Dicionário de Cearês – Prefácio da 1ª edição

0

Por Falcão

Desde quando o King Kong era soin que venho nessa labutica: o Aurélio, se não é manco, pelo menos as teias de aranha do tempo o tornaram requenguela em relação ao caqueado vocabular cearense – por que não dizer “cearês”.

A invectiva tem ressonância no trabalho desse menino, o Marcus Gadelha, que de besta só tem o andar – e assim mesmo é carioca!

O trabalho que prefacio, além de ter a manha de deixar um Aurélio com o boga cheio d’água, faria qualquer Napoleão Mendes de Almeida ficar variando da bola.

Tamanho é o gabarito deste leruaite que agora farei moitinha:

– urge elaborar traduções para o inglês, francês, tupi-gurani, língua do “p”, esperanto, sânscrito, japonês arcaico e o escambau a quatorze;

– é obra indispensável ao pessoal da Central Globo de Produções e outras do ramo para que maneirem em suas novelas. Muita coisa que essa curriola diz não é daqui de nós nem a pau;

– dagora por diante, o fie duma égua que usar da língua falada, em qualquer recanto do mundo, e não fizer uso correto do verdadeiro cearês, que o cão bote em sua pessoa do mesmo jeito que botou em Mestre Alfredo!

O livro é mesmo que catarro novo em parede de caisa de taipa, vai pegar de vera!

Está na cara, mas ainda tem neguin que nem bate a passarinha e não sabe que não é mais possível cagadas de pau nos modelos a seguir:

– usar o termo “ânus” no lugar do bom e velho “lorto”;

– “vagina” em substituição ao popular “priquito”;

– “maluco” em vez de “abirobado mental”;

– “laranja” (a cor) no lugar de “amarelo queimado”;

– “correr da briga” por “abrir dos paus”;

– “praticar o ato sexual” quando é muito mais gozado “amassar o Bombril”;

– por que uma construção que privilegie o termo “abalroamento” se podemos sapecar uma “barruada” bem aplicada?

Tirante a parte glossárica, o resto também é uma beleza. Apenas sugiro para edições futuras que seja dado um grau em temas relacionados a:

– bicheira de jumento;

– como capar bode sem dor;

– pelar porco pelo método Mongeano;

– tirar um cabacin no varejo e no atacado, inclusive a domicílio;

– tirar catinga de anel de couro sem fazer uso de limão.

No mais, li com o maior verme, duma só lapáda, e recomendo o uso na pré-escola, Telecurso 2000, casas de massagens, saraus, tertúlias, reuniões da ABL, em lupanares, cabarés e chatôs, seminários, convenções partidárias, cultos, congressos, reuniões da CUT e até na casa do caralho!!!

Se não for eu engrene!!

Acunha!

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here