Economize energia sem usar gato

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O presidente Michel Fora Temer acaba de engatar uma marcha-a-ré no seu programa econômico e se prepara para engatar um nabo gigante no nosso furico com um novo aumento escorchante na tarifa de energia para os consumidores economizarem energia.

A conta já está tão dolorosa que a população está quase voltando aos tempos dos candeeiros, das velas e das lamparinas. Só está faltando agora aparecer um Lampião pra passar-lhe o trabuco. Nele e nos seus macacos volantes da área econômica.

Semana passada, apesar da vigência do horário de verão no sul maravilha, o presidente voltou a repetir que se não chover pra caralho nos próximos trinta dias, a região Norte também entra no racionamento. Prepare-se, então, que boa coisa a Amazonas Energia não deve estar planejando – vide os recentes blackouts que têm tirado o sono da população.

A fim de contribuir para que você, leitor, consiga atingir sua meta de consumo e não meta um tiro no cocuruto quando receber a nova conta de luz, o CANDIRU presta mais um serviço de inutilidade pública e publica uma série de sugestões de racionamento de energia. Aproveite as dicas, que é melhor do quer os fiscais do cão descobrirem um “gato angorá” no seu contador.

TV de caixa de sapatos – É só você se lembrar de sua infância e liberar a criança que mora em você, afinal não há nada mais infantil do que o nível dos nossos programas de televisão. Pegue uma caixa de sapatos, recorte seu fundo (o da caixa) no formato de uma TV. Recorte e emende algumas histórias em quadrinhos no formato de tiras. Coloque, trespassando a caixa, dois paus (de madeira) e enrole a tira no da direita, ficando o início da história colado no da esquerda. Pronto.

Ponha a família em frente da sua nova TV, coloque-se atrás da mesma e vá girando lentamente o pau (de madeira, repito) da esquerda para a direita. Os quadrinhos vão passando um a um até chegar ao fim da história. Faça quantos rolos quiser, que é melhor do que ter rolo com o excesso de consumo ou com os “gatos siameses” no contador.

Iluminação natureba – Hoje em dia, qualquer coisa pra poder serventia tem que ter o rótulo de “natural” – é tanto que em breve devem estar lançando até a coca-cola natural. Por tudo isso, apresentamos esta sugestão para que você crie uma iluminação natural para o abençoado reduto do seu lar. E ainda por cima economize energia.

A sugesta é a seguinte. Pegue aquelas antieconômicas e ultrapassadas lâmpadas incandescentes que você ia jogar no lixo e aproveite-as. Como? Basta pegar uma faca e cortar a parte de cima da rosca (da lâmpada). Retire o filamento e deixe-a oca. Agora, deixe escurecer, arranje uma rede de pegar borboleta e vá para o mato. Capture o maior número de vagalumes que conseguir.

Já em casa, pegue as lâmpadas e encha-as de vagalumes. Em seguida, introduza cada uma no seu bocal (da lâmpada). Pronto. Você terá uma iluminação natural e poética. E com uma vantagem adicional. Não precisa mais de interruptor nem de célula fotoelétrica. Como se sabe, os vaga-lumes só acendem à noite.

Cerveja no pote – Lembra da música “Karolina com k”, do saudoso Gonzagão, quando ele, num forrobodó, pede pra Sá Marina botar duas cervejas encangadas no fundo do pote? Pois foi de lá que copiamos esta dica. Com a famigerada crise energética, muita gente vai ter até que desligar a geladeira pra poder atingir a meta de consumo.

Pois bem, é só você passar na feira livre (aliás, nunca entendi o porquê da palavra “livre” que cismaram do quincas de botar depois de “feira”. Alguém já  viu alguma feira presa?) e comprar um ou dois potes de barro. Ao chegar em casa encha-os (gostou da ênfase na ênclise?) d’água pra ir logo esfriando e pronto.

Quando quiser uma braminha da antarctica bem geladinha é só encangar algumas garrafas, botar no fundo do pote e deixar passar algumas horas. Não fica estupidamente gelada, mas que fica bem friinha, fica, isso a gente garante. E sem consumir um só quilowatt.

Liquidificador a manivela – Pra que gastar seu rico dinheirinho com energia e ainda correr o risco de ter sua luz cortada? Os cientistas do CANDIRU criaram pra você algo revolucionário. Pegue seu liquidificador, introduza uma chave de fenda no buraco que fica embaixo (do liquidificador), desatarraxe o parafuso e pronto. Num passe de mágica, você consegue soltar a tampa e o motor do bicho. Corte os fios que ainda o prendem (o motor) e pronto.

