Homem de predinho antigo

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Por Xico Sá

Existem várias formas de saber se o cabra não tá nem aí pra hora do Brasil e pro casamento. Mas a mais infalível, donzelas e afilhadas do velho Honoré, ainda é observar a sua toca, seu mocó. Pela casa de um homem solteiro sabe-se lá das suas intenções.

Um tipo, em especial, chama a atenção: aquele mancebo que habita os famosos predinhos velhos e charmosos. Ih, esse ou é veado, como muitos queridos amigos meus – uma parede de cada cor – ou não casam nem à força. Nem amarrado, como antigamente, com o bacamarte do futuro sogro no gogó.

Homem com casinha arrumada, badulaques, quadro de arte na parede (por mais que sejam grafismos pop), cozinha equipada com trituradores de última geração, quer apenas impressionar as suas presas – quando não é veado, repita comigo!

Quando um cabra arruma a casa, tapetinho, abajur no lugar, cortiça com recortes, boas cobertas… Sei não… Optou pela solteirice absoluta, caçador da pior qualidade. Cafa no último. Quando a nega pisa no capacho, luzes se acendem automaticamente, numa lógica de iluminação publicitária. Lá está o quadro da moda, até o cinzeiro é arte, Tunga, o caralho a quatro. O som, basta você pisar no mesmo capacho, já dispara com essa coisa de eletrônico com bossa-nova.

Senhoritas, nunca confiem em um homem com casa arrumadinha.  Aquele que se gaba de morar num predinho antigo, charmoso… Se abrir um vinho e começar a falar como um entendido em vinho… Vixe! Corra, Lola, corra. Trata-se de um picareta de fato.

Os melhores de espécie ainda moram com as mães ou têm muquifos de macho. Nunca conseguiram sequer desencaixotar os livros da última mudança, embora deixem O Apanhador no Campo de Centeio largado ali num canto, para impressionar as visitas – que são raríssimas, pois não costumam levar qualquer um(a) no mocó.

Homem-predinho-antigo é um desastre. Assim como o homem ervas finas, com aqueles frasquinhos a enfeitar a cozinha. E como mulher cai nessa história de ervas finas! Um macarrãozinho com molho veadinho… pumba!, lá se estende a danada no sofá do vagabundo.

Mal sabem elas que homem que é homem – falo dos solteiros – faz de qualquer teto (seja um viaduto, um Joana Bezerra, uma baixada do Glicério, um Minhocão qualquer) um bulever, um respeitável repouso de guerreiro.

 

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