Amazônia órbita

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Por Mauro Ferreira

Conta Dante Ozzetti, em texto escrito para o encarte do álbum Amazônia órbita, que conheceu o universo musical amazônico em 2011 através da cantora amapaense Patrícia Bastos. Nasceu naquele ano o projeto do disco gravado entre São Paulo (SP) e Belém (PA). Lançado no final do ano passado pelo selo Circus, o álbum apresenta uma visão pessoal dos ritmos do Norte do Brasil.

Em Amazônia órbita, o compositor, arranjador e violonista paulistano vai além da simples reprodução de ritmos da região como lundu indígena, marambiré, marabaixo e samba de cacete (tocado nas manifestações culturais das comunidades quilombolas do Rio Tocantins). Ao lado do músico Du Moreira, que toca baixo e sintetizadores no disco que produziu ao lado do próprio Dante, o artista partiu dos ritmos da música da região para compor repertório inédito, acrescentando na gravação cordas e outros elementos musicais a temas autorais como Boi de brinquedo, Mazagão velho e Verão do meio mundo.

O maroto Carimbó chorado, por exemplo, ganha toques de choro e maxixe. Tema de ritmo vertiginoso, Vaqueiro do Marajó tem passagens suavizadas com o toque camerístico do piano de Heloísa Fernandes. Composição criada em tributo a Nena Silva, percussionista do quilombo amapaense do Curiaú, Kaseko Nena é cacicó, ritmo de origem africana que se disseminou na Guiana Francesa, invadindo as fronteiras do Amapá.

Dante Ozzetti assina todas as dez composições do álbum e os respectivos arranjos, criados sem ranços folclóricos. A pesquisa rítmica foi feita com a ajuda do percussivo Trio Manari, formado por Kleber Benigno, Márcio Jardim e Nazaco Gomes. Amazônia órbita é disco que conjuga valor documental (pela abrangência da pesquisa), requinte instrumental e ousadias estilísticas na abordagem dos ritmos do Norte do Brasil, expondo nova face da obra de Dante Ozzetti. (Cotação: * * * *)

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