A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz no Teatro Amazonas

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Conseguir permanecer dez anos em cartaz é uma proeza para poucos espetáculos. Muitos nem sequer chegam a subir a um palco de fato, antes de sumir no circuito cultural, mas de vez em quando surgem boas surpresas. Uma delas é a peça “A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz”, que volta a ser exibida domingo, 5, no Teatro Amazonas.

Escrita por Sérgio Cardoso, com direção de Chico Cardoso, o espetáculo estreou em dezembro de 2006, no Teatro Amazonas, para um público de mais de 600 pessoas e logo se tornou um clássico do teatro amazonense, fato inesperado até mesmo para os envolvidos.

“Não sabíamos que ia estourar. Aquela mágica noite já nos mostrou o sucesso da peça, que, depois, foi ao Rio de Janeiro, Acre e Amapá e rendeu prêmios à direção e ao dramaturgo”, relembra o ator e produtor Michel Guerreiro, que encarna a própria Mercedita de La Cruz.

A tragicomédia remonta a Manaus das décadas de 1940 e 1950, após o fim do ciclo da borracha e o início da decadência da “Paris dos trópicos”. É nesse cenário que os personagens precisam sobreviver, mas de uma forma engraçada.

“É um texto histórico”, afirma o ator Nivaldo Mota. “É lúdico e bem humorado, com um contexto dramático importante. Nessa época, muitos barões da borracha se mataram em função da falência e nós retratamos esses sentimentos de soberba, ganância e ambição de uma forma engraçada, sem deixar a crítica de lado”, comenta.

Assim, no texto, o autor recria Manaus como Lazone, uma cidade quase fantasma que se alimenta do ódio e do desejo de vingança daqueles que permaneceram. É no marasmo dessa cidade que Mercedita de La Cruz, famosa modista de noivas, transforma-se na principal vítima do ódio e da vingança de sua própria família.

“Ela é uma costureira que vai à falência e não conta para ninguém. Passa a viver de aparências e a enganar todo mundo”, conta Nivaldo. “O diretor, então, escolheu atores homens para interpretar as personagens femininas porque a caracterização, os trejeitos das mulheres, são mais caricatos. E cada personagem tem uma fundamentação fantástica”, completa o ator.

Uma década depois, a peça já foi vista por milhares de espectadores — alguns mais de uma vez —, mas por algum motivo parece não perder o encanto. “É uma peça muito solicitada, que caiu no gosto popular. Nós até já tentamos desistir dela, mas não conseguimos. Recentemente, recebi uma mensagem de uma pessoa que disse já ter visto a peça várias vezes, mas que vai ver de novo”, conta Michel Guerreiro.

Portanto, quem for assistir pela primeira vez ou reencontrar os personagens do espetáculo vai descobrir que o tempo pode ter feito muito bem a Mercedita. “O público vai poder ver o gás, a maturidade que a peça tem e nós, atores, tentando recriar a mágica que fez da peça o que ela é. Nós também estamos nos reencontrando com esses personagens, e, dessa vez, teremos um ator novo, trazendo uma nova dinâmica”, afirma o ator e produtor.

O elenco terá a formação original, com Michel Guerreiro, Nivaldo Mota e Arnaldo Barreto. A exceção será Hely Pinto, que chega para substituir Paulo Altallegre, que está filmando cenas na próxima novela das 21h, da Rede Globo, “A Força do Querer”.

A missão será, mais uma vez, levar ao público uma reflexão, da forma mais cômica possível. “Na peça, cada personagem tem o seu interesse pessoal e acaba deixando a família em segundo plano, o que acaba matando uns e enlouquecendo outros. Por isso, acho que a lição mais importante é a questão familiar. Não esquecer que o relacionamento com a família tem que ser maior que qualquer interesse”, finaliza Nivaldo Mota.

Para o futuro, o projeto “Mercedita 10 anos” prevê a venda de DVDs da peça para os fãs, uma nova temporada, ainda sem data, e a realização de “Mercedita – O Filme”, com, basicamente, toda a equipe da peça e mais alguns convidados.

SERVIÇO

O quê: A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz

Quando: 5 de março, às 19h

Onde: Teatro Amazonas

Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

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