À procura de um presidente

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Por Marco Antônio Villa

Estamos vivendo a maior e mais profunda crise política da história do Brasil republicano. A velha elite política não consegue mais obter nenhum consenso social. A instabilidade virou rotina. Tudo começou no longo processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Entre 2015-2016, a sociedade civil se organizou e foi às ruas exigindo o fim do projeto criminoso de poder petista. Foi a maior mobilização popular da nossa história. O que parecia impossível, no início de 2015, em pouco mais de um ano possibilitou uma vitória que abriu caminho para uma redefinição não só da forma de fazer política, como também do que os cidadãos imaginam que deva ser o nosso País.

Contudo, como em um grande paradoxo, a mesma sociedade civil que derrotou o PT e seu projeto de se perpetuar no poder com base no maior esquema de corrupção da história, o petrolão, um ano depois não conseguiu construir formas para edificar efetivamente a república. Isso porque a estrutura estatal e seus braços são mais poderosos, até o momento, do que do que as forças de transformação. Como em outros momentos da nossa história, o velho é mais forte do que o novo.

Em meio à turbulência política, os cidadãos não encontram caminhos que possam conduzir à construção de um efetivo Estado democrático de Direito. Se os partidos políticos são considerados ultrapassados, o que dizer dos candidatos à Presidência da República? Até o momento o panorama é desanimador. Os nomes que são especulados não conseguem sequer estabelecer um simples rascunho de ideias do que almejam para o Brasil. A pobreza ideológica é patente. Devido à ausência de projetos, o espaço político é ocupado pela troca de agressões e pelos extremismos à direita e à esquerda.

O vazio de lideranças identificadas com o novo momento é evidente. A velha elite continua ocupando os espaços tradicionais – e nada indica que abdicará dessas posições. O problema é mais complexo do que aparenta ser. Não é só – o que já é muito – uma questão de quadros políticos. É estrutural, ou seja, os canais e as formas de representação estão petrificadas. Como construir uma candidatura à Presidência da República sintonizada com a modernidade desejada pela sociedade civil em meio a uma ordem carcomida? Como romper esse impasse? Como qualificar o debate eleitoral em 2018?

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