Enoli Lara, a deusa do sexo

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Logo que chegamos na toca da mulher-fêmea, Enoli Lara, fomos recebidos alegremente por seus dois espermatozoides de estimação abanando a cauda e latindo. A tarde caía no Rio de Janeiro, fazia um calor dos diabos e a atmosfera era de puro sexo naquele aconchegante apartamento chateau. No interior do cafofo, um olor sensual, inebriante e sugestivo mistura as essências de suco de maracujá, água sanitária e peixaria mal-lavada. Aquela sala, qual um Maracanã vazio, era testemunha silenciosa do que outrora foi a arena de bacanais homéricas, onde pirocas extenuadas caíam por terra derrotadas, frente ao furor uterino daquela fêmea insaciável, sedenta de sexo.

A título de decoração, figura a parte totêmica e emblemática da anatomia calipígia de Enoli (que não somente serve de ganha-pau, mas também de ganha-pão), espalhada em quadros, fotos e esculturas. Bundas e cus em profusão inspiram o clima erótico envolvente da entrevista sensual. Então, eis que de repente, num átimo, nua, com o sexo em brasa, surge ela, Enoli, a mulher, a fêmea, o mito, a buceta-esfinge devoradora de homens.

Obs.: Durante toda a entrevista, não houve penetração. (C&P, fevereiro de 1992)

Quer dizer que você é carioca?

Carioca… Tudo foi no Rio. Inclusive os orgasmos mais gostosos foram aqui, minhas taras, tudo aqui. Então eu gosto daqui. Em Curitiba, foi a repressão.

Você é curitibana?

Eu sou. O meu tio foi vice-prefeito do Jaime Lerner. Inclusive saiu uma reportagem minha na Veja de lá: “A Cicciolina Tropical.” Eu odeio, né? Essas comparações assim, quer dizer, eu não me importo, mas desse que preserve a diferença, porque…

Você faria filme pornô?

Eu tenho dois roteiros. Do jeito que eu quero fazer ia ser bom pra mim. Eu estou indo pra São Paulo semana que vem, porque tenho um amigo que tem um material…  É… Um equipamento de uma polegada, e aí…

Uma polegada não é pouco, Enoli? Mas o filme é pornô mesmo? Pornô explícito?

Não, não. Eu queria que fosse uma coisa… Exótica. Elucidativa. Seria uma coisa assim… é… bem engraçada até. Um casal transando, eu toda vestida de tailleur, mas supersexy, do lado. Eu sempre a cúmplice, eu sempre o ghost do sexo, a fantasma. E aí, eu dizendo: “Não, não, não. Peraí, para tudo, você está pesando a barriguinha nela. Olha, a perninha dela tem que ficar mais abertinha…

A Escolinha da Professora Enoli.

É, seria uma coisa assim, sabe? Uma coisa engraçada, quer dizer, com humor… Picardia, muita picardia.

Muita pica. E ardia?

Eu acho que daria certo, uma coisa assim que não existe.

Enoli, fala pra gente: qual é a diferença entre pornografia e sacanagem?

Bom, na pornografia a mulher nunca goza. Eu quero fazer um filme assim, a xoxotinha gozando, a xoxotinha tremendo. Sabe aquela coisa gostosa? Os espasmos? Ela sugando. Nunca se vê isso. Nem a própria Cicciolina. A Cicciolina faz caras e bocas e no fundo você tá vendo que ela não está gozando. Então filme pornô é uma puta de uma sacanagem que só o homem goza. E ainda tira pra mostrar que ele gozou, como é gostoso, como ele goza dentro. Quer dizer, agora tá complicado isso, com esse negócio da camisinha. Mas o lance é esse, é que no pornô a mulher é mero objeto de prazer e é praticamente usada o tempo todo, e eu não acho legal.

E na sacanagem?

Bom, pelo menos como eu vejo a sacanagem é os dois, né? Hoje eu falei sobre tapas e beijos num programa de rádio, eu disse: “O ideal é o prazer a dois.” Quer dizer, se é um sádico, tem que ser a coisa sadomasoquista. Quer dizer, o homem gosta de bater, mas a mulher gosta de apanhar. Não pode ser o prazer dele só. Então, eu acho que pra mim sacanagem é isso. É um único homem, uma única mulher chegarem ao máximo de prazer. É fazer com que essas pessoas tenham o acesso ao prazer da maneira mais liberada. Porque o sexo está morto, o sexo está falido. A gente sabe que está.

