Cultura de verniz pra arrotar bacaba nos botecos (6)

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Por Roberto Menna Barreto

No campeonato de xadrez de 1971, ao perder a 7ª partida para Tigran Petrossian (empatara as anteriores), o Grande Mestre alemão Robert Hubner se descontrolou, rasgou a súmula onde são anotados os lances e comeu-a, entre gritos histéricos. Petrossian assistiu à cena sem mover um músculo do rosto. Mas três anos depois, ao enfrentar Victor Korchnoi em outra série de partidas, uma única derrota foi suficiente para fazer Petrossian levantar-se e esmurrar o rosto de Korchnoi. Que também recebeu a porrada na cara sem mover um músculo do rosto.

Na Suíça, há uma antiga tradição de que som dos sinos afugenta os raios. Já os mouros do Marrocos estão convictos de que o dobrar dos sinos atrai os espíritos malignos — por isso, não admitem a instalação de sinos em suas cidades.

Se duas pessoas, cada uma com um baralho de 32 cartas bem embaralhado nas mãos, se dispuserem a atirar, ao mesmo tempo, uma carta aberta sobre a mesa, a probabilidade de ambas jogarem, de repente, a mesma carta é sensivelmente maior do que a de isso não acontecer (experimente… e aposte).

Os elementos atômicos e subatômicos, na Física quântica, comportam-se ora como pequenas protuberâncias de matéria, ora como ondas e vibrações propagadas no vácuo: segundo Sir William Bragg, eles parecem ondas às segundas, quartas e sextas-feiras, e partículas às terças, quintas e sábados.

“A constituição mental de um negro é normalmente de boa índole e alegre, mas sujeita a repentinos períodos de emoção e paixão diante dos quais ele é capaz de desenvolver atos de singular atrocidade. Depois da puberdade, os assuntos sexuais tomam o primeiro lugar na vida e nos pensamentos de um negro” (Verbete “Negro” da edição de 1911 da Enciclopédia Britânica).

Para uma mulher do século XV, era preferível submeter-se ao cinto de castidade – que durou, na França, até o século XIX – a sofrer uma infibulação, ou seja, a sutura da vagina, praticada durante a Idade Média em certas zonas da Europa. E algumas sempre podiam contar com os ferreiros de Bérgamo e Milão, famosos tanto pela fabricação quanto pelo arrombamento clandestino dos melhores cintos da praça…

Membros de uma tribo marquesana – segundo relato de Ralph Lington – extraordinariamente bondosos e respeitosos entre si, encaravam a possibilidade de alguém devorar um membro de sua própria tribo de maneira muito aproximada à maneira pela qual um ocidental encara o canibalismo: suas histórias a respeito de indivíduos culpados desse crime refletem o mesmo horror de nossas lendas de feiticeiros antropófagos; mas comiam sem nenhum escrúpulo os membros de outras tribos.

No Império Bizantino, os eunucos eram todos de boa origem aristocrática e burguesa, e eram castrados para evitar que suas energias fossem desviadas dos serviços do Estado. Normalmente, submetiam-se voluntariamente à castração (um privilégio), obrigatório para os que desejavam fazer carreira na corte e nas altas hierarquias administrativas, eclesiásticas e militares. Poderosos patriarcas e ótimos generais eram eunucos.

A cerveja dinamarquesa Carlsberg teve muitos aborrecimentos porque ostentava em seus rótulos, muito antes de Hitler, a suástica – um símbolo de milhares de anos. Da mesma forma, a cerveja brasileira Antártica ficou muito tempo sem poder exportar para países árabes porque ostentava em seus rótulos uma Estrela de Davi, que nada tinha a ver com Israel: é o símbolo secular dos cervejeiros.

Dados obtidos pela Universidade de Cornell: durante a Guerra do Vietnam, a Indochina foi bombardeada pelos Estados Unidos com um poder equivalente a 650 bombas atômicas iguais a que destruiu Hiroshima. De 1965 a 1971, os Estados Unidos lançaram sobre ela 4,8 vezes mais explosivos do que sobre a Alemanha nazista. Ao todo, utilizaram, naquele cantinho da Ásia, um poder de destruição 213% superior ao que utilizaram na II Guerra Mundial (mesmo assim, foi o que se viu).

As bebidas destiladas – a aguardente, o gim, o uísque, a vodka e todos os seus parentes espirituosos – eram desconhecidos pelas velhas civilizações. Isso, aliás, foi muito bom: considerando que espécies de porcos vorazes os antigos romanos fizeram de si próprios apenas mediante o vinho, estremecemos só em pensar o que teria ocorrido se tivessem tido acesso à cachaça.

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