Indiscrição no Sujinho (2)

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Por Marcos de Vasconcellos

O tio do ator-diretor-teatrólogo Antônio Pedro era do tipo sanguíneo, daqueles que coram a qualquer emoção, por menor que seja.

Certo dia, logo que terminou o almoço num restaurante da cidade, onde era completamente desconhecido, pediu a nota e verificou que tinha esquecido a carteira de dinheiro. Para qualquer pessoa a situação é, no mínimo, desconfortável, para ele era o desastre.

Remexendo as profundezas das algibeiras da roupa conseguiu amealhar algumas notas encarquilhadas e alguns níqueis que, somados ficavam muito aquém do devido.

Com o rosto em brasa, chamou o garçom e explicou-lhe a situação constrangedora. O português gritou para o caixa, indiferente à sala lotada;

– Ó caixa! A nota reza cinco e dois e o freguês só tem três e oito!

O caixa fez um gesto entre o desdenhoso e o enojado, como quem diz “ora, deixa esta merda pra lá!”

Vermelho como um pimentão, o tio de Antônio Pedro só faltou se esconder debaixo da mesa.

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