Como carcar as amigas da patroa

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Você está casado há mais de 20 anos. Não vai a uma boate de strip-tease há pelo menos dez. Nunca viaja sozinho. Seu sinônimo de lazer é encher a cara com seus amigos também casados, no mesmo bar, toda sexta-feira, conversando sobre o mesmo assunto. Quem você vai comer, bicho? A sua mulher?! Francamente…

Se você acredita mesmo naquele papo furado do Martinho da Vila (“Eu passo sede / eu passo fome / mas mulher de amigo meu / pra mim é homem”), então, meu amigo, as amigas da sua mulher são a salvação da lavoura. Relaxe.

A partir de agora você vai aprender algumas dicas para cercar, hipnotizar e abater essas difíceis, mas não impossíveis presas sexuais que vivem na sua casa contando fofocas, mexendo na sua coleção de discos de vinil e discutindo com sua mulher sobre os mais revolucionários métodos para acabar com a celulite.

Abordagem doente – Quando ficar sozinho na sala com uma amiga da sua esposa, finja que está tendo um ataque epiléptico. Enrole a língua, role no chão, mie, rosne, cuspa, uive e prenda a respiração até ficar roxo.

Quando a amiga da patroa vier desenrolar o seu linguão, aplique um “chupex” nos dedinhos dela. Se ela não se horrorizar, enfie a mão dela inteira na boca. É meio incômodo, mas fique na sua.

Depois que uma pessoa faz isso com outra, tem liberdade total para tocar em qualquer assunto – inclusive sexual. Libere então a mão da moça e use sua boca para convidá-la ao motel mais próximo.

Ponto positivo: Todos os absurdos que você disser vão ser atribuídos à sua “saída do ar”. Outra coisa: ninguém espanca um epiléptico até a morte por causa de uma chupadinha nos dedos.

Ponto negativo: Se você não for rápido, ela pode lhe enfiar um comprimido de Gardenal goela abaixo. Aí você vai ver o que é bom pra epilepsia…

Abordagem nelsonrodrigueana – Se você já tentou de tudo e não comeu nem aquela prima feiosa da sua mulher, não se desespere. A maioria das mulheres nega, mas até as feministas menos ortodoxas (as que não têm pinto) adoram um cara de pulso forte.

Por isso mesmo é que, segundo Jece Valadão, você deve partir direto pra ignorância. O negócio é ir logo metendo uns tapas na cara da dita cuja, tipo ataque de surpresa ao inimigo. A amiga da mulher toca a campainha e já leva a primeira porrada nas ventas antes de botar os pés no hall.

Para compensar a tolerância zero, grite um “eu te amo” a cada bofetada. Se você for do Rio Grande do Sul, mande um joelhaço na prenda. E corra pro abraço.

Ponto positivo: Se ela fizer o gênero mulher de malandro, Deep Blue derrotou Kasparov.

Ponto negativo: Como hoje é moda entre a mulherada o aprendizado de artes marciais, você pode dar de cara com uma mestra do Templo de Shao-Lin e apanhar mais do que bezerro em farra do boi.

Abordagem do falso gay – Num momento mais reservado com a amiga da patroa, faça cara de sofrimento e diga: “Estou em dúvida sobre minha sexualidade!”. É tiro e queda. Mulher nenhuma consegue ouvir isso sem dar palpite.

Depois, chorando, tente conduzir a conversa para o seguinte conceito: “Acho que não estou me realizando como macho porque minha mulher não sabe despertar o homem que há dentro de mim!”.

Se sua interlocutora demonstrar indiferença apele para a baixaria: “Inclusive estou pensando em sair com o teu marido!”.

Ponto positivo: A estratégia é pau puro e não costuma falar.

Ponto negativo: Se der zebra e falhar, mude-se para o Turquestão Oriental, porque sua reputação de macho foi definitivamente pro vinagre.

Outra coisa: se a amiga de sua mulher tiver tendências homo, você corre o risco de virar o passivo dela, meu amor. Aí só lhe resta gritar “xó, vibrador!”

Abordagem da mão-boba – A patroa fazendo café lá na cozinha, a amiga dela sentada com o cachorrão no sofá (você, lógico, quem mais podia ser?!), de repente ela se debruça para pegar uma revista na mesinha de centro e – catapimba! – como não quer nada você enche aquele corpão com cinco dedos.

Só não pode vacilar. Tem que respirar fundo, fechar os olhos e meter a mãozona sem dó.

Mas não vá me nocautear a mina. Isso pegaria muito mal, especialmente num primeiro contato.

