Dudu é citado pela 3ª vez na Lava Jato e vai pedir música no Fantástico

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O senador Dudu Cadeirudo, o “Sinhozinho Braga do Tapajós”, voltou a ter o nome mencionado em delações da Operação Lava Jato. O depoimento do diretor de propinas da holding J&F, Ricardo Saud, aponta que Dudu recebeu R$ 6 milhões para apoiar a ex-presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014.

O depoimento de Saud foi concedido na sede da Procuradoria Geral da República, no dia 5 de maio. Como foi a terceira citação do Sinhozinho Braga na Operação Lava Jato, ele vai pedir música no Fantástico, provavelmente “Onde está a honestidade?”, de Noel Rosa, ou “Onde está o dinheiro”, de Elba Ramalho. O eleitor decide!

De acordo com Saud, a holding tinha uma “obrigação” com o PT no processo de reeleição de Dilma. Ele afirma que o pleito de 2014 estava apresentando dificuldades. “Tinha uma grande chance de o Aécio ganhar a eleição. Então o PT começou a traçar uma estratégia um pouco diferente”, contou.

Saud diz que, a princípio, um grupo do PMDB não queria Michel Temer como vice de Dilma. A decisão de pagar propina para os senadores do partido foi oficializada em uma reunião de Joesley Batista, da JBS, com o então ministro da Fazenda Guido Mantega, que representou o PT. O primeiro pedido de propina ocorreu em “junho ou julho de 2014”, de acordo com o delator.

“O pedido ocorreu quando estavam iniciando as pré-campanhas. Tinha R$ 35 milhões destinados a seis membros do Senado, os coringas do Senado, porque brincam nas onze em termos de roubalheira”, afirmou.

Um desses “coringas” era Dudu Cadeirudo (Coringa?! Ele está mais para o Pinguim, porra!). Além dele, receberam propina Renan Cagalheiros, Jader Barbalhoca, Valdir Rauppilantra e Eunício Boliveira, o “Estrupício”. Os R$ 35 milhões iniciais aumentaram para uma quantia “em torno” de R$ 43 milhões.

“Renan ficou com uma parte maior (R$ 9,3 milhões), Valdir ficou com uma parte menos R$ 4 milhões), e o Jader, Dudu e Eunício, com a mesma parte, R$ 6 milhões, cada um”, enumerou.

O delator afirmou ainda que o presidente Temer ficou “muito puto” ao saber o posicionamento do PMDB em relação à sua candidatura. “Eu fui lá com o Michel Temer em um sábado à tarde e ele estava uma fera. ‘Que porra é essa? Como assim? Por quê que isso está acontecendo? (…). Não pode, caralho, não pode… Eu tô vendo que vou ter de colocar o pau na mesa pra esses putos me respeitarem!… Puta que pariu, era só o que faltava! Eu tô precisando reassumir o PMDB, esse partido de merda, porque os PhDs em mutreta estão passando por cima de mim. Assim não dá! Assim não dá!”, lembra.

Saud contou que Temer pediu até três dias para conversar com os senadores. “Eu falei: ‘Olha, isso eu não posso fazer porque eu já tenho uma ordem impressa do pessoal do PT para procurar os mesmos e começar a organizar como que eles vão querer essa propina’”, acrescenta.

Ainda de acordo com o delator, a distribuição do dinheiro foi feita em uma reunião na casa de Renan Cagalheiros. “Uma parte da propina foi feita em dinheiro vivo, uma parte em doações simuladas de oficial e uma parte em notas fiscais frias por serviços não prestados”, finalizou.

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