Do Maracanã a joalherias, nada escapou ao furacão Cabral

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Por Augusto Nunes

O carioca Sérgio Cabral tinha apenas 28 anos ao tornar-se deputado estadual em 1991. Dias depois, já se destacava no doce mundo da ladroagem impune por aliar a avidez do noviço à ligeireza de veterano. Começou embolsando pixulecos.

A partir de 1995, quando virou presidente da Assembleia Legislativa e transformou o cargo em gazua, as cifras não pararam mais de engordar. Para Cabral, o céu da propina não teria limites.

Em 2003, fantasiado de senador, baixou em Brasília para fazer bonito no curso de mestrado em corrupção. Só precisou de meio mandato — quatro anos — para merecer o título de doutor em roubalheira.

Em 1º de janeiro de 2007, ao assumir o governo estadual com o apoio militante do comparsa Lula, Cabral estava pronto para comandar o maior saque da história do Rio de Janeiro.

Que pirata francês, que nada. Jamais se viu em ação naquele belo recorte do litoral brasileiro um bando de bucaneiros tão boçais, um assalto tão feroz, uma pilhagem tão abrangente e minuciosa.

Do Maracanã em reforma à joalheria da esquina, das grandes empreiteiras aos fornecedores de quentinhas da população carcerária, nada escapou ao furacão Cabral.

Nesta quarta-feira, a sentença que o condenou a mais 45 anos de gaiola registrou que a reunião inaugural da quadrilha homiziada no Palácio Guanabara ocorreu quando os ladrões ainda tentavam curar a ressaca da festa de posse.

Preso em novembro, o gatuno cinquentão está perto de completar o primeiro ano do resto de sua vida. Será uma vida não vivida.

Quem apodrece na cadeia constata, ao deitar-se no beliche para tentar dormir, que não viveu mais um dia. Apenas ficou 24 horas mais próximo da cova rasa reservada a um asterisco da história universal da infâmia.

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