Cultura de verniz pra arrotar bacaba nos botecos (8)

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Por Roberto Menna Barreto

A civilizadíssima Atenas clássica praticava a escravidão sem qualquer problema de consciência: Sócrates não a mencionou. Platão apenas disse que se devia reprovar que gregos escravizassem outros gregos (também, pudera: ele próprio havia sido escravizado pelo grego Dionísio I). Aristóteles defendia uma teoria vagamente marxista, dizendo que a escravidão não era moral nem imoral – apenas a necessidade imposta por um regime capitalista ainda não agitado pela revolução social. “Serão as máquinas e não as leis que libertarão os escravos, tornando-os inúteis”, garantiu.

Os chineses distinguem o irmão primogênito do pai, a mulher do irmão primogênito do pai, o irmão mais novo do pai, a mulher do irmão mais novo do pai, a irmã do pai, o marido da irmã do pai, o filho do irmão primogênito do avô, a mulher do filho primogênito do avô, e dúzia de subgrupos de tios e tias apenas do lado paterno, até os filhos da neta da irmã do bisavô — no total de 262 graus de parentesco.

A natureza falha: as lentes do olho humano aumentam naturalmente de tamanho ao longo da vida. Uma lente maior é menos flexível, por isso menos incapaz de focar objetos próximos: daí que as pessoas mais velhas necessitam de óculos para leitura.

Os Estados Unidos só foram invadidos uma vez, na guerra de 1812, com poucos danos. Já a Rússia, em 150 anos, foi invadida pelo Oeste, 14 vezes diferentes. Minsk, desde sua fundação, esteve sob ocupação estrangeira 101 vezes.

Na guerra de Canudos (1896-1897), as tropas do governo acantonavam-se nas imediações do morro da Favela – e os botões, galões e medalhas luzidios, ostentados pelos militares de maior patente, permitiam aos jagunços um tiro certeiro.

Os tubarões só morrem por violência, de fome ou encalhados: seu sangue possui anticorpos polivalentes capazes de destruir qualquer corpo estranho, seja bactéria ou vírus (como os da gripe, da hepatite, da varíola). E é também imune ao câncer.

A maior palavra do mundo, em qualquer dos idiomas vivos, é uma palavra grega de 120 letras (quase o tamanho máximo de uma tuitada) e que define um delicado manjar dos gregos, preparado com peixe, carne de vaca, porco e aves.

Átila, o chefe huno conhecido como “Flagelo de Deus”, Felix Fauré, presidente francês (1841-1899), e o papa Leão VIII, no trono pontifício de 963 a 965, têm algo em comum: morreram em pleno ato sexual.

Até recentemente, a canção mais cantada em todo o mundo (“Parabéns pra você, nesta data querida”) ainda estava protegida por direitos autorais. Eles só caducaram em 2010. Calculem agora quanto a família Smith Hill embolsou de grana…

A melodia de “Parabéns pra você” tem origem na canção “Good Morning To All” (“Bom dia a todos”), das irmãs e professoras norte-americanas do Kentucky, Mildred e Patricia Smith Hill, que resolveram compor uma canção para as crianças cantarem na entrada da escola. A melodia era acompanhada pela repetição do título quatro vezes. Isto ocorreu no ano de 1875.

As duas registraram a composição em 1893, até que, em 1924, a composição foi publicada num livro de Robert Coleman, tendo conservado a melodia e alterado o verso para “Happy Birthday To You” (“Feliz Aniversário pra você”), versão que rapidamente se popularizou. Em 1933, Jessica Hill, irmã das verdadeiras autoras, ingressou na justiça reivindicando os direitos autorais, saindo vitoriosa.

A música chegou ao Brasil ainda cantada em inglês. O lendário Almirante, da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, organizou em 1942 um concurso para escolher uma letra que casasse com a melodia de “Happy Birthday To You” e “Parabéns pra você” abiscoitou o título.

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