivo ou morto, responderam que Delmo estava morto;

Que o engraxate aproximou-se de Delmo e disse que ia furar o tal de Delmo nos olhos, para depois, refletindo, disse que não adiantava mais, e deu-lhe uma facada em outro local;

Que essa foi a sexta facada;

Que “Puxa Faca” também aproximou-se de Delmo, mas nesse momento o depoente retirou-se em companhia de Guilherme Monteiro e, pouco depois, ouviu dizer que “Puxa Faca” tinha dado duas facadas em Delmo e aberto o peito de Delmo;

Que essa façanha de “Puxa Faca” foi contada por ele próprio na presença de todos, no local do crime;

Que depois disso todos se retiraram e foram até a estrada onde estavam os carros e aí “Pirulito”, “Carioca”, Cruz, Cesário e vários outros, que não me lembro, combinaram ir buscar Delmo a fim de se certificarem se “Puxa Faca” tinha mesmo aberto o peito de Delmo e por isso todos voltaram ao local onde estava Delmo morto;

Que ao chegarem lá, o chofer “Pirulito” segurou as pernas de Delmo, enquanto que “Carioca”, Vicente Alencar e “Cu de Vidro” seguravam as mãos;

Que nesse momento surgiu “Santo Pobre” com um pau dizendo que ia quebrar a cabeça de Delmo, porém em vez de atingir a cabeça da vítima, acertou na munheca de “Carioca”, o qual estava ainda com a faca, não sabendo o depoente se a faca penetrou no corpo de Delmo;

Que “Carioca” disse que “Santo Pobre” tinha lhe quebrado a munheca, pelo que o depoente tirou um lenço do bolso e amarrou a munheca de “Carioca”;

Que aqui na penitenciária, “Carioca” disse ao depoente que, no momento em que ele amarrava a sua munheca com o lenço, ele estava com tanta raiva que quase furava o depoente com a faca;

Que, logo depois, “Pirulito” disse que era melhor levar Dalmo na mala do carro dele, “Pirulito”, a fim de jogá-lo na ponte que ficava ali perto, na cachoeira;

Que o objetivo era jogar Delmo na cachoeira para que a polícia não conseguisse descobrir os autores da morte do mesmo;

Que surgiu uma voz, não sabendo de quem, dizendo que era melhor deixar Delmo ali naquele local, porque tudo aquilo ia dar “galho”;

Que “Pirulito”, Benori e “Carioca” ainda disseram que se ali tivesse uma cerca de arame farpado iam pendurar Delmo, fazendo o mesmo que ele fez com José Honório;

Que nesse momento apareceu Pedrinho convidando todos para se retirarem, pois a Polícia já estava perto e por isso se dirigiram pela vereda até a estrada, onde embarcaram nos carros;

Que já na estrada, Manoel Cruz em vez de dirigir-se para o seu carro, enganou-se, caminhando a pé, pela estrada, procurando o seu carro, e já ia a uma distância de cem metros na frente, quando Silas Araújo e vários outros que não se recorda, chamaram Manoel Cruz, comunicando-lhe que seu carro estava ali perto;

Que quando Manoel Cruz tomou o carro dele, já iam na frente os carros de “Pirulito”, Pedrinho, Sebastião da Silva Pardo e de Bertino Freitas, além de outros carros que já tinham vindo na frente;

Que o depoente tomou o carro de Manoel Cruz, guiado por ele próprio, e também viajavam nele Silas Araújo, Guilherme Monteiro e um sargento do 27º BC;

Que esse sargento se encontrava na estrada onde os carros estavam parados e que quando chegaram perto da ponte, Guilherme Monteiro disse ao sargento que era melhor ele descer do carro, para ele não se implicar com a Polícia, e por isso o sargento desceu, ficando na estrada;

Que vários carros conseguiram ir na frente, ficando atrás quatro carros, sendo que o primeiro dos quatro carros era o do senhor Cruz;

Que ao chegarem nos Bilhares, o Dr. Rocha Barros mandou que parassem todos os carros, ameaçando atirar, e prendeu todos os ocupantes dos quatro carros;

Que eram para ser presos 19 carros, porém os outros 15 conseguiram escapar antes que a Polícia chegasse;

Que o Dr. Rocha Barros mandou que todos saíssem dos carros, com as mãos para o ar, e perguntou por “Pirulito” e “Tambaqui”, e responderam que “Pirulito” já tinha ido embora;

Que o depoente não viu “Tambaqui” no local do crime;

