Dicionário de Cearês – Letras M

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Por Marcus Gadelha

Macambira – Planta espinhosa, muito dispersa nas regiões secas nordestinas, onde o povo, premido pela fome resultante da seca, prepara com as folhas dela uma espécie de pão, sem qualquer valor nutritivo.

Maçaroca – 1. Coisa volumosa ou emaranhada. “Maçaroca de papel ou de cabelo”. 2. Pequena haste de madeira em que se enrola a linha de empinar pipa (arraia, papagaio, curica).

Macharal – Coletivo de pessoas do sexo masculino. Macharada.

Macho que só preá – Muito macho.

Macho véi (ou macho réi) – Sinônimo de tratamento. “Amigo, ô meu…”

Maciste – Sujeito musculoso. Referência ao herói de filmes antigos.

Madeirar – Foder.

Mágico – Viado. Aquele que esconde cobra.

Mago réi – Magro.

Magoar – Ferir um local que já estava machucado.

Magote – Bando, grupo, ajuntamento. “Magote de corno!”

Mais eu, mais tu, mais ele – Comigo, contigo, com ele.

Malamanhado – Mal –amanhado, mal vestido, desajeitado.

Malassada – Fritada. Omelete.

Maldar – Interpretar no mau sentido.

Maleducado – Mal educado.

Malino – Traquinas.

Maluvido – Menino maluvido. Menino teimoso e traquinas.

Mamar na égua – Viver sem trabalhar ás custas dos outros.

Mamulengo – Fantoche. Boneco que tem a cabeça de massa de papel, ou de meia gessada, etc, mãos geralmente de feltro, e em cujo corpo, formado pela roupa, o operador esconde a mão que o movimenta. Teatro de fantoches.

Mané Bofão – Conhecido “restauranteur” de Fortaleza, especialista em pratos finos e leves tais como panelada, buchada, sarrabulho, tripa de porco, fuçura, linguiça, rabada, miúdo, passarinha, mocotó, carne de lata, chouriço, tutano, sarapatel e mão de vaca.

Mané magro – Libélula, jacinta, cambito, canzil, cavalinho do diabo, cavalo de judeu, donzelinha, lava-bunda, lavadeira, macaquinho de bambá, pito, ziguezague.

Maneiro pau – Surgido na época do cangaço, representa os trabalhadores dos engenhos, popularmente chamados de “cabras do engenho”, uma espécie de guarda-costas ou jagunços do Senhor de Engenho na peleja contra os cangaceiros. Devido a sua habilidade com o manejo de cacetes ou facões, essa atividade foi evoluindo gradativamente e se transformou numa dança máscula, caracterizada pelo entrechoque de cacetes ao som do coro “maneiro pau… maneiro pau”, numa simbologia de ataque e defesa.

Manequim da Brahma – Gordo.

Manequim de cemitério – Magro.

Mangar – Ridicularizar.

Manguaça – Pinga, cachaça, cana.

Maniva – Talo da mandioca ou macaxeira usada na alimentação do gado.

Manjado – Repetitivo. Conhecido.

Manjou – Brincadeira de pega-pega. Manja.

Manjuba – Pênis grande.

Mão de vaca – 1. Cozido feito com a canela da vaca, acompanha pirão e arroz branco. 2. Pessoa sovina.

Mar minino – Mas menino! Expressão de espanto ou indignação. Era só o que faltava!

Maracatu – Cortejo carnavalesco que representa antigas nações africanas. É originário culturalmente das cerimônias de coroação do rei do Congo, reminiscência de organização de trabalho de negros do século passado.

Marafa – Cachaça (na macumba). Marafo.

Marca – Laia. “Não me troco com gente da sua marca”.

Marcha! – Anda, vai!

Maria maluca – Tipo de bolo a base de coco.

Mariola – Doce de goiaba embrulhado com papel celofane ou com palha de bananeira.

Marmita – Ônibus que levava as moças para os bailes promovidos pelos americanos durante a segunda guerra. “Marmita, o que entrar é comida!”

Marmota – Coisa estranha. Esquisitice. “Menino, deixe de marmota”.

Marrapaz! – Mas rapaz! Exprime espanto, surpresa, descontentamento.

Marreteiro – Ladrão.

Marrômeno – mais ou menos.

Marruá – Boi brabo.

Maruim – Pequeno mosquito, comum na beira das lagoas. Meruim.

Matadouro – Lugar (casa, apartamento, quitinete) usado para fins sexuais.

Matar o verme – satisfazer uma vontade.

Matraca – Falante.

Matuto – caipira.

