Caiu do céu

0

Por Marcos de Vasconcellos

Carlos Mejia tem um sítio na beira da estrada Rio-Bahia, exatamente numa curva onde não há um dia que não tenha um acidente. Numa noite dessas, bateu-lhe à porta um moço aflitíssimo, pedindo ajuda. Capotou na tal curva mortal. A sogra tinha sido projetada para fora do carro e ele não conseguia achá-la.

Munido da competente lanterna, Mejia foi lá ajudar o moço a localizar a mulher-bala. Não houve meios. Vasculharam tudo e nada do projétil. Veio a polícia rodoviária. Iluminaram a área como se fosse dia. Nenhuma viv’alma. A sogra parecia ter subido aos céus junto com a alma.

O mistério desfez-se horas depois. Ao ser cuspida do carro, a bala humana caiu dentro da carroceria de um caminhão que passava. Escalavrada, mas viva, tentou fazer o motorista parar, esmurrando o teto da cabina do motorista.

Este, pensando tratar-se de assombração, meteu mais o pé no acelerador e só parou quilómetros adiante, em Sossego.

Quando apeou, muniu-se de uma vara e deu uma sova no “fantasma”. Depois, convencido da materialidade da passageira involuntária, internou-a no hospital local.

Suspeito que essa mulher jamais vai se esquecer desse dia.

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here