Cultura de Verniz: uma explicação necessária

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Por Roberto Menna Barreto

Cultura de Verniz é toda a “cultura” que faz você “parecer mais culto”. Ou melhor: é toda faísca de conhecimento que leva seus ouvintes, muitas vezes, a dizer “ah, é?…” – e se boquiabrirem com sua erudição.

É uma ponta do iceberg, cujos 9/10 abaixo d’água são inferidos imediatamente por todos (embora não estejam necessariamente lá).

Bem administrada, Cultura de Verniz garante muito mais sucesso social que uma enorme erudição enciclopédica, dissertações intelectuais ou exposições acadêmicas.

Porém exige, de você, honestidade: a informação tem de ser sempre correta (e para ilustrar uma conversa cujo tema não foi você quem introduziu)…

Claro, Cultura não é realmente “isso” que acabamos de falar. Não é citação esporádica, casos isolados, aspectos atraentes de um dado assunto ou de uma ciência.

Cultura, na verdade, é uma estruturação orgânica do conhecimento. Prescinde de datas, de números e de episódios. Porque é compreensão abalizada de um campo do saber.

Contudo, datas, números, informações, episódios podem ser vertiginosamente interessantes. Mexem mais com nossa parte emotiva, infantil, do que com nosso processamento lógico, intelectual. Ou melhor, despertam e colorem nosso pensamento intelectual.

Nenhum autor que quer ser lido, nenhum orador que quer ser escutado, pode prescindir desse recurso, do recurso de falar, também, à criança curiosa e pronta a se maravilhar que existe em cada um de nós.

Soube de um palestrante que sempre iniciava sua exposição – não importando o tema! – com a seguinte frase: “César Bórgia matou seu cunhado, na época em que era amante da irmã, Lucrécia Bórgia, que, por sua vez, ia pra cama com o próprio pai, o Papa Alexandre VI!”

O interesse da plateia ia imediatamente às estrelas!

Essa informação sobre os Bórgias é famosa, e é muito desejável que você a conheça, embora não vá torna-lo realmente “culto” quanto à Renascença…

Da mesma forma que os 900 tópicos que coletei de autores confiáveis, à margem do que andei lendo nos últimos 30 anos.

Na real, a miscelânea de aspectos curiosos proporciona, de certo modo, como uma colagem psicodélica, a vertigem (ou a magia) da vida que vivemos, como um todo, sem sentido final em nenhum campo do conhecimento – por isso mesmo infinitamente fascinante, embriagadoramente dispersa e, em última análise, inexplicável!

Portanto, leia cada tópico, decore e arrase nas próximas reuniões com seus amigos do peito. Ou, para usar uma expressão criativa, divirta-se!

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