Me aguarde! – Bordão popularizado por Augusto Bonequeiro. Aviso de vingança.

Medoin – 1. Medonho, imenso. 2. Criança danada. “Ô menino medoin!”

Me solta que eu não sou rola! – Me deixe em paz! Larga do meu pé!

Meêro – Meeiro. Agricultor que arrenda a terra pagando com a metade da produção.

Meganha – Soldado da polícia.

Mei queimado – Meio embriagado.

Meiota – Meia garrafa de cachaça.

Meladinha – Cachaça com mel e limão.

Melado – Bêbado.

Melé – Curinga (de baralho).

Mental – Doente mental. “Dona Alaíde, este seu filho é mental?”

Mequetrefe – De má qualidade.

Mêr-qui-nem – Mesmo que nada.

Merendar – Lanchar.

Merol – Bebida, birita, birinaite.

Meter o pé na carreira – 1. Correr. 2. Fugir.

Meu número! – Dá certo comigo. O gaiato fala quando passa mulher bonita.

Meuzôvo – Meus ovos. Expressão de discórdia. “Fernando é um político honesto!” “Honesto meuzôvo”

Miçanga – Bijuteria.

Mimosa – Muito bonita, encantadora.

Minino réi amarelo – Ou minino réi di buchão. Criança chata.

Miocalá – Se não tem o que fala é miocalá (minhoca lá no seu cu). Besteira que se diz para frescar com alguém.

Miolo de pote – Conversar miolo de pote. Conversar sobre coisas sem importância. Miolo de pote é água.

Mirilopes – Doido. “Mira y Lopez” é um manicômio. O Pinel do Ceará.

Mirim – Pivete.

Miseravi – Miserável. Sovina. Pão-duro. Mão de vaca.

Mixto – Jeep de aluguel.

Moça – Virgem. “A Lucimara ainda é moça”

Moça velha – Solteirona que ficou pra titia.

Mocó – Esconderijo, cafofo. Mocó é uma pequena bolsa a tiracolo.

Môco – Mouco, surdo.

Mocororó – Bebida fermentada de caju.

Mocotó – Tornozelo.

Mode – Ou pru mode. Com o objetivo de. “Traga o pinico, mode eu mijar”

Mofada – Cerveja supergelada com uma fina camada de gelo envolvendo a garrafa como se fosse mofo.

Mói – Molho, conjunto, porção.

Mói de chifre – Corno. “Fala mói de chifre!”

Mói de pêa – Surra. Peia é chicote. “Aquele ali merece um mói de pêa”

Moitim – Encenação. Fazer moitim – fazer fita.

Mondrongo – Inchaço, calo.

Monga – Mongoloide.

Moqueca – A moqueca cearense mais se assemelha a um vatapá.

Morreu Maria Preá! – Expressão utilizada para encerrar uma discussão. Conta o anedotário de campos Sales que um antigo vigário foi flagrado pelo sacristão comendo a beata Maria Preá. A partir daí, o sacristão passou a chantagear o vigário:

– Seu vigário, estou precisando trocar os pneus da minha bicicleta….

– Meu filho, eu não tenho dinheiro…

– Seu vigário, olha a Maria Preá!!!

E o pobre do vigário dava um jeito de comprar os tais pneus.

Um belo dia o vigário, em suas andanças pela periferia, flagrou o sacristão sendo enrabado por um garotão. O religioso deu uma dura no pobre pecador:

– Sacristão, que falta de vergonha é essa?

– Seu vigário, não conte nada a ninguém. O senhor não viu nada. E morreu Maria Preá!

Mosquitinho – Carvãozinho feito com palito de fósforo para acender no canto da unha de quem está dormindo. Mutuca.

Mozin – Meu amorzinho.

Mucunzá – Mungunzá. Mingau feito de milho branco, leite, açúcar e canela.

Mucureba – Sem qualidade, cafona.

Mufino – Mofino, magro, abatido.

Mulhé – Tratamento muito comum entre as mulheres,  “Chegue, mulhé, venha me contar as novidades”.

Mulher macho – Lésbica. Sapatão.

Mundiça – Gente pobre, cafona.

Mungango – Ou munganga. Caretas e trejeitos.

Muquira – Cafona. Muquirana.

Muriçoca – Pernilongo.

Murrinha – Moleza no corpo.

Música pra quem tem mãe no curral – Música brega.

Mussum ensaboado – Pessoa ensaboada, de quem não se consegue extrair sequer uma opinião.

Mutuca – 1. Espécie de mosca grande do sertão que pica e incomoda. 2. Cigarro de maconha.

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