As cartas de Joyce

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Por Edson Aran

Além dos romances incompreensíveis, James Joyce também escreveu dezenas de cartas. É famosa sua correspondência com os contemporâneos Ezra Pound e Virginia Woolf, assim como as apimentadas cartas eróticas para a mulher, Nora.

Aproveitando a comemoração do 100º Bloomsday em 2004, a editora Zora & Yonara lançou no Brasil o livro James Joyce: Todas as Cartas (James Joyce: All the letters), com tradução do poema concreto Oraldo Grunhevaldo. A seguir, uma pequena amostra do livro.

Paris, junho de 1922

Querida Nora.

Estou louco para te pegar por trás, gostosinha. Quando eu chegar em casa você vai ver o que é bom pra tosse, safada. Tu vai rebolar gostoso no instrumento do teu macho.

Sempre teu,

James

Londres, junho de 1922

Prezado Joyce,

Embora eu aprecie bastante seus experimentos linguísticos, não há a mais remota possibilidade de que você me pegue por trás. Nem irei, por conseguinte, rebolar gostoso no instrumento do “meu macho”.

Sei de sua admiração pelos meus “Cantos”, mas vamos manter nossa cordial relação apenas no nível literário. Além disso, respeito é bom e eu gosto.

Atenciosamente,

Ezra Pound

Paris, junho de 1922

Estimado Pound,

Perdão, mil vezes perdão! Forgivemeness! Expliquei-me mal, nobilíssimo poeta. O breve texto era um trecho do meu mais novo experimento, o romance oh O’Malley, que vai contar a história da Irlanda, da queda do homem e da invenção da cerveja escura conforme presenciada pela mente adormecida do personagem central, O. O’ Malley. Mandei sem explicar o contexto para conhecer sua reação. Nowilnow, olfriend, nowiknow. Obrigado, e mais uma vez, forgivemeness!

Afetuosamente,

James Joyce

Dublin, julho de 1922

James,

Você trocou o envelope de novo, retardado.

Mas eu te amo assim mesmo. Minha bundinha espera ansiosamente pela sua volta.

Totalmente sua,

Nora

Paris, julho de 1922

Safada,

Espero, né? Espera, né, sua cadelinha gostosa? Eu vou te pegar de jeito, você vai ver. Vou te virar do avesso e te deixar toda ardida, minha tesudinha,

James

Londres, julho de 1922

James!

Oh, dear! Estou agradavelmente surpresa. Pensei que só havia admiração intelectual entre nós. Mas se você quer me virar do avesso e me deixar toda ardida, eu digo sim, eu quero sim, sim, sims!

Beijos molhados,

Virginia Wooolf

Paris, julho de 1922

Virginia?

Bem, já que você confessou sua paixão, que eu posso fazer? Um homem deve estar sempre pronto a satisfazer uma mulher carente, mesmo que ambos sejam intelectuais vanguardistas. Embarco hoje mesmo pra te pegar de jeito.

Beijos safados,

James Joyce.

Paris, agosto de 1922

Vem pra você ver, que eu te encho a fuça de murros, irlandês defaputo!

Furiosamente,

Ernest Hemingway

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