Aponte a mão uns 20 graus abaixo, na direção da cintura da vítima. E pimba! O ideal é carcar um dos lados do popozão e apertar firmemente durante alguns segundos.

Nos Estados Unidos, terra de puritanos e fariseus hipócritas, este procedimento lhe faria puxar, no mínimo, 15 anos de cadeia.

Como a lei de assédio por aqui é mais branda – e você é um baita de um sangue-ruim – não custa nada tentar.

Ponto positivo: Não requer prática nem tampouco habilidade: basta ter uma mão com cinco dedos. Não requer nenhuma articulação verbal, sofisticação ou tato. Não é necessário dizer “eu te amo”. Até um pouco de ignorância e baixaria são bons requisitos para esta abordagem.

Ponto negativo: Você corre o risco de levar de volta um catiripapo no pé das ventas que vai lhe deixar com cara de porquinho Babe por umas três semanas.

A patroa vai ouvir o estalar de dedos na sua faça, vai vir para a sala correndo e vai transformar o primeiro tapa em linchamento.

Depois de alguns minutos, sua fuselagem facial vai ficar parecendo um bife de fígado mal passado.

Abordagem tímida – Não existe nada mais eficiente para obter favores de uma mulher do que dizer que não quer obter nenhum favor dela.

Em outras palavras, diga em alto e bom som (ou melhor, num meio tom, pois os tímidos nunca são tão explícitos assim): “Você é maravilhosa, eu não sou viado, mas acho que nunca rolaria nada entre nós…”.

No momento seguinte, a amiga da patroa vai estar jogada aos seus pés. Mantenha-se firme. Quando ela chegar junto, baixe os olhos e diga: “Eu sou muito tímido…”.

É bem provável que, logo em seguida, ela comece a tirar a roupa. E o que é melhor, vai tirar a sua também, já que os tímidos sempre precisam de uma mãozinha extra.

Mesmo depois de nu, continue fazendo cu doce. Por exemplo, experimente esconder seu sexo com as mãos, numa atitude defensiva de extremo pundonor.

Não existe nada mais ridículo que tímido pelado, mas vá em frente, você vai ganhar essa batalha.

Murmure “eu não sei se é a melhor hora para isso” ou “será que o sexo não vai atrapalhar nossa amizade?”

Se a amiga da patroa for do tipo que se sensibiliza com a nudez envergonhada, você fez cesta de três pontos.

Ponto negativo: Bancar o tímido é fácil, basta calar a boca e fechar os olhos. Qualquer pessoa pode representar um tímido, até um sem-vergonha como você.

Ponto negativo: Se você baixar os olhos demais, a amiga da patroa vai pensar que você é mesmo um tremendo boiola enrustido. Aí, fodeu geral!

Abordagem canalha – Machuca, esgarça, corrói, humilha. Mas é absolutamente eficiente. Olhe fixamente para a amiga da patroa e diga com convicção: “Sou corno!”

Ela vai fazer uma expressão de total constrangimento.

Aí você pode escolher entre dois caminhos: a via diplomática ou a beligerante.

A primeira consiste em fazer aquela cara de Charles Chaplin em fim de filme. Uma coisa entre o triste e o grandioso, entre o melancólico e o íntegro. Relaxe e fique olhando para um ponto no infinito.

Assuma essa ternura que só um verdadeiro corno pode expressar.

Nesse momento ela vai querer te botar no colo.

Se não quiser é porque  a filha da puta não passa de uma mulher frígida e quase masculinizada.

A opção beligerante é afirmar que está vestindo chapéu de touro e, antes que ela fique de queixo caído com a bombástica revelação, encaixar um beijão tipo roto-rooter, daqueles que a gata precisa ser levada ao massagista para curar o torcicolo.

Uma via ou outra são de difícil execução, mas quem conseguir perpetra-las está, sem dúvida, muito próximo da canalhice sênior.

Ponto positivo: Você não tem nada a perder. Corno hoje é que nem lanchonete McDonald’s, tem até nos mosteiros de Katmandu.

Ponto negativo: Uma mulher vai saber que você foi corneado. Quer dizer, em menos de meia hora você vai ser o maior corno da América Latina. Talvez até em bem menos tempo, se ela tiver um telefone celular com whatsapp.

Todos os cabelereiros do mundo vão rir de você, seu nome vai ser repetindo em todos os chás de cozinha do país, seus amigos vão te olhar como um cão leproso.

Calcule o custo-benefício. Se a amiga da patroa valer a pena, qual é o problema de ter uma reputaçãozinha de viking?

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