Algumas curiosidades sobre o Carnaval no Rio de Janeiro

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A origem do carnaval carioca está nos entrudos promovidos por colonos portugueses, no século XVIII. As pessoas saíam às ruas jogando pó-de-arroz e perfume umas nas outras, sem nenhuma ordenação. Essa festa continuou acontecendo por muito tempo, e está aí a origem dos blocos carnavalescos.

Em 1835, o carnaval passou a ser comemorado pela elite carioca, em bailes de máscaras no Hotel Itália. O parâmetro para essas festas, conhecidas como Sociedades Carnavalescas, era a sociedade parisiense.

Em 1855, a cidade presenciou seu primeiro desfile de Carnaval, feito por um grupo de intelectuais auto-denominado “Congresso das Sumidades Carnavalescas”. Até Dom Pedro II assistiu ao desfile.

O desfile de blocos de rua durante o Carnaval carioca foi autorizado pela política em 1889.

No final da década de 1920, alguns blocos de carnaval começaram a se organizar, dando origem às primeiras escolas de samba.

De 1930 a 1944, o Carnaval era festejado na Praça Onze, por muitos considerada o “berço do samba”. Nesse ano, ela foi demolida para dar lugar à Avenida Presidente Vargas, que foi palco da festa até a inauguração do Sambódromo, em 1984.

O primeiro desfile de escolas de samba organizado no Rio de Janeiro aconteceu em 1932. Cada escola podia apresentar até três sambas e a campeã foi a Mangueira.

A grande fama das escolas de samba carioca, entretanto, só veio nos anos 50, quando intelectuais passaram a se interessar por cultura popular e pelo “folclore” do carnaval, levando os desfiles à classe média.

A folia carioca está no Guinness Book: é o maior Carnaval do mundo!

Apesar de a festa carioca ter raízes antigas, foi somente em 1963 que ela entrou para o calendário turístico da cidade. O que motivou a oficialização do Carnaval carioca foi o histórico desfile do Salgueiro com o samba-enredo Chica da Silva.

Foi na gestão de Roberto Paulino, biênio 60/62, na Mangueira, que foi criada a Ala das Baianas com as características atuais. Eram 125 baianas coordenadas por D. Neuma. Foi no desfile das campeãs em 1970, quando o presidente era Juvenal Lopes que a mais famosa baiana da Mangueira Nair Pequena, morreu em plena avenida, quando a escola cantava o samba de enredo “Um Cântico a Natureza”.

No carnaval de 1972, a Império Serrano com o enredo “Alô, Alô, Tai Carmem Miranda” chegou com suas alegorias praticamente nuas na concentração, deixando os componentes da escola, tristes e preocupados. De repente, Fernando Pinto, o carnavalesco, foi montando folhagens, bichos e coqueiros que estavam embrulhados em plásticos, transformando os esqueletos das alegorias em uma deslumbrante floresta. Era o gênio de Fernando Pinto que começava a despontar. A escola de samba Império Serrano foi campeã com um carnaval que ninguém se esqueceu até hoje.

Em 1969, quando Fernando Pamplona anunciou que o enredo era “Bahia de Todos os Deuses”, os salgueirenses ficaram preocupados. Havia crença geral que o carnaval sobre a Bahia dava azar, pois todas as escolas que tinham feito carnavais a respeito do tema não haviam conseguido passar do 3° lugar. Inclusive o Salgueiro, em 1954, ficou nessa posição com “Uma romaria à Bahia”. A coisa piorou ainda mais quando foi determinado que a escola ia se formar do lado direito da Candelária, que, segundo os sambistas, também dava azar. Contra todos os prognósticos pessimistas Salgueiro foi campeão nesse ano.

Dagmar, esposa de Nozinho, irmão de Natal da Portela, foi a primeira mulher a tocar surdo numa bateria de escola de samba.

