Carta aberta aos humoristas do país

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Companheiros humoristas! A crise se alastra como um ataque de riso! Não podemos mais assistir ao festival de piadas contadas pelos governantes e ficar calados. É hora de agir! Vereadores, deputados, senadores e até o presidente da República não podem assumir o papel que foi outorgado aos humoristas há séculos. Nós é que somos os verdadeiros bobos da corte. Nós é que estamos autorizados a contar histórias nonsense e fazer os outros babarem de tanto rir nos circos, casas de shows, programas de auditório, rodeios e no rádio. Nós é que somos os pândegos e não eles.

Mas antes de iniciarmos a cruzada contra os que desejam nos ver desempregados, mendicantes e fragilizados, devemos estar preparados para a guerra. E saibam: temos um inimigo hilariante pela frente. Um inimigo que domina a arte da patuscada como poucos.

Os ministros Eliseu Padilha, Blairo Maggi e Carlos Marun, só para ficar em alguns exemplos, podem se ombrear com os melhores dos nossos. Seus discursos enveredam por um humor absurdo só visto nos momentos mais gloriosos dos Irmãos Marx ou dos Três Patetas.

Sim, temos um grande desafio à proa! A técnica em Brasília é primorosa. Talvez apenas na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, com o cômico bispo Marcelo Crivella comandando a Prefeitura, estejam praticando humor no mesmo nível.

Geralmente nossos ministros começam fazendo uma introdução séria. Vão conduzindo a plateia. Depois, inesperadamente, arrematam o discurso com uma medida fora de propósito ou mesmo tresloucada. É batata: todo mundo ri! De nervoso, é claro, mas acaba se mijando de tanto rir. E nós, os verdadeiros parlapatões, não viramos os palhaços da história. Triste, muito triste.

Às vezes, companheiros nossos revelam pesarosos, aqui na Igreja da Salvação Pela Graça “Deus é Humor”, que, no fundo, invejam a técnica candanga de fazer piadas. Eles têm certeza de que nunca se equipararão a ela. O clima na nossa igrejinha é de completa desolação. Um velório sem anedotas de português, papagaio, loura birra e muito menos de anões.

Palhaços, comediantes de tevê, cronistas, cartunistas, clowns e imitadores dos mais longínquos rincões brasileiros vêm até nós. Cabisbaixos, entregam as carteiras profissionais para dar baixa e choram! Choram copiosamente, como em novelas mexicanas!

Para terem uma ideia, companheiros, até nossos colegas ilusionistas estão perdendo vagas no mercado com a escalada de chistes fabulosas do Conselho Nacional Monetário. Vamos ter de lutar com um inimigo que, além de cômico, é mágico!

Considerando: a vil maneira como os mandatários estão nos surrupiando temas e situações para chistes.

Considerando: o modo cínico como eles se locupletam imitando nossas técnicas e caretas.

Considerando: o alto índice de desempregados de nossa Categoria em função da concorrência desleal da classe política brasileira – só nos resta entrar em GREVE AMPLA, GERAL E IRRESTRITA CONTRA O DUMPING HUMORÍSTICO DOS LACAIOS DE BRASÍLIA!

A partir da meia-noite de amanhã, BOICOTE a toda e qualquer gracinha de ministros, senadores, deputados, vereadores e outros membros do Executivo, Legislativo e Judiciário!

– Guerra santa contra as patuscadas de Michel Temer!

– Boicote às anedotas babacas do Gilmar Mendes!

– Boicote aos números de ilusionismo do Henrique Meirelles!

– Boicote ao botox ultra detox do Moreira Franco!

À luta, palhaços!!! Quem ri por último, ri melhor!!!

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