Cultura de verniz pra arrotar bacaba nos botecos (10)

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Por Roberto Menna Barreto

O suplício da roda, muito comum na Europa germânica da baixa Idade Média até o início do século XVIII – e reservado a assassinos, ladrões e salteadores – consistia em triturar as articulações da vítima sem feri-la mortalmente e, em seguida, atá-la a uma roda de carroça onde ficava exposta como exemplo. E para que esse exemplo servisse por mais tempo – às vezes até por vinte dias –, a vítima era alimentada regularmente.

George Bernard Shaw, numa de suas inúmeras cartas (é provável que tenha escrito mais de 1 milhão), descreve como muito divertida a cremação da própria mãe, achando que ela morreria de rir se a tivesse assistido.

Alexandre Magno, o imperador Júlio Cesar, Ricardo Coração de Leão, o rei inglês Ricardo II, o rei sueco Gustavo III, a rainha Cristina da Suécia (1626-1689), o tzar russo Pedro, o Grande, e o papa Júlio III eram homossexuais (alguns bissexuais).

A figueira – como também o apuizeiro da Amazônia – são árvores assassinas: suas sementes, defecadas no alto de outras árvores por pássaros que comeram seus frutos, dão origem a um monstro vegetal cujos tentáculos descem pra o chão, e que acabam matando a árvore hospedeira. No Passeio Público, no Rio, há uma enorme figueira oca, porque a palmeira que ela sufocou há muito desapareceu.

O ato de parir das índias é tão simples quanto o de defecar: no mesmo dia em que dão à luz, continuam fazendo os trabalhos diários. Em compensação, o marido assume o transe da dor da mulher e compartilha socialmente do evento: segundo costumes de tribos da América Sul, quem vai para o resguardo é ele, que permanece numa rede ingerindo alimentos leves durante algum tempo (prática chamada “couvade”) até ficar apto a fornicar de novo.

O dia 25 de dezembro, como data do nascimento de Cristo, é mencionado pela primeira vez somente no ano 354 – e reconhecido mais tarde, oficialmente, pelo imperador Justiniano. Na escolha desse dia, representou papel fundamental um velho dia de festa romano: na velha Roma, 25 de dezembro era o último dia das Saturnais, que havia muito tinha degenerado num carnaval desenfreado (quando os cristãos sentiam-se mais protegidos contra as perseguições). Antes dessa data oficial, o Natal era comemorado em janeiro ou março.

A gostosíssima Lamia, cortesã grega, cobrava 250 talentos: fez esse preço para o rei Demetrius Poliorcetes. A exuberante Laís cobrava dez mil dracmas: Demóstenes pagou, mas o ascético filósofo Diógenes teve Laís de graça. A esfuziante Ninon de Lenclos cobrava 50 mil coroas: quem pagou foi o cardeal Richelieu, mas Ninon pegou o dinheiro e mandou uma amiga substituí-la. A endiabrada Laura Bell, a maior cortesã de Londres em meados do século XIX, cobrou 250 mil libras do príncipe Jung Badahur, ministro do marajá do Nepal.

Todos os observadores da Guerra Civil Espanhola testemunham que ambos os lados combateram com estupenda coragem e sem qualquer preocupação por sua segurança pessoal. Era inclusive ponto de honra não se abaixar em qualquer tiroteio. Mais ainda, quando uma rua, por exemplo, ficava permanentemente sob mira dos adversários (como durante o cerco do Alcazar, de Toledo), civis faziam questão de cruzá-la calmamente, à luz do dia, pelo simples e único prazer de expor sua coragem. A trincheira foi algo inexistente durante toda a guerra.

Se fôssemos documentar a história da Terra, desde seu nascimento, dia após dia, ano após ano, num único volume de exatamente mil páginas, cada página cobriria 4 milhões e meio de anos. As primeiras 250 páginas descreveriam o aparecimento das condições propícias à vida. A Idade dos Dinossauros exigiria umas trinta páginas. Somente na pag. 984 apareceria o primeiro mamífero. A linhagem Homo viria no fim da penúltima página. E – testando ao máximo nossa capacidade de síntese – tudo o que aconteceu desde a pintura nas cavernas até as viagens espaciais teria de ser condensado na palavra final.

Não foi apenas perante a União Soviética que os americanos se sentiram tantas vezes confrontados com o “inimigo vermelho”: assim também eram considerados, oficialmente, navajos, kiowas, arapahos, sioux, apaches – a lista é imensa. Em 1865, o general Patrick E. Connor anunciou que os índios ao norte do Platte “devem ser caçados como lobos”, enquanto o coronel John M. Chivington, antes do massacre impiedoso dos cheyenes, de qualquer sexo ou idade, em 1864, defendeu, em pronunciamento público, a morte e o escalpo de todos os índios, mesmo crianças: “dos ovos é que nascem os piolhos” – sentenciou.

Mesmo já em meados do século XIX (1830), os casamentos no interior da França incluíam o momento em que os prantos da noiva redobravam: ela fugia com as amigas e o marido corria atrás com seu cortejo. Seguia-se uma luta que parecia bastante séria. Os esforços para levar a noiva ao domicílio conjugal faziam muitas vezes com que suas roupas acabassem sendo rasgadas – o que era para ela um título de honra, pois quanto mais uma moça, nessa ocasião, oferecesse resistência, mais passava ela por virtuosa na região, e mais seu marido contava com sua fidelidade. Mas, se no dia seguinte, o marido não estendesse na janela um lençol com as manchas de sangue atestando que a donzela era virgem, ele seria banido da cidade como corno e a mulher decapitada em praça pública.

A Terra possui um vizinho estranho e errático: o planetóide Toro, observado oficialmente em 1964. Em sua órbita, ele faz cinco voltas entre Vênus e a Terra e depois uma volta em tomo da Terra, como se estivesse bêbado e não encontrasse a chave da casa. Na opinião de alguns astrônomos, um alinhamento dos planetas (o último rolou em maio de 2000) poderia alterar sua órbita e fazê-lo chocar-se com Vênus ou com a Terra (Vênus, de preferência).

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