Luiz Antônio Solda vê a telinha

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Por Newton Almeida

O humor crítico do cartunista Luiz Antônio Solda marca a abertura da temporada de exposições do Café Parangolé, em Curitiba. A mostra, um “reprise” selecionado de sua legendária coleção Solda vê TV, traz uma série de trabalhos do cartunista realizados a partir de 1980.

Para a ocasião, foram selecionados 186 desenhos, em folha A3, dos quais dez estão à mostra. Os demais trabalhos, que estão em um portfólio especial, podem ser manuseados e até adquiridos pelo público.

A mostra reúne trabalhos publicados na imprensa entre os anos de 1980 e 1990, onde o artista reproduz aparelhos de tevê antigos, cheios de botões e antenas, exagerando na representação gráfica. Nos trabalhos, Solda vê os aparelhos de televisão como “monstros”, usando metáforas para expor a patologia da televisão como forma de entretenimento.

“Atualmente, numa família de cinco pessoas todos tem uma TV no quarto. Antes as pessoas se reuniam na sala para assistir a programação e interagiam entre si. Hoje existe uma individualização e uma dispersão da família”, afirma Solda.

O cartunista diz, no entanto, que os efeitos da televisão vêm diminuindo com a popularização da internet, já que, no primeiro caso, não é possível interagir. “Quando comecei a fazer esses trabalhos, a TV era uma coisa muito mais monstruosa. Era quase que a única forma de entretenimento de muitas famílias”, diz.

A ideia surgiu em meados da década de 1980, na redação do Jornal do Estado, quando o mestre das artes gráficas Reynaldo Jardim observou esta curiosa série de desenhos que o cartunista preparava, dando-lhe o nome de Solda vê TV.

“Nessa época eu trabalhava com publicidade. Quando não havia o que fazer, eu aproveitava o tempo ocioso para desenhar e foi do Reynaldo a idéia de arquivar os trabalhos”, conta.

Solda é considerado um dos maiores cartunistas do País, reverenciado por nomes que vão do mineiro Ziraldo ao argentino Christ. Transita pelas áreas do jornalismo, da crônica e da literatura com a mesma desenvoltura com que inventa em seu traço inconfundível, e na mesma medida em que ouve e aprecia boa música, especialmente o ska, o reggae e seus afins. Mantém ainda um site muito frequentado na internet: cartunistasolda.com.br.

O artista conta que não há segredo para o sucesso em se fazer humor pela charge. Segundo ele, ironicamente, boa parte dos humoristas, principalmente os chargistas, geralmente não são pessoas bem humoradas.

“O que faz o trabalho com eficiência é a circunstância. Isso depende muito da realidade atual, que quando mais desastrosa, melhor fica para fazer humor, o que constitui um paradoxo infernal”, diz. Solda revela que é preciso usar o factual para se fazer humor, como é o caso da política – sempre um “pano para a manga”.

Nascido em 1952, em Itararé, São Paulo, Luiz Antônio Solda mora em Curitiba desde 1965. Trabalhou em publicidade para algumas das maiores agências do Paraná, além de cartunista, ilustrador e diretor de arte para os mais diversos gêneros de publicação.

Jornais como O Estado do Paraná, Diário do Paraná, Voz do Paraná, Tribuna do Paraná, Isso, Jornal do Estado, Correio de Notícias, Scaps, Anexo, Raposa, Ovelha Negra, revistas Quem, Atenção, Los 3 Inimigos e também o lendário e famigerado Pasquim.

Solda faz parte da Antologia Brasileira de Humor (L&PM Editores, Porto Alegre). Como cartunista ganhou três vezes o Salão Internacional de Humor de Piracicaba (1974, 1976 e 1977). Atualmente é chargista do jornal O Estado do Paraná.

Serviço

Exposição Solda vê TV, de Luiz Antônio Solda. Aberta no Café Parangolé (Rua Benjamin Constant, 400).

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