O sexo está falido?

Tanto entre os caretas como entre os orgiásticos. Porque eu não estou trepando. Como eu gostaria, não. Tem seis anos que eu estou separada, mas assim, separada de maridão. Mas eu tive casos fixos, de homens doentios, mórbidos, com tentativa de assassinato, carro em cima, assim. Então, pela primeira vez tem um homem que eu vejo uma vez por mês, eu transo uma por mês.

Mas isso é casamento!

Mas o nosso encontro é pura trepada.

Mas, vem cá, quer dizer que até o sexo está em crise? Além do salário e tudo, o sexo está em crise?

Porque a AIDS cortou o tesão de todo mundo. Eu acho que a AIDS cortou muito mais do que o problema financeiro. O problema financeiro abate, mas você sabe como é que é o sexo, você adormece, mexeu, não tem como, é um instinto, né? Você não pode dominar de todo.

E como se resolve a crise sexual?

Em crise sexual o cara quer uma coisa diferente. Os homens da minha geração, por exemplo, o cara de trinta e cinco em diante, de quarenta anos, se for pra fazer extravagância, quer uma coisa diferente, né? “Se eu for transar com uma mulher diferente, que não seja minha, eu quero duas… Uma só não é vantagem.” Então as pessoas estão apelando pro exotismo sexual.

Como é que você ficou famosa?

Pois é, Tem uma coisa que eu nunca disse em entrevista nenhuma, pra vocês eu vou dizer. Eu fui uma mulher de sociedade. Eu era a madame que virou a puta. Quer dizer, na linguagem deles, que virou puta. Agora, a maioria das minhas amigas, que estão famosas aí, a maioria começou posando nua, que eu não acho problema nenhum. Só não posei nua porque tive outra escola. Posei nua assim aos trinta e sete anos porque entrou muito dinheiro. Mas posava nua pra escultura de graça, para o meu marido.

Com que idade você passou nua?

Aos trinta e sete anos eu posei nua. Elas vendendo o próprio corpo, usando… eu digo assim, nunca precisei usar isso. Quer dizer, e eu que sou a puta, né? O passado das outras é que condena, mas eu é que sou a puta. Eu nunca falei isso mas tem momentos em que você realmente tem que se defender, porque as pessoas me rotulam, né? Eu sei que tem certos canais de televisão, certas revistas femininas que me discriminam.

Você nunca seria capa da Elle ou da Marie Claire?

Eu tenho tudo pra ser da Marie Claire, eu tenho tudo pra ser. Mas a Nova, por exemplo, nunca me chamou, me discrimina.

As feministas te discriminam?

Me discriminam. É impressionante. Tem mulheres aí que me discriminam legal, e são também mulheres esclarecidas, eu acho estranho isso. Mas aí eu estou achando que isso é a história do meu passado, elas não sabem. De onde veio Enoli Lara, Apareceu de repente com uma bunda, é… que processa e…

Uma bunda que veio do céu.

… e a genitália desnuda. Ah! É puta. Entende? Elas não sabem que fui casada com um dos homens que era uma das inteligências neste país. Ainda é. Um escultor famoso, Edgar Duvivier. Família tradicional do Rio de Janeiro, nome de rua, o pai dele foi deputado federal. E eu recebia em minha casa, assim como eu estou recebendo vocês, todos os sábados, o embaixador Vasco Leitão da Cunha, recebia na fazenda o Olavo Setúbal, o Abreu Sodré, Dom João de Orleans e Bragança. Eu recebia essa cúpula…

Mas sem calcinha por baixo, não?

Às vezes sim, porque o meu marido ficava excitado. Eu ficava no jantar, às vezes só de tailleur, sem calcinha. Nós fazíamos esse jogo amoroso. Ele deixava que eu provocasse todos os homens, mas afinal quem ia dormir comigo era ele. Ele era um homem quarenta anos mais velho que eu, e muito sacana. Só que ele não me ensinou muita sacanagem porque eu, com vinte, tinha a mesma cabeça que tenho agora. Então, eu tinha um outro tipo de vida, só que não me tolhia sexualmente. Porque eu convivi com um homem que tinha uma cabeça enlouquecida.

Você passou quanto tempo casada?