Que o Dr. Rocha Barros mandou revistar todos os choferes, em fila de três, e perguntou a Cruz onde estava Delmo e como esse respondesse que não sabia, apareceu o investigador Bastos que bateu no braço de Cruz com um fuzil dizendo: “Você sabe, seu galego!”;

Que então Manoel Cruz disse que Delmo estava na estrada;

Que o doutor chefe de Polícia não encontrou nenhuma arma em poder dos choferes;

Que o soldado da Aeronáutica, depois que furou Delmo, jogou a sua faca no mato;

Que Manoel Cruz foi o chofer que indicou onde estava Delmo e por isso foi levado num Jeep até o local do crime;

Que em dado momento apareceu o ônibus Dom Bosco e o doutor chefe de Polícia disse que esse ônibus ia conduzir todo o pessoal para o Quartel da Polícia Militar;

Que foram 16 choferes conduzidos para a Polícia Militar, naquele ônibus, pois Manoel Cruz ficou para orientar as autoridades a fim de encontrarem o corpo de Delmo;

Que na Polícia Civil foi coagido por Bastos e os agentes Rosas e Lira, os quais pediram ao depoente que contasse a verdade;

Que confirma o seu depoimento prestado na polícia, pois contou a verdade, como está contando agora, neste momento;

Que foi recolhido a esta penitenciária dias depois, isto é, quinta-feira, dia 7 de fevereiro;

Que no dia 8, o Dr. Raimundo Nonato de Castro esteve aqui e dirigiu-se a todos os choferes dizendo-lhes que negassem o depoimento da polícia quando fossem chamados para depor no Tribunal;

Que aqui, na penitenciária, os choferes “Pirulito”, “Puxa Faca” e “Carioca” disseram a todos que havia necessidade de se negar a verdade dos depoimentos feitos na polícia, pois não adiantava acusar nem um nem outro;

Que ontem à tarde, o Dr. Raimundo Nonato de Castro esteve aqui na Penitenciária do Estado e mandou chamar “Pirulito”, “Puxa Faca”, “Carioca”, Benori e o depoente e que esse advogado conversou separadamente com cada um, sendo que o depoente foi chamado por último;

Que então o Dr. Raimundo Nonato de Castro disse ao depoente de que já tinha combinado com os outros quatro para que o depoente aparecesse como o autor da pancada com um pau na munheca de “Carioca”;

Que depois disso mandou o depoente embora e, quando retirou-se, viu o Dr. Nonato conversando com aqueles choferes referidos;

Que de noite o depoente ficou pensativo e quase não dormiu, pois não queria ser acusado de uma coisa que não fez;

Que no dia seguinte o depoente dirigiu-se a todos os choferes, isto é, hoje, dia 29, pela manhã, e disse a todos que desejava contar a verdade;

Que “Carioca”, “Pirulito” e “Puxa Faca” pediram ao depoente para que não contasse nada da verdade;

Que “Pirulito”, na presença de “Carioca”, disse ao depoente: “Rapaz, tira a minha facada e acusa Carioca de ter dado três facadas!”;

Que “Carioca” ficou calado e “Pirulito” ainda disse que ao sair daqui tiraria “Carioca” em dez dias da penitenciária, à custa de uma tuberculose;

Que “Carioca” e “Pirulito” ofereceram dinheiro ao depoente para que não acusasse eles como autores das facadas em Delmo, tendo o depoente recusado;

Que “Carioca” pediu ao depoente para que dissesse que ele, “Carioca”, tinha dado uma facada em Delmo, e Manoel Cruz e Cesário uma facada cada um;

Que o depoente respondeu que diria toda a verdade perante o juiz;

Que “Carioca” então disse ao depoente que se ele dissesse a verdade iria pedir ao juiz para que ele, “Carioca”, prestasse novas declarações e nestas acusaria o depoente como autor de uma facada;

Que aqui na penitenciária, o chofer “Toba de Vaca” disse para todos que foi ele quem ensinou o caminho da vereda para o “Puxa Faca” e que também foi ele que tinha dado umas navalhadas em Delmo;

Que “Mário Trezentos” e o chofer Bulhões declararam, aqui na penitenciária, que também se encontravam no local do crime naquela noite;

Que o depoente está contando toda a verdade, porém pode afirmar que não tocou em Delmo, nem para esbofeteá-lo, apenas apreciou todos os acontecimentos daquela noite, conforme já narrou acima.

Nada mais disse e nem lhe foi perguntado, pelo que lavrei este termo que lido e achado conforme vai devidamente assinado e rubricado por mim, escrivão, e assinado pelo Meritíssimo Juiz e pelo acusado.

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