A crise não é socioambiental, é civilizatória!

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Por Vilmar Berna

Amigo Simão Pessoa, estou lhe enviando um artigo da Amyra El Khalili, parceira da REBIA, sempre brilhante e propositiva, para publicação no seu site. Vale a pena ler, embora, sejamos realistas, em épocas de 140 caracteres por mensagens (Twitter), a geração que se dispunha a ler qualquer coisa além disso aparentemente a-ca-bou!

Não se trata de pessimismo, apenas de colocar os pés na realidade, então, talvez, sequer meus comentários sejam lidos, imagine o longo, mas importantíssimo artigo da minha amiga, com muito orgulho, Amyra El Khalili, que optou por não estar no Facebook, então, não lerá nem está postagem nem comentário algum, ainda assim, recomendo, com alguns rápidos comentários no sentido de colaborar: as regras da natureza se impõem a nós quando falha nossa pretensão humanista.

Os nomes e esquemas são apenas a reprodução de mecanismos naturais de chegar ao topo da cadeia alimentar e se manter lá, e tanto faz o “ismo” do viés ideológico, na prática, é comer primeiro e os outros depois, invadir territórios para conseguir recursos e preservar o território próprio ou conquistado para que outros alfas não venham fazer o mesmo, é praticar o infanticídio doa a quem doer para que seus genes perpetuem e não os do perdedor.

Em contrapartida à nossa capacidade de pular o muro dos limites da natureza, que definem as demais espécies, desenvolvemos uma consciência e uma cultura que deveriam nos servir por limites, mas o tiro saiu pela culatra. Atiramos nos próprios pés e somos nós, enquanto espécie e humanidade e democracia que estamos ameaçados.

A crise não é socioambiental, é civilizatória. Financeirização é apenas um nome charmoso para a velha agiotagem. E é ponto pacífico que muito melhor que roubar um banco é fundar um.

Do ponto de vista histórico, nossa trajetória sobre o planeta é muito mais recheada de fatos que nos denigrem enquanto humanos que nos enobrecem. Nos tornamos hipócritas, arrogantes, violentos.

No discurso somos e falamos uma coisa e na prática é bem outra. Usamos a inteligência e a consciência não para ser melhor, mas para justificar nossos erros em vez de querer corrigi-los.

Enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que está tudo bem e que se nos escondermos dos problemas eles não nos atingirão parece uma boa saída quando não podemos mesmo nos defender e evitar os problemas, mas pelo belo artigo de Amyra El Khalili, claro, é possível ver que há saídas.

 

Vilmar Berna é editor da Rebia – Rede Brasileira de Informação Ambiental e Prêmio Global 500 da ONU para Meio Ambiente

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