Nem um ano com esse. Aí eu vim pro Rio, porque eu tinha um amigo pintor, e eu adorava escultura. Eu estudei no Sul e fiz Belas-Artes e teatro com o grupo Guaíra, né? Eu tinha me separado do meu marido. Aí eu disse: bom, vou começar a ir à praia. Porque eu morava no Rio de Janeiro e não ia à praia. Eu ficava entre a fazenda e o Rio de Janeiro. Eu sou bem bicho do mato, eu sou selvagem, não sou urbana, né? Talvez por isso eu tinha essa coisa de bicho mesmo, né? Tesão vendo o cavalo transar aos sete anos já, o padre… Tem a história do padre, depois eu vou contar.

Aos sete anos você sentiu tesão vendo o cavalo transar?

Essa foi a minha primeira imagem de prazer, por isso eu sou chegada… ao que excede, né? É… E depois teve o padre, que depois eu vou contar. Mas deixa eu contar do Banerj.

O padre e o cavalo aos sete anos?

O padre e o cavalo aos sete anos.

O padre, o cavalo e o Banerj? Ela viu um cavalo comendo um padre no Banerj?

Olha, aí eu estava na praia fotografando para a revista Manchete, verão de 82, com Gervásio Batista, fotógrafo da Presidência. Eu posava com um biquíni de couro da Yes Brasil. E esse menino, Airton Camargo, pegou o mesmo momento, né? Do clique do Gervásio. Quer diz, pegou a mesma postura minha entrando na água de biquíni de costas. Tudo bem. Então, isso foi em 82, foi publicado. E de repente, em 85, começou a veicular na abertura do RJ TV, na TV Globo, é… Poupança Banerj. Entravam várias imagens fazendo um mapinha do Rio de Janeiro e na hora em que falava a palavra poupança entreva a dita cuja. Então, eles usaram à vontade durante três anos, horário nobre, três vezes ao dia. E isso na justiça é considerado lucro cessante. O Jô Soares me perguntou: “E se fosse TV Educativo?” Eu digo: “Jô, se fosse, digamos, para um fim filantrópico, para um Unicef da vida, sei lá…”

Que campanha é essa do Unicef? Mas você processou e ganhou?

Eu processei. O Banejr tinha uma documentação que o isentava do uso de pessoas. Eles tomaram esse cuidado. A lei de uso indevido de imagem configura uso de imagem desde que você use fisionomia. Então eu estava fodida, não tinha como… A Globo disse: “Prove que é você.” Eles estavam seguros, tranquilos. E a lei dizia que era fisionomia. Então, um amigo meu, cirurgião plástico perito, usou uma tese de anatomia fotográfica. Descrevendo o meu tipo de corpo, de bumbum, era a Vênus Calipígia, né? Era aquele porte…

Ah! Quer dizer que ele teve que fazer uma perícia em tudo isso…

Não, ele teve que fotografar. É… foto médica. Essas fotos eu tinha, as do processo sumiram nos autos. Tinha que ser séria, foto jurídica, não é? Aí ele fez, e eu fiz até no mesmo lugar… Como eu estava com o mesmo corpo… Mesmo que eu estivesse com cem quilos, esse perito disse que não tinha problema porque, anatomicamente, tem como comprovar, ossatura e tudo…

Quer dizer que é que nem impressão digital: você pode descobrir uma pessoa pela bunda?                                                                                        

É, não é propriamente a bunda, mas sim as proporções do seu corpo. Por exemplo, o braço, o ombro, a largura dos quadris, né? Ele então entrou com essa tese de que cada parte de um todo tem uma fisionomia. Quer dizer, essa bunda tem uma cara.

Se tiver cara de bunda… não confundiriam com o Paulo Henrique Amorim?… Quando não dá pra pegar a dentadura do cara, é pela bunda que o cara reconhece? Exame de pregas?

Eu já soube que tem preguinhas, né? É, trinta e sete preguinhas. Ou são vinte e sete? Essas dez eu não estou sabendo, vou confirmar. Mas, se não usou ainda tem as preguinhas. Dá pra ver com lente de aumento e tudo.

Quer dizer ficou provado então que a bunda era sua, e você ganhou uma grana?

E aí eu fiz um acordo, lógico, e ganhei.

E o padre? E o padre? Conta a do padre!

Mas o padre era totêmico, gente. O padre é que tem uma importância em todas essas minhas esculturas fálicas mais robustas, ele tem…

Vem cá, isso não era visão de criança não? Criança vê tudo muito grande…

Não. Não é não, as minhas mãos são grandes, naquela época não eram tanto, mas mesmo assim eu guardei a sensação de que não conseguia pegar. O padre era assim, era totêmico. Minha família é super-religiosa, fechadíssima, do Sul, descendentes de italianos, de espanhóis. Mas eu já tinha acesso aos tios, à bolinação, a quatro irmãos. Eu brincava assim: quarto escuro, eu botava os quatro irmãos e dois primos, quer dizer, era eu sozinha de mulher. Aí eu tirava o calçãozinho deles e começava a felação. Né? E era brincadeira bicho-papão. Eu era o bicho-papão.

Quatro anos?

Não, quatro anos não, sete. Aí eles enjoavam da brincadeira. Aí eu: “Ah! Tá legal. Vou inventar outra brincadeira. Vocês me esperam aqui?” Saía, trancava a porta: “Mãe , tá todo mundo pelado fazendo sacanagem lá dentro.” Aí minha mãe vinha e batia neles, e eu sentia um certo prazer mórbido em ver alguém apanhar. Mas a minha família era muito religiosa. Reza todo dia, né? Aquela coisa de ir à missa todo dia, via o padre, via as freiras, aquela coisa toda. Gente, mulher pra mim sempre foi castração, tanto que eu não consigo. Tive quatro amigas famosas que me cantaram, quatro mulheres maravilhosas, mas eu não consigo. Não tentei, mas não está em mim.

Velcro com velcro não dá?

Num dá, né? Esquisito. Arranca tudo, não combina. Combina é reentrância e saliência. Isto é que tem que ser. O padre, aí, bom, comecei a fazer essas sacanagens que eu fiz com meus irmãos e à noite eu achava que estava errada, né? Aquele meio complexo de culpa… Outra coisa, era o nenenzinho que eu fazia… Eu tinha um priminho que tinha fazer dormir, aí, é lógico, eu chupava o pauzinho dele, ele adorava.

É lógico. Supercomum…

Então ele não ficava com mais ninguém da família…

É lógico, todo mundo muito conservador!

Aí eu chegava à noite pra dormir, o Cristo lá, o crucifixo em cima da cama. Eu olhava o Cristo, com as pernas assim meio cruzadas, aquela cabeça caída, e dizia: Mas é um tesão! E passava a língua no Cristo. E dizia: Pô, mas eu sinto tesão. Deus me fez, se está errado tira de mim. Não encontrava resposta. E a libido e o sexo cada vez mais fortes. Aí eu cheguei pro padre. O padre é o emissário, então vamos ver. Aí eu cheguei pro padre, fui pro confessionário e comecei a contar. As duas primeiras vezes era ato de contrição, uma dúzia de ave-marias, não sei quantos pais-nossos e tudo mais, ele começou a ficar excitado, evidente. Aí já era num quartinho dele que eu ia confessar. Aí ele disse: “Minha filha, o que você fez é muito perigoso. Não é bom você fazer, não é assim que pode fazer.” E me meteu um certo medo, mas um medo que tinha uma grande escapada, né? Uma maneira de curar. Aí o padre disse: “Você não quer rezar? Não  gosta?” Eu falei: “Ah! Não gosto não. Eu acho um saco. Gosto de falar com Deus do meu jeito.” Ele falou: “Então continua assim. Só que filha, você vai ter que beber água benta.” Eu digo: “Eu já faço, padre, eu faço lá.”

Água benta?

Não é? Água benta. Ele disse: “Não, você vai beber água benta purificada, do corpo e…” Não me lembro agora o que ele teria falado também que marcasse muito. Eu já gostava da fruta, mas tinha só visto em tamanho reduzido, amostra grátis. Aí…

Aí ele botou pra fora.

Aí eu tive acesso. Ele sentava naquelas cadeiras clericais, e eu tenho tesão. O padre levantava a batina. Aliás, eu fiz o meu marido usar batina durante um tempo também.

É tudo muito comum.

É, isso… Tudo muito comum, eu tenho que arranjar alguma coisa que fuja. Por isso que eu disse, eu considero o pau um totem. Quando eu pego o pau de um homem é um totem pra mim, é realmente uma relíquia, não é uma coisa normal, não é um pedaço de carne.

O padre ia até o final da parada? Gozava legal?

Gozava legal! Ora! Eu estava habituada à chupeta, gente. Eu deixei a chupeta com cinco anos.

Você ficou pouco tempo sem chupeta, né?

Pouco tempo.

E a história do cavalo?