Num desfile da Azul e Branca denominado “Noite de São Silvestre” promovido pelo jornal “A Manhã” na noite de 31 de dezembro de 1949, a pastora Finoca, em adiantado estado de gestação não deu ouvidos às ponderações de sua mãe Adelaide, também sambista, e as do marido Nunes e desceu para o desfile. Na madrugada de 1º de janeiro de 1950, a escola partiu da Praça Onze para o Obelisco. Na altura da rua D. Gerardo, Finoca começou a sentir os primeiros sintomas do parto. Sentou-se no meio fio encostou a cabeça no poste e chamou o repórter Aroldo Bonifácio para acionar uma ambulância. O jornalista, ao tentar sair, para procurar um telefone foi seguro por Finoca que havia piorado. Não houve jeito. Nasceu a criança sob a assistência apavorada do jornalista. A menina ganhou o nome de Adelaidinha se tornando depois uma famosa passista.

O famoso “Tablado”, local onde as escolas de samba desfilaram, de 1952 a 1956 tinha 1 (um) metro de altura e cerca de 60 metros de extensão. O “Tablado” ficava na Av. Presidente Vargas, entre as ruas Uruguaiana e Av. Rio Branco, em frente à Escola Pública Rivadávia Correa. As escolas de samba desfilavam no sentido Av. Passos – Candelária.

A ala de baianas na década de 30 era formada, quase exclusivamente, por homens que saiam nas laterais das escolas, portando navalhas presas as pernas para defenderem as agremiações em caso de brigas.

Desde 1996, os enredos das escolas de samba vêm assumindo o formato de “Projetos Culturais” elaborados por especialistas. A necessidade de seduzir patrocinadores determinou o aparecimento de enredos capazes de proporcionar retornos financeiros. Segundo alguns dirigentes de escolas de samba, os enredos orientados nesse sentido são uma saída para abaterem os custos cada vez mais altos dos carnavais.

No carnaval de 1996 cerca de 20% dos componentes de Escolas de Samba como a Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mocidade Independente vieram de estados como São Paulo e Minas Gerais.

Sabino Barroso, um dos arquitetos que fez o projeto da quadra da Mangueira, é um exímio pandeirista. Tocou durante seis anos na bateria da Mangueira. Segundo Sabino o mestre Waldomiro gostava do pandeiro na bateria (havia poucos pandeiristas), pois dava um tom leve ao conjunto. Mas, uma coisa é o pandeirista que dá exibição, outra é o que sai na bateria.

Paulinho do Ouro, um dos mais eficientes administradores de barracão de escola de samba, diz: “Trabalho por terceirização com turmas de no máximo 50 pessoas e todo planejamento é feito por etapas”. Ao se concluir uma etapa, entra outra, de forma que no final do carnaval não fica o corre-corre tão comum dos últimos dias dos preparativos quando cerca de 200 pessoas se acotovelam nos barracões das escolas de samba trabalhando dia e noite.

Irênio Delegado, jornalista, foi quem levou as classes sociais mais privilegiadas para assistirem aos ensaios das escolas de samba. O fato se deu em 1948. Foi organizada uma grande programação para o lançamento de um refrigerante na Serrinha. Nesse dia veio uma comitiva de 30 pessoas importantes de São Paulo e do Rio de Janeiro, entre elas o diretor da Rádio Nacional, Victor Costa. Em continuidade várias festas foram planejadas com o apoio dos jornais A Noite e A Manhã. Depois as festividades foram estendidas para a Portela, Aprendizes de Lucas e Azul e Branco do Salgueiro.  A Império Serrano deixou de dar ensaios na Serrinha e veio para o Madureira Tênis Clube.  O “high society” começou a chegar e a partir da segunda metade da década de 60 tornou-se um modismo ir à quadra das escolas de samba.

Uma das alegorias consideradas mais bonitas, verdadeira obra de arte foi a “Yemanjá”, confeccionada, para o carnaval de 1969, por Arlindo Rodrigues, toda em “papier-machê” prateada. A “Yemanjá” estava sentada num mar de rosas pratas, com diversas oferendas e cercando-a uma cascata feita por pequenos e numerosos espelhos que com o toque da luz do sol deu o efeito tão desejado pelo artista. Naquele ano, o Salgueiro iniciou seu desfile por volta de 11h, do dia, com um céu de brigadeiro.

