Frases venenosas de Agripino Grieco

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“Agripino Grieco foi o mais ferino crítico literário que existiu no Brasil. Seus ditos de espírito são tão numerosos e tão saborosos que constituem, sem dúvida alguma, uma parte considerável de sua própria obra literária. E talvez mesmo a mais original, já que em toda a nossa história literária não se poderá, creio eu, apontar quem tenha, em seu ativo, tal monta de frases espirituosas e de imagens que fixam, num epigrama, uma figura ou uma obra inteira, como Agripino.” (Tristão de Athayde in Meio Século de Presença Literária: “O Mel do Méier”)

ACORDO – “Esse político queria estabelecer o acordo entre os brasileiros, quando não era capaz de estabelecer o acordo do sujeito com o predicado, numa oração.”

BRASIL – “Glória no Brasil é ainda a melhor maneira de ser ignorado pelo resto do mundo.”

CARNAVAL – “O nosso Carnaval: as Panateneias da imbecilidade.”

COMPARAÇÕES – “Inútil como um tenor resfriado.” “Mais mentiroso que epitáfio de cemitério.” “Era um camelo no Saara das ideias.”

CONSERVADOR – “Era um deputado conservador. Seu único programa político era conservar sua cadeira na Câmara.”

DINHEIRO – “Cobriram-no de adjetivos poéticos, mas ele queria apenas um substantivo prosaico: dinheiro.”

DIREITA – “Direita e esquerda são complementares e permanentes. Vitória integral da Direita traz congelamento e a esclerose. Êxito completo da Esquerda traria a anarquia e o caos.”

ESPÍRITO – “Estava presente em espírito. Ou seja, ausência total.”

ESTILO – “Tinha um estilo mais engomado que irmã de caridade.”

HOMOSSEXUAIS – “Efebos que andam à procura de um Sócrates.” “Houve o bom e o mau ladrão. Wilde foi o bom sodomita. Gide, o mau.” “Cidadãos poupados ao fogo celeste.”

IDEIA – “No dia em que tiver uma ideia, morrerá de apoplexia fulminante.”

IGNORÂNCIA – “Era um pêndulo, oscilando entre a ignorância e a má fé.”

INSULTO – “Insultavam-se mutuamente, e ambos tinham razão.”

ITALIANOS – “Italianos e filhos de italianos: personalistas, ciumentos, rancorosos – e a coisa vem da Península, todos eles fechados no seu dialeto, contra os vizinhos, e recorrendo até a estrangeiros para derrotá-los.”

JUSTIÇA – “Trata-se de um Clóvis Bevilácqua de emergência.”

LIVRO – “Era livro raro. Mais raro, entretanto, era quem o procurasse.” “A obra é ilustrada. O autor, não.” “O seu livro deveria ser encadernado em pele de jumento, por coerência quanto ao conteúdo.”

MEDICINA – “Aquele médico, deixando de clinicar, passou a escrever. Lucraram os doentes, perdeu a literatura.” “Sua medicina deveria ser incluída entre as ciências ocultas.”

POLÍTICOS – “Apesar de homem culto, ninguém como ele botou mais solecismos no papel. Era taquígrafo da Câmara dos Deputados.”

RECITAR – “Horrível um sujeito encostado ao piano a recitar. Há aí um caso de efeminação que mereceria o exame de Kraft-Ebing.”

SARNA – “Uma das poucas  distrações que restam aos pobres.”

TRADUÇÃO – “Começou a aprender italiano depois de ter traduzido Dante.”

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