É, o cavalo é assim, eu fui criada no campo, então eu via transa de tudo, né? Do touro eu acho terrível, ele chega, não faz carinho, entra com uma vara grossa e comprida que é super desagradável. O  que é bom do touro é a língua. A língua é bem… é lixenta, é gostosa. Cachorrinha também é bom, né? O cachorro sempre é interessante. Mas pequeno, grande já é perigoso por que…

Tartaruga?

Ah! Tartaruga fica difícil, eu nunca vi.

Você via muito cavalo ou você chegou a ter algum namorando cavalo?

Não, eu tenho dois contos eróticos com cavalos contando o que eu fiz. É lógico que o cavalo não transa com a mulher, não transa assim, ele não fica excitado com o cheiro. Ele normalmente é um animal erótico. Se você excitável ao toque de pele, no pêlo. Mas eu fiz isso, peguei na xoxota de égua, peguei o líquido e passei. Aí ele vem com as narinas e se excita. Ele fica enlouquecido, o cavalo enlouquece. Porque o referencial dele é o cheiro. Isso acontece, não tem erro.

Ele espera a mulher pra gozar?

O cavalo… bom… ele já fica gotejando… é por isso que eu digo, eu adoro, eu adoro macho que entra assim, que entra e sai gotejando, duro ainda. Porque o cavalo não tem ereção total assim tão rápido, ele pode cobrir mais fêmeas. Então é uma coisa que ficou na minha mente, né?

Você já teve contato assim direto com cavalo?

Já tive.

Assim de pegar…

Não, nesse meu conto eu faço isso, ele está na cocheira…

O conto é uma descrição da realidade?

É a descrição da tentativa que eu fiz. Eu tive a primeira aos treze, a segunda monta aos quinze. Fui pega em flagrante por um tio. Eu dormia na cocheira, tinha esse contato visceral com o cavalo, e eu amarrei a rede, então fiquei com a xoxotinha em direção à cabeça e… quer dizer, é um pouco difícil você fazer qualquer acoplagem porque não dá, mas é possível o pau roçar e tudo. Pra mim aconteceu… deu pra gozar. Ele ficou simplesmente com o pau ereto, mas não houve penetração.

Não houve penetração?

Não houve penetração, mas não que eu não quisesse. A rede balançava.

Tipo assim: como é que se trepa com um cavalo? De pé, na rede, como todo mundo! O que você ainda não fez em termos de sexo?

Eu não fiz, eu não trepei, eu não tive a penetração do cavalo. Mas tive um parceiro sexual que era o próprio. Era roxo, cheio de veias, chegava a ser feio, mas pra mim não, é lindo! Era roxo mesmo, era uma coisa, era um cavalo.

Já trepou com cachorro?

Não, não, é muito pequeno.

Com um peixinho dourado?

Não , o peixinho escorrega toda hora, não dá.

Qual a sua fantasia? Sexo grupal? Com mulheres?

Com homens. Eu queria assim ter uma fila. Aliás, eu vislumbrei isso quando fui ao trigésimo nono batalhão de Osasco. Eu fotografei com cem homens de pau duro… Só que eles não encostavam em mim, eu vestida e eles também. Mas eu tinha a plena sensação de ter sido comida.

Quer dizer que comer cem é o seu sonho de consumo?

É o meu sonho de consumo. Uma fila.

Você falou uma vez no Pasquim que gostava de dois homens.

Eu já transei. Ah! Já. Fiz dupla penetração também com esses dois. Com esses dois de fé eu já aprontei um monte de coisas. São dois irmãos. Mas é difícil. É difícil porque o homem não gosta, um pau roça no outro e eles não gostam muito, e dá um probleminha.

Mas, vem cá, o pau encontra lá dentro?

Lógico. Eles roçam, aí eles reclamam.

Não, mas também tem dupla penetração no mesmo órgão?

Mas então, é isso, é na mesma xoxotinha os dois paus penetrando.

Isso não é xoxotinha. Isso é xoxotão!

Daí a gente escolhe, não é? Meu amor, não pode ser tamanho família, né? Não pode ser uma coca litro, né Lógico. Tem que ser um outro tamanho. Porque eu digo: muito bem, eu sou profunda, gente, mas sou estreitinha, por isso que eu adoro aqueles que são rombudos, porque dá uma sensação…

Agora você vai dar a classificação. Tem rombudo, tem mais o quê?

Bom, eu gosto daquele tipo sorvete. Eu tive um modelo até famoso… é sorvete.

Tipo Chicabon?