Agora, no lugar do botão da velocidade, você vai acoplar uma manivela que acionará as lâminas. Está pronto seu novo liquidificador. Quando quiser bater sua vitamina ou seu milk-shake de maracujá predileto é só girar a manivela a alta velocidade.

Uma sugesta final: quando estiver girando a bicha (a manivela), use um braço e outro, alternadamente, senão, daqui a pouco você vai estar de um lado parecendo Maciste e do outro, o Josué Filho, que, além de magro, é enjoado.

Ergométrica com dínamo – Agora vamos juntar saúde com economia. Lembra que o médico lhe recomendou sair dessa vida sedentária, senão ia acabar no Prontocord? E qual foi a sugestão? “Meu filho, gaste mais essa energia”. Daí você passou foi a ficar mais tempo na frente da TV, só pra “gastar mais energia”. O médico, puto, lhe disse que não era bem isso. “Por exemplo, faça regularmente umas caminhadas olhando um espaço verde”. E você, prontamente, passou foi a jogar sinuca com outro bando de marmanjos, enquanto enchia a caveira. E ainda se amostrava lá fora. “E aí, Rui Chapéu, tava onde?”, perguntavam, e você, em cima da bucha: “porraí, dando minhas tacadinhas…”

Mas agora é pra valer. Compre uma bicicleta que pode ser velha, pois quando a gente não tem uma nova a gente monta na velha mesmo, né não? Em seguida, vá numa loja de acessórios pra bicicleta e compre um daqueles dínamos próprios para a magrela. Agora, pegue-o (o dínamo) e instale na roda traseira (da bicicleta). Em seguida, coloque-a sobre dois cavaletes de madeira para ela não sair do lugar. Do dínamo você vai puxar um fio para distribuir a energia gerada para toda a casa. Pronto.

Agora é só montar (na bicicleta) e mãos à obra. Quer dizer, pés à obra. Enquanto você gasta energia das calorias a mais da cervejinha, gera a dita cuja em substituição à da Amazonas Energia. Tá ligado, doido? Então desliga um pouco, pra não gastar energia.

Bateria de celular Moura – Como se sabe, o funcionamento de um celular depende da bateria. E a bateria, da eletricidade. E a eletricidade vai ser racionada. Então, o que fazer? Muito simples, amigo leitor. Basta você trocar sua bateria Motorola, Ericcson, Nokia, seja lá qual for, por uma bateria Moura. Se ela tem energia pra fazer um bregueço grande e pesado feito um carro funcionar imagine um simples celular.

A única diferença é o carregador. Enquanto a bateria comum exige um carregador fixo, a bateria Moura vai precisar de um móvel e meio acrescentado. Acessório este que você pode adquirir na Manaus Moderna, mais precisamente na zona portuária. Lá o que não falta é carregador doido pra pegar uma garrafa de cachaça e carregar uns duzentos sacos de açúcar ou de farinha por qualquer merreca.

Quer dizer, por uns trocados a mais você contrata seu carregador. É você andando na frente, lépido e fagueiro por estar atingindo a sua meta de consumo, e seu carregador de bateria atrás, feliz da vida pelo seu novo e bem remunerado emprego.

Refrigeração à “Bwana” – Lembra daqueles antigos filmes de Jim das Selvas, quando só os nativos tomavam no papeiro? Eram eles que carregavam aqueles fardos enormes, enquanto os homens brancos se divertiam matando onça, jacaré, elefante e tudo o mais que se movesse. Eram eles – e só eles – que despencavam daqueles imensos desfiladeiros e eram eles que, com uma folha de bananeira, abanavam os brancos enquanto estes dormitavam (gostou?) nas redes E ainda viviam chamando a brancaiada de “bwana”.

Pois taí uma boa dica para você dormir sem ter que ligar o consumista ar condicionado. E ainda contribuir para a diminuição do desemprego. Arranje uma folha de bananeira e depois contrate um negão – ou pode ser uma negona, ou brancão, ou uma brancona, dependendo do gosto do freguês. Depois é só se balançar na rede e ordenar que ele (ou ela) lhe abane suavemente, sem se avexar.

Não esqueça de mandar que ele (ou ela), enquanto faz isso, fique lhe chamando de “buwana”. Se, além da abanada tradicional, ela (ou ele) partir pro cafuné explícito, aí já estamos deixando o campo da economia energética para entrar no terreno da sacanagem propriamente dita.

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