A Império Serrano, na década de 50, recebia, em sua sede e terreiro de ensaios, no final da rua Balaiada, um dos pontos mais alto do morro da Serrinha (para chegar à sede se subia por uma estreita escada, cavada no barro), turistas e personalidades (fato inédito) oferecendo a famosa Ceia do Samba. Entre os visitantes ilustres que foram à Serrinha, citamos o Prefeito da cidade, a cantora Marlene, o locutor Manuel Costa, entre outros. Um forte temporal que caiu na cidade em 1958 fez ruir a velha sede acabando com um dos mais tradicionais costumes do samba.

Rubem Barcelos, famoso compositor do Estácio, incentivador de blocos, morreu no dia 17 de junho de 1927, com uma hemoptise galopante (tuberculose) não vendo a primeira escola de samba do Rio, a Deixa-Falar, que ajudou a fundar, desfilar.

O compositor do Salgueiro, Djalma Sabiá, autor de um dos mais belos sambas de enredo de todos os tempos, chamado “Navio Negreiro”, é o inventor da bebida “batida leite de onça”.

De 1958 a 1962, a Coca-Cola Refrescos e o jornal Última Hora, patrocinaram um desfile extra, antes do carnaval (realizou-se na Praça 7 e no Campo do Fluminense). A iniciativa não se repetiu.

Foi Nelson de Andrade, ex-presidente de Salgueiro e da Portela, o autor do lema usado até hoje pela escola Vermelho e Branco da Tijuca, ” nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente”.

O público que assistia em 1958, aos desfiles das escolas de samba, na Av. Rio Branco, comprimido por uma corda de aço que margeava as calçadas, alugava caixotes de madeira a CR$ 5,00 (cinco cruzeiros).

Em 1959, pela primeira vez contrariando uma norma do regulamento dos desfiles, o Salgueiro não usou as tradicionais cordas. Daí em diante, caiu a obrigatoriedade das cordas envolvendo toda a escola de samba.

Em 1959, o desfile das escolas de samba estava atrasado mais de 4 h, porque a Unidos de Bangu não queria entrar devido a um defeito em de seus carros alegóricos. A segunda escola a desfilar, a Aprendizes de Lucas se recusou a substitui-la. Para resolver o impasse Nelson de Andrade, então presidente do Salgueiro, em homenagem ao povo, resolveu abrir o desfile. Nesse mesmo ano o Salgueiro foi a Cuba e desfilou na inauguração de Brasília.

A região do Estácio, morada de artífices, operários e biscateiros, vizinho do São Carlos era um ponto natural de encontro, convergência de malandros alguns deles excelentes sambistas. Exatamente por isso, tem uma história importante no samba. Os botequins do Estácio, sobretudo, os do “Compadre” e “Apolo”, eram frequentados pelos bambas que fundaram a primeira escola de samba.

O surgimento da primeira escola de samba, a Deixa Falar, coincidiu com a implantação da gravação elétrica no Brasil, responsável pelo impulso ao mercado do disco.

O decreto-Lei estadual que designa o dia 2 de dezembro como o Dia Nacional do Samba é de autoria do deputado Frota Aguiar. O fato se deu durante o 1º Congresso Nacional do Samba.

Em 1961, o Sr. Victor Bouças, então diretor do Departamento de Turismo criou o “júri-móvel”, uma carreta onde se instalava a Comissão Julgadora e que devia circular enquanto a escola desfilava. A “engenhoca” não funcionou e o júri permaneceu fixo. Nesse mesmo ano, o Sr. Victor Bouças propôs que o desfile das escolas de samba fosse realizado no Maracanã, pois a Av. Rio Branco já não comportava o crescimento das agremiações. Em 1962 as escolas fizeram o último desfile na Av. Rio Branco, indo para a Candelária (Av. Presidente Vargas).

Em 1983, a escola de samba Caprichosos dos Pilares que estava no grupo especial com o enredo “Um Cardápio à Brasileira”, desfilou às escuras na Passarela do Samba durante cerca de uma hora, pois faltou luz. A escola continuou o desfile, porém na abertura dos envelopes, as notas não foram computadas. A escola de Pilares foi mantida no Grupo Especial. Fato semelhante aconteceu com a escola de samba Santa Cruz em 1992, que também fez seu desfile às escuras. A partir desse incidente o regulamento dos desfiles estabeleceu que na ocorrência de falta de luz as escolas deverão continuar o desfile, mas para valer o julgamento os jurados devem descer das cabines, permanecendo na pista.

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