É tem as duas bolas e depois ele afina, né?

Mas, Enoli, um pau com duas cabeças?

Não é com duas cabeças, meu amor. Era uma excrescência, uma intumescência. Então, é…

Mas, vem cá, tamanho é documento?

Eu te disse, pra mim é, porque sou profunda. Eu gosto que bata lá. Eu gosto que me divida em duas. Por exemplo, eu transava muito na escada do meu prédio, e tinha a porta do elevador, aquela porta de ferro. Então, um desses meus namorados, me suspendia e me cravava na parede. Eu adoro isso. Então, se não for de bom tamanho já não dá pra fazer.

Fora o tipo sorvete, quais são os outros paus?

O totêmico, né? Que é todo imenso. Tem o curvo, o curvo que é um arraso. O curvo é fantástico!

Como é? Entra de trivela?

É aquele que bate no umbigo, aquele… o homem dá uma trava de pau na mulher, chocante. Ele roda em cima, fica em cima da mulher e roda com o pau e com o corpo.

Quando você vê um pau pequeno você vaia?

Sabe o que eu faço? Eu nunca deixo isso acontecer. Se eu estou conversando… eu vou… meu querido, aquelas coisas, aí ele vai ficando excitado, eu vou e deixo a mão. “Opa! Há, há, há. Caiu por acaso.”

Enoli, vem cá, você tem um filho, não tem?

Tenho, de vinte anos.

E os amigos dele? Tem muito trabalho de grupo aqui?

Todos os amigos dele, todos eles iam na minha casa e diziam: “Porra, mas a senhora é muito gostosa.” Mas também não dizem pro meu filho pra ele não dar porrada. Porque os amigos iam lá, queriam ver a mãe dele. Ele dizia: “Ah! Vai ver na Playboy, meu filho.” Quando ele chegava e eu estava deitado assim no sofá da sala escrevendo de shortinho, ele dizia: ‘Mãe, vai chegar a galera”, aí eu me cobria.

Mas amigos dele já deram em cima de você diretamente?

Todos. Agora, um dos meus namorados era quase da idade do meu filho, e foi esse meu namorado que o levou para conhecer mulheres. Isso foi há uns sete anos.

Por que as mulheres não gostam de dar o rabo?

Não dão o rabo porque dói. Mas dói demais, dói demais.

Tudo bem. Mas não tem uma técnica que você pudesse ensinar para as nossas leitoras? O que é bom passar?

É a saliva, eu acho que é a saliva. Esse negócio de botar creme escorre muito, altera, altera. Ai! Péssimo! Muita gordura. Ih! Dá problema. Aí pode correr o risco de passar cheque sem fundo e não é legal.

Passar cheque sem fundo? O que é?

É o pau liso, com problemas. Cheque sem fundo é sujou a área, sujou a área.

Acabou a aula de sexo anal? Você devia fazer fascículos. “Sexo Anal para as Mulheres”…

Aliás, no meu livro eu botei as poses, o sessenta-e-nove, a força combinada, que é o macho suspendendo a fêmea lá, e a fêmea, né? Já faz a relação orbital e a…

Força combinada?

É força combinada porque é bem distribuída.

Pô, isso parece tática de guerra americana, Enoli, a gente fez uns cálculos hoje: se você posa nua pra uma revista com a tiragem mais ou menos de cinquenta mil exemplares; se cada leitor tocar uma punheta vendo a sua foto, cada ejaculação tem em média vinte mililitros, é um copinho de cafezinho por adolescente. Daria mais ou menos mil litros de porra…

É tudo que eu quero, é meu sonho numa banheira…

É uma caixa d’água!

Mas é meu sonho.

Dá uma Itaipu e meia de porra.

Eu tenho guardadas aqui em casa mil e quinhentas cartas com gozo. Eu mostro pra vocês. Eles mandam o gozo na carta, eles gozam na carta.

Melada?

Melada. Eles botam perfume ou porra, ou pau desenhado, olha o meu pau de que jeito ficou. A minha secretária eletrônica… eu acho que tem dias que ela faria glup, glup, glup. São três gozos por dia. Eu te mostro ali…

Não precisa mostrar não. A gente acredita. Enoli, o que pra você define um macho?

Ser macho é estar ereto vinte e quatro horas por dia, fazer sessenta-e-nove e força combinada três vezes por semana. Pagar as contas, inclusive do professor de línguas. E, que me perdoem os medianos e pequenos, mas tamanho é fundamental.

 

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