Ditos populares em linguagem jurídica

0

O Direito, como qualquer outra ciência – matemática, biologia, economia, medicina, informática, etc –, tem uma linguagem técnica que lhe é peculiar, a qual deverá será empregada sempre que for preciso. Contudo, o problema do juridiquês não se refere ao uso comedido e necessário de termos técnicos mas sim ao fato de muitos profissionais do Direito não saberem se expressar, razão pela qual fazem a opção por uma linguagem rebuscada como se estivessem praticando saltos ornamentais em uma piscina vazia. Os ditos populares escritos em juridiquês são uma prova disso. Curtam:

Do gênero fêmea ruminante deslocou-se para terreno sáfaro e alagadiço. (A vaca foi para o brejo)

Creio que V.Sa. apresenta comportamento galhofeiro perante a situação aqui exposta e desenvolvida. (Você tá de sacanagem)

Prosopopéia flácida para acalentar bovinos em boa hora. (Conversa mole pra boi dormir )

Romper de soslaio a face. (Quebrar a cara)

Creditar um primata. (Pagar um mico)

Inflar o volume da bolsa escrotal. (Encher o saco)

Impulsionar a extremidade do membro inferior contra a região glútea de outrem. (Dar um pé na bunda)

Derrubar, com a extremidade do membro inferior, o suporte sustentáculo de uma das unidades de acampamento. (Chutar o pau da barraca)

Deglutir um batráquio. (Engolir um sapo)

Colocar o prolongamento caudo-sacral em meio aos membros inferiores. (Meter o rabo entre as pernas)

Derrubar com intenções mortais. (Cair matando)

Eximir de qualquer tipo de sorte. (Azarar)

Aplicar a contravenção do Senhor João, este deficiente físico desprovido de sorte de um dos membros superiores. (Dar uma de João sem braço)

Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira. (Nem a pau)

Sequer considerando a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais, por via reflexo diafragmática. (Nem que a vaca tussa)

Sequer considerando a utilização de instrumentos metálicos. (Nem ferrando)

Derramar água pelo chão através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente. (Chutar o balde)

Desejo veementemente que V.Sa. receba contribuições satisfatórias e inusitadas em vossa cavidade retal. (Vá tomar no cu)

Desejo veementemente que V.Sa. performe fornicação na imagem de sua própria pessoa com intuito de autocoemptio. (Vá se